VER-O-FATO: ALBERTO TEIXEIRA - "Polícia Civil tem 3 mil em atividade e 900 vão se aposentar. Concurso admitirá 1.500"

segunda-feira, 1 de julho de 2019

ALBERTO TEIXEIRA - "Polícia Civil tem 3 mil em atividade e 900 vão se aposentar. Concurso admitirá 1.500"

Teixeira: "quase metade do efetivo previsto em lei"
Paulo Jordão - repórter


Execuções de Policiais Militares por membros de facções criminosas; o poder do tráfico; a atuação das milícias; a redução drástica do efetivo da Polícia Civil e a chacina do Guamá foram alguns dos temas abordados pelo delegado geral da Polícia Civil, Alberto Teixeira, em entrevista ao programa Linha de Tiro, no último final de semana.


Consciente das graves dificuldades enfrentadas pela polícia para fazer frente a criminalidade em um estado de dimensões continentais, como o Pará, Alberto Teixeira analisou as causas, assim como a permissividade do estado para que se chegasse ao estágio de violência atual, bem como apontou o empenho e a determinação do governo em combater o problema. 

De acordo com o delegado geral, por falta de políticas públicas na área da segurança pública nos últimos anos, hoje a Polícia Civil possui quase metade do efetivo previsto em lei. “Se formos analisar os policiais que estão de licença médica, férias, etc. então teremos uma diminuição significativa deste número para a utilização na atividade fim”, afirmou. 

Ele explicou que este é um grande problema, pois não é algo que se resolva da noite para o dia, porque não se formam policiais de um dia para o outro, nem tampouco se faz concurso público. 

A previsão legal do efetivo hoje é de cinco mil policiais, mas existem apenas cerca de três mil, sendo que este número ainda vai diminuir, uma vez que em torno de 900 servidores da lei estão em processo de aposentadoria. “Nós estamos caminhando para uma situação extremamente crítica em relação ao efetivo policial”, reconheceu o delegado gertal. 

Diante da situação, segundo ele, o governador Hélder Barbalho (MDB) chamou para si a responsabilidade desde o início de sua gestão, tanto que “nestes primeiros quatro anos a previsão é abrir, através de concurso público, ao menos 1.500 novas vagas para delegados, investigadores, escrivães e papiloscopistas para compor a força”. 

Chacina do Guamá

Em relação à chacina do Guamá, em que 11 pessoas foram executadas por um grupo formado por PMs, Teixeira lembrou que no Pará já existe um histórico de várias chacinas, pelo menos nos últimos 10 anos e que nesse mesmo período muitos policiais também foram mortos. “Temos uma série de ações que culminam em mortes de muitas pessoas, então, o que se vislumbra, não só no Pará, mas em todo o Brasil é que existe uma disputa, uma rivalidade, entre as facções criminosas e os agentes de segurança que combatem a criminalidade no dia a dia, seja porque são presos ou porque alguns morrem em confrontos”, disse. 

Conforme Teixeira, “trata-se de uma espiral de ódio e raiva que vai culminar em mais mortes, pois ao mesmo tempo que morre um policial surge o clamor, uma vontade de vingança, quando alguns despreparados acabam praticando crimes; assim as facções ordenam que outras mortes ocorram, aumentando a espiral de violência”. 

Espiral de violência

Esta espiral, conforme ele disse, já estava instalada quando o atual governo assumiu. “Se não tivéssemos coragem de combater facções e milícias não chegaríamos a um bom termo na questão da segurança pública, portanto, posso dizer que uma das causas da chacina do Guamá pode ser uma vingança de alguns milicianos para eliminar desafetos. Mas também temos outras hipóteses. Eles podem ter ido para matar dois e perderam o controle. Havia notícia de que naquele local (Wanda’s Bar) se comemorava as mortes de policiais militares. No meu pensar, a razão é a espiral de ódio e raiva de longas datas. Nenhum dos presos disse qual foi a real motivação dos crimes”, analisa Teixeira. 

Teixeira destacou que em torno de 30 policiais militares foram mortos este ano, mas todos foram esclarecidos, com os criminosos presos ou com mandados de prisão, ou então foram mortos em confronto com a polícia. Destacou ainda que há monitoramento dos órgãos de segurança de forma coordenada, entre os departamentos de inteligência para identificar ameaças contra os agentes. 

Transferência de criminosos

Graças a este monitoramento integrado, segundo Teixeira, que o governo teve conhecimento de que as facções criminosas de dentro dos presídios pretendiam provocar convulsão social, executando agentes de segurança pública ou queimando ônibus e providenciou junto ao Ministério da Justiça a transferência das lideranças para presídios de segurança máxima fora do estado. 

Mesmo com falta de pessoal, Teixeira apontou que só no interior do estado, neste ano, a polícia judiciária efetuou 1.406 operações, prendendo 2.259 pessoas e apreendendo 252 armas e 400 quilos de drogas. 

A praga do tráfico 

Na avaliação do delegado geral, o tráfico de drogas é o crime capital e leva a outros crimes, como roubos, furtos, homicídios, latrocínios e até assaltos a bancos. Um assaltante de bancos presos confessou à polícia que sua parte no roubo seria paga com drogas. Quando há diminuição no tráfico de drogas, as estatísticas criminais baixam. 

Caso Gordo do Aurá

Teixeira também falou sobre o inquérito que apura a morte do vereador Gordo do Aurá, que ainda não foi concluído devido as circunstâncias em que foi cometida e as possíveis causas e pessoas envolvidas no crime, pois pode ter sido questão política ou disputa de facções.

Em tempo: o vídeo com a entrevista completa do delegado-geral, Alberto Teixeira, pode ser visto abaixo.




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