VER-O-FATO: VIOLÊNCIA - Mulheres cobram políticas públicas; polícia alega deficiência de pessoal

quinta-feira, 11 de julho de 2019

VIOLÊNCIA - Mulheres cobram políticas públicas; polícia alega deficiência de pessoal


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A comissão de mulheres entregou pauta de reivindicações ao delegado Teixeira

Paulo Jordão - repórter


Uma comissão de mulheres ativistas e representantes de movimentos sociais se reuniu ontem com o delegado geral da Polícia Civil, Alberto Teixeira, para cobrar políticas públicas e eficazes do estado contra casos de violência em que elas são as vítimas. 

Segundo elas, o Pará é o sétimo estado no ranking de mulheres vítimas de homicídios e o oitavo em casos de feminicídios, dados do Monitor da Violência 2019. As mulheres foram acompanhadas da deputada estadual Marinor Brito (Psol), representante da bancada feminina e da comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Pará. 

Também participaram da reunião as delegadas Joseângela Santos, diretora em exercício de Atendimento a Grupos Vulneráveis; Adriana Norat, diretora da Delegacia da Mulher de Belém e Eliete Alves, diretora da Delegacia da Mulher de Ananindeua. 

Dados oficiais do governo do estado revelam que os crimes de violência contra a mulher não tiveram redução em relação aos outros crimes cometidos no Pará. 

“No horário noturno, nos finais de semana e nos feriados são quando ocorrem o maior índice de incidência de violência contra a mulher”, apontou Marinor Brito, salientando que uma das reivindicações do movimento é a instalação de delegacias que funcionem 24 horas com atendimento completo e equipe multidisciplinar para atender mulheres em risco. 

As mulheres denunciaram ao delegado e às delegadas que Icoaraci é um local com grande incidência de exploração sexual de meninas e adolescentes, com grande concentração de caminhoneiros. Segundo elas, na orla daquele distrito e nos bares são os locais onde acontece a exploração sexual, “pois muitos hotéis funcionam como motéis”. 

Uma pauta com as reivindicações da comissão foi entregue aos delegados, propondo a campanha “Pará sem violência contra a mulher. Basta de feminicídio”, envolvendo os sistemas de segurança pública, educação, saúde e empoderamento feminino. Na área de segurança pública, elas pedem delegacias especializadas 24 horas; uma rede eficaz de captação e apuração de denúncias; profissionais capacitados e campanhas alertando e orientando a população sobre o fato. 

Na área de educação, elas querem campanhas mostrando os índices de feminicídio; inclusão no calendário escolar de atividades extracurriculares sobre direitos relativos a justiça de gênero e mais acesso a creches. 

Na área de saúde, a reivindicação é acolhimento para a mulher vítima de violência com atendimento médico especializado. Também pedem incentivo e valorização de atividades organizadas e empreendidas por mulheres; políticas de assistência a mulheres vítimas de violência, além de cursos e capacitações voltadas para mulheres fora do mercado de trabalho. 

O que diz o delegado

O delegado geral se mostrou solidário às reivindicações das mulheres, mas destacou que a Polícia Civil está com séria deficiência de pessoal, “pois o efetivo, que deveria ser de 5.200 policiais, conta apenas com trinta por cento desse total e o quadro vai agravar com a reforma da Previdência, pois mais 2 mil vão se aposentar”. De acordo com ele, a situação deverá ser amenizada com novo concurso público a ser realizado pelo estado. 

Ao final da reunião, o delegado propôs novo encontro com as ativista, envolvendo outros órgãos do estado, como o ParaPaz, Secretaria de Saúde, Centro de Perícias Renato Chaves, entre outros, para atender parte da pauta da comissão. A nova reunião deverá ocorrer em agosto.



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