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sábado, 27 de julho de 2019

MOTORISTA DE APLICATIVO - Em todo o país, aumentam casos de assaltos e assassinatos; no Pará, 309 vítimas e 3 mortes


No Pará, 309 assaltos em 7 meses e 3 mortes: trabalhadores vulneráveis
Paulo Jordão - repórter

Os motoristas de aplicativos viraram os principais alvos de assaltantes em todo o Brasil. No Pará, ao menos dois casos são registrados por dia, segundo dados oficiais. Só neste mês de julho, três motoristas foram assassinados - um no Conjunto Maguari, outro no bairro da Marambaia e o último, ontem, no Jurunas - e até agora nenhum acusado destes crimes foi preso. No primeiro semestre deste ano foram 309 assaltos no Estado.

A situação é crítica para quem trabalha neste setor. No Rio Grande do Sul, por exemplo, em três anos,2.274 motoristas de aplicativos foram assaltados, segundo dados da polícia gaúcha. Do total, 51% dos roubos foram praticados pelos próprios passageiros. A média diária e igual à do Pará.

Pelo menos um motorista de aplicativo de transporte individual de passageiros é assaltado por dia na Grande Vitória, no Espírito Santo. A média é de oito assaltos por semana. O levantamento é da Associação de Motoristas de Aplicativo do ES (Amapes), que representa os profissionais da categoria.

"Está difícil se proteger", diz motorista

O presidente da Amapes, Luiz Fernando Muller, explicou que os profissionais aceitam chamadas apenas de clientes bem avaliados e que têm muitas corridas, mas que ultimamente está difícil se proteger. É que criminosos têm furtado celulares e utilizado o aparelho da vítima para chamar as corridas, ação que acaba dificultando que o motorista identifique um possível suspeito.

Já em Belo Horizonte, a situação é parecida. Estão cada vez mais frequentes os assaltos a motoristas de aplicativos. São muitas reclamações, como a de Antônio Ramos Martins, de 54 anos. Ele foi assaltado três vezes em dois anos trabalhando pelos aplicativos. A última foi durante a terça-feira de Carnaval.

“Cheguei, observei, e só estava um rapaz, bem vestido até. Aí resolvi parar. Quando ele entrou no carro, outro (homem) que estava escondido entrou também. Como o telefone estava dando erro de localização, ele (suspeito) foi indicando o local. Chegando ao local ermo, ele me ‘agravatou’ e puseram a arma na minha cabeça”, contou Antônio.

Bandidos querem dinheiro vivo

Em São Paulo, os roubos a motoristas de aplicativos cresceram 18,5% no 1º trimestre do ano passado, um salto de 839 para 995 casos em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Secretaria Estadual da Segurança Pública. Essa alta representa uma tendência, já que, entre 2016 e 2017 (considerando-se os 12 meses de cada ano), os roubos a motoristas de aplicativos mais do que triplicaram em todo o estado: aumentaram de 1.123 para 3.952 casos (alta de 251,91%).

De acordo com especialistas em segurança pública, o fato de os aplicativos terem passado a aceitar dinheiro de seus passageiros, a partir do segundo semestre de 2016, contribuiu para o aumento dos casos de roubos, pois o grande atrativo é o dinheiro vivo.

A pior situação, entretanto, ocorre no Rio. Os motoristas de aplicativos estão sofrendo diariamente com a violência no Estado do Rio de Janeiro. De acordo com dados da plataforma Fogo Cruzado, houve um aumento de 800% de mortes e 150% casos de baleados, se comparado números deste ano com os de 2018.



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