VER-O-FATO: LIÇÕES DA CARNIFICINA - Helder, Jatene e o filósofo Confúcio

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

LIÇÕES DA CARNIFICINA - Helder, Jatene e o filósofo Confúcio


"Se você tem uma laranja e troca com outra pessoa que também tem uma laranja, cada um fica com uma laranja. Mas se você tem uma ideia e troca com outra pessoa que também tem uma ideia, cada um fica com duas". 

O Ver-o-Fato inspira-se no filósofo chinês Confúcio - a frase, acima, é dele -, que viveu no ano 551 antes de Cristo, para sugerir ao governador Helder Barbalho uma profunda mudança, não apenas na velha, falida e apodrecida estrutura do sistema penal do estado - hoje na boca do mundo em razão da carnificina de 62 mortos, dentro e fora do presídio de Altamira -, como na introdução de políticas de geração de oportunidades para tirar os jovens da ociosidade e do crime organizado, sobretudo o tráfico de drogas.

É preciso que se diga - ou tenha a coragem de dizer, como faz o Ver-o-Fato -, que a gestão governamental deste Pará velho de guerra, nos últimos 30 anos, tornou-se uma sucessão de fracassos e da oportunidade perdida de significativos investimentos em políticas públicas eficientes, focadas principalmente na educação, área negligenciada e a única verdadeiramente capaz de libertar um povo da barbárie e da ignorância.

Cadê as escolas de tempo integral e cursos de capacitação - e isto implicaria também na valorização de professores e profissionais do setor - para crianças, adolescentes e jovens, muitos dos quais abandonaram as salas de aula e não sentem vontade de a elas retornar, optando por engrossar as fileiras do tráfico, onde sobra dinheiro para comprar o tênis da moda, a roupa transada ou a motocicleta dos sonhos?

Se isso tivesse sido implantado lá atrás, hoje  não teríamos chegado ao estado a que chegamos. De tanto a cabeça bater contra o muro, a cabeça partiu-se, mas o muro da ausência de soluções continuou intacto. A descoberta de talentos e de vocações profissionais, nos jovens que as escolas deixaram de produzir, se perdeu no tempo. O crime organizado foi mais rápido e competente do que os gestores que pensam, pensam e nada, ou pouco, produzem de útil à sociedade.

Não se quer aqui apontar o dedo e acusar quem quer que seja, nem condenar ninguém. Contudo, é importante que cada um, no passado ou no presente, com poder de decisão, assuma seus erros e a própria incapacidade de não ter enveredado por caminhos que levassem à prevenção da violência extremada, matanças e chacinas, nos lares, nas ruas, dentro ou fora de presídios. Humildade no serviço público, principalmente em área de comando, não deve ser artigo em falta. 

Helder Barbalho chegou ao poder sob a promessa de fazer diferente e melhor do que fizeram seus antecessores. Tem apenas sete meses no cargo. Ou seja, mais três anos e cinco meses pela frente. E a chance de corrigir os rumos das áreas da segurança pública e educação que herdou. 

O antecessor, Simão Jatene, quando confrontado pelos fatos, não admitia erros na educação e segurança durante os 12 anos em que esteve no comando do Estado. Preferiu refugiar-se nos acertos. E os teve, sejamos justos.  Isso, porém, não basta. O Pará e seus imensos desafios são muito maiores do que qualquer governante.   

Helder não pode, nem deve, cair na mesma armadilha soberba de Jatene. Afinal, negar os erros de um governo é correr o risco de repeti-los.  

 

6 comentários:

  1. Este é um Governo de Propaganda, na imprensa paga só elogios ao novo Barbalho, o salvador da pátria. Prometeu em campanha aumentos a rodo nos vencimentos dos servidores, tanto civis como militares e até agora nada, uma coisa é ser oposição que não se faz nada e só critica. Para sabermos alguma coisa é necessário recorrer aos Blogs que não estão alinhados com este Governo. A responsabilidade desta carnificina é do mandatário e este é Helder Barbalho. Como colocar amadores para chefiar o sistema penitenciário? O sangue até hoje estaria jorrando nos jornais da terra principalmente no Estado do Pará e já eté esqueceram da maior chacina do Brasil depois de Carandiru é o dinheiro funcionando. Parabens ao Blog por está ao lado da verdade.

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    1. Adorador e viúva de Tucanalha detectado!
      Vá para bem longe do Pará, seu DAS frustado de preferência procure seu ex governador Tucanalha corrupto Jateve e outra aceite a vitória de Hélder que dói menos!

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  2. Carlos Mendes, a fábrica da violência ainda estará em pleno vapor para as próximas gerações. A educação não estimula ninguém, a desigualdade social cresce cada vez mais. O pior ainda está por vir. Antes a violência ficava restrita à periferia, hoje, não mais. A bala que mata pobre, também mata rico.
    Apesar desse desabafo, espero e torço pra que nosso governador tome partido nesse desafio.

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  3. Marcos Paulo, é verdade. Ao longo dos anos essas questões, cruciais para o desenvolvimento e estabilidade de uma sociedade, foram deixadas de lado, postergadas. No lugar, o proselitismo político e o assistencialismo superaram qualquer iniciativa de políticas públicas mais sérias e duradouras. Chegamos ao impasse de hoje e à violência brutal, com suas carnificinas, massacres e ações de "justiceiros" que mantém a todos nós reféns do terror e da falta de perspectivas mais alvissareiras. Obrigado por ver sem paixão o que alguns tentam varrer pra debaixo do tapete, como se isso fosse possível a esta altura do campeonato.

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    1. Quem tá varrendo para debaixo do tapete?
      Se você fala do ex governador Tucanalha corrupto Jateve aí eu concordo contigo.Porque o atual nesses 7 meses Hélder já faz mais do que o antigo governador que durante duas décadas destruiu nosso Estado! Todos os indicadores de violência cairam e estão caindo, mensalmente o governo divulga coisa que o governador anterior nunca fez.Portanto exemplifique seus comentários para serem mais claros!

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  4. Mais claros, anônimo das 13:46, é impossível. Todos os que colaboram para postergar medidas em favor da população, seja por inércia, seja por incapacidade administrativa, varrem os problemas do Estado pra debaixo do tapete. Que cada um tire a própria conclusão. Ou vista a carapuça.

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