VER-O-FATO: DEMISSÕES EM MASSA NA JARI - MPT terá reunião na terça-feira com empresa e busca "solução extrajudicial"

sábado, 27 de julho de 2019

DEMISSÕES EM MASSA NA JARI - MPT terá reunião na terça-feira com empresa e busca "solução extrajudicial"

Protesto contra demissões e salários atrasados em Laranjal do Jari. Foto Dalto Pacheco

Neste mês de julho, empresa paralisou atividades e dispensou cerca de 180 empregados sem quitar verbas rescisórias. Em vista disso, a  empresa Jari Celulose, Papel e Embalagens S/A, situada às margens do Rio Jari entre os estados do Pará e do Amapá, foi notificada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) para prestar esclarecimentos acerca da situação vivenciada por trabalhadores no município de Laranjal do Jari, no Amapá. 

A audiência requisitada pelo MPT, segundo informa a assessoria de comunicação do MPT no Pará e Amapá,  acontece nesta terça-feira (30) e tem como objetivo a tentativa de solução extrajudicial da situação dos trabalhadores atingidos, diante do quadro de recuperação judicial anunciado pela empresa. 

O Ministério Público do Trabalho instaurou inquérito civil no último dia 16, a fim de acompanhar o reflexo trabalhista decorrente da atual crise pela qual passa o empreendimento, iniciado na década de 1960.

A Jari Celulose teve o pedido de Recuperação Judicial – processo pelo qual uma companhia endividada consegue prazo para continuar operando enquanto negocia com credores, sob mediação da Justiça – deferido pela Justiça Estadual do Pará no mês de julho, ao alegar não ter condições de continuar suas atividades produtivas.

Sem madeira e salários atrasados 

De acordo com o jornal "Estado do Amapá", a situação no Vale do Jarí, ao sul do estado do Amapá, continua instável, depois que a Jari Celulose ingressou com pedido de Recuperação Judicial na Justiça do Pará, alegando impossibilidade de tocar o projeto de produção de celulose, tendo demitido 180 funcionários, há duas semanas, sem, no entanto, honrar com o pagamento trabalhista.

O correspondente do programa Luiz Melo Entrevista (Diário FM 90,9) no Jari, Dalto Pacheco, informou que a empresa atravessa uma das suas piores crises, desde o início de suas atividades, em 1960, por obra do bilionário americano Daniel Ludwig.

Dalto narrou que a Jari Celulose está sem madeira para processamento, além de não ter pagado as indenizações dos 180 funcionários que demitiu, está com os salários atrasados de setecentos servidores e ainda deve as 25 empresas que lhe prestam serviços, somando aí mais dois mil trabalhadores. Os atrasos nos salários chegam a quatro meses.

Os funcionários demitidos e familiares, além de populares que engrossam o movimento, mantêm interditada a estrada de ferro na estação de saída do trem, em Monte Dourado, distrito de Almeirim e onde o projeto de celulose é executado.

A situação afeta o comércio em Monte Dourado e na sede do município de Almeirim, bem como em Vitória do Jari e Laranjal do Jari, no lado paraense. Sessenta por cento dos funcionários que trabalham para a Jarí Celulose moram em Laranjal do Jari, onde o comércio começa a fraquejar, por causa da crise.

Consta que a Justiça paraense atendeu ao pedido de Recuperação Judicial da Jari Celulose, dando o prazo de 60 dias para a empresa apresentar um plano de salvação para as suas atividades.



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