VER-O-FATO: CHACINAS DE BAIÃO - Promotor denuncia o fazendeiro como mandante e outros três, como executores

quarta-feira, 3 de julho de 2019

CHACINAS DE BAIÃO - Promotor denuncia o fazendeiro como mandante e outros três, como executores

Fazendeiro "Fernandinho": extrema crueldade
 O promotor Márcio Farias, da comarca de Baião, denunciou cinco pessoas acusadas dos assassinatos que ocorreram no município, em março deste ano. Foram duas chacinas em menos de 24 horas, tendo o mesmo mandante, o fazendeiro Fernando Ferreira Rosa Filho, mais conhecido por "Fernandinho", bem como os executores dos crimes.


Segundo o inquérito policial, seis pessoas foram assassinadas entre a noite do dia 21 de março e a madrugada do dia 22, na zona rural de Baião. Entre as vítimas, está a ativista do Movimento dos Atingidos pelas Barragens (MAB), Dilma Ferreira Silva. As outras vítimas são Venilson da Silva Santos (Vinícius), Raimundo Jesus Ferreira (Raimundinho), Marlete da Silva Oliveira, Milton Lopes e Claudionor Amaro Costa da Silva.

Os denunciados foram enquadrados no crime de homicídio qualificado por 6 vezes. São eles Fernando Ferreira Rosa Filho, o " Fernandinho", mandante; Valdenir Farias Lima, o "Denir"; Glaucimar Francisco Alves, o "Pirata", que está foragido; além de Cosme Francisco Alves, o "Negão", como os executores. O acusado  Juciel dos Santos Pinheiro, o "Inheco", foi denunciado pelos crimes de favorecimento pessoal e favorecimento real, por ter ajudado a esconder os criminosos, além de guardar armas e produtos de roubo.

Dilma Silva, do MAB, uma das vítimas
Valdenir, Glaucimar e Cosme responderão ainda pelo crime de roubo, pois subtraíram objetos da casa de Dilma Silva. “Durante as investigações foram decretadas as prisões preventivas do mandante e dos executores. Com o oferecimento da denúncia, o Ministério Público pretende levar os acusados para o Tribunal do Juri”, adiantou o promotor Márcio Farias.

O Ministério Público pediu que a justiça determine a citação dos denunciados para oferecimento de defesa escrita e que no prazo legal, sejam pronunciados com vista a serem submetidos a julgamento e condenados pelo Tribunal do Júri. 

O caso

Na noite do dia 21 de março de 2019, na fazenda de propriedade do denunciado Fernando Ferreira Rosa Filho, localizada a 30 km da vila do “Km 50”, na Rodovia Transcametá (BR 422), Venilson da Silva Santos (Vinícius), Raimundo Jesus Ferreira (Raimundinho) e Marlete da Silva Oliveira, funcionários de Fernandinho, foram alvejados com disparos de arma de fogo em suas cabeças, tiveram seus corpos arrastados e sobrepostos dentro da casa em que moravam e ali dentro, foram carbonizados.

Conforme os autos do inquérito, um dos motivos que impulsionou o denunciado Fernando a mandar executar os seus funcionários, foi o fato de que eles estariam reclamando de suas condições de trabalho, de não estarem recebendo os seus salários e dizendo, inclusive, que se não recebessem os seus direitos trabalhistas, eles iriam denunciá-lo às autoridades.

Em seguida, e na mesma empreitada criminosa, no Assentamento Renato Lima ("Salvador Allende"), distante aproximadamente 20 km do local dos primeiros três homicídios, Milton Lopes, Claudionor Amaro Costa da SIlva e Dilma Ferreira Silva também tiveram suas vidas ceifadas brutalmente a golpes de faca. A possível razão da morte das vítimas, foi porque Dilma, ativista do Movimento dos Atingidos pelas Barragens (MAB), começou a reclamar e a ameaçar “denunciar” a atividade ilegal dos fazendeiros às autoridades (Polícia e Ibama).

Diante da resistência de Dilma, que insistia em reclamar do trafego de caminhões de madeira naquela estrada, o denunciado Fernandinho também resolveu encomendar a morte da ativista de movimentos sociais, a qual era chamada pelos criminosos de “Presidente do mato”. 


Em decorrência da encomenda de seu homicídio, todas as outras pessoas que estavam no bar, Claudionor que era companheiro de Dilma, e Milton que era cliente do bar, também foram executados nessa segunda chacina, obviamente, para não deixar testemunhas do crime. Ou seja, os dois foram mortos porque estavam no lugar errado e na hora errada.


Após esses crimes, alguns objetos foram furtados do local. Ante as proximidades entre os locais dos crimes, de alguns elementos de informações colhidos na região e circunstâncias dos crimes, foi apurado que houve uma ligação entre ambos os crimes. 

Por essa razão, as equipes policiais que atenderam os casos, se reuniram e elaboraram conjuntamente um único relatório preliminar de informação que já foi colacionado aos autos, com base no qual o Ministério Público ofereceu a denúncia. (Do Ver-o-Fato, com informações da assessoria de comunicação do MP do Pará)


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