VER-O-FATO: TRIBUNAL DO JÚRI - Justiça acata denúncia do MP contra 8 que mataram 11 na chacina do Guamá

quarta-feira, 26 de junho de 2019

TRIBUNAL DO JÚRI - Justiça acata denúncia do MP contra 8 que mataram 11 na chacina do Guamá

A chacina do Guamá abalou a população de Belém e foi notícia até fora do Brasil


A denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado no caso que ficou conhecido como "Chacina do Guamá" foi recebida nesta 3ª feira (25) pela Justiça estadual. Os oito réus responderão pelos crimes de homicídio qualificado e lesão corporal decorrentes do fato ocorrido no dia 19 de maio na Passagem Jambu, no qual onze pessoas morreram e uma ficou ferida. Agora os quatro PMs e quatro civis serão citados pela Justiça e terão 10 dias para apresentar defesa escrita.

O 1º promotor de Justiça do Tribunal do Júri de Belém, José Rui de Almeida Barboza, ofereceu a denúncia no dia 17 de junho. Os denunciados são: Pedro Josimar Nogueira da Silva (Cabo Nogueira), José Maria da Silva Noronha (Cabo Noronha) e Leonardo Fernandes de Lima (Cabo Leo), Ian Novic Correa Rodrigues (“Japa”), Wellington Almeida Oliveira (Cabo Wellington), Jonatan Albuquerque Marinho (“Diel”), Edivaldo dos Santos Santana e Jailson Costa Serra. Os dois últimos responderão ainda pelos crimes de fraude processual e porte ilegal de arma, respectivamente.

O juiz que recebeu a denúncia, Edmar Silva Pereira, da 1ª Vara do Tribunal do Júri da capital, determinou a retirada do sigilo dos autos. O crime ocorreu no local conhecido como “Wanda’s Bar”, na passagem Jambu, e teve como vítimas fatais Alex Rubens Roque Silva, Flávia Telles Farias da Silva, Leandro Breno Tavares da Silva, Maria Ivanilza Pinheiro Monteiro, Márcio Rogerio Silveira Assunção, Meire Helen Sousa Fonseca, Paulo Henrique Passos Ferreira, Samara Santana da Silva Maciel, Samira Tavares Cavalcante, Sergio dos Santos Oliveira e Tereza Raquel Silva Franco. Uma das pessoas que encontrava-se no bar no momento da chacina, foi atingida e socorrida no local, apresentando lesão corporal.

Na tarde do dia do crime os denunciados encontraram-se na Panificadora e Confeitaria Esquina do Pão, de propriedade de Jailson Costa Serra, localizada na Rua dos Paríquis, esquina como a Travessa Quatorze de Abril e acertaram os detalhes de como agiriam, sendo que o Cabo Wellington já se encontrava no bar, na função de olheiro, identificando e localizando os alvos a serem executados, que inicialmente eram apenas duas pessoas. 

A investigação apurou que ficou definido que a execução das vítimas ficaria a cargo dos cabos Nogueira, Noronha e Leo e que o deslocamento até ao bar seria no carro de Edivaldo Santana, o Celta de placa OBV-4700, e na motocicleta marca Yamaha, modelo Fan, de cor vermelha.

Após encobrirem a ordem alfabética da placa do carro e retirarem a placa da motocicleta, seguiram até o Wanda’s Bar com Edivaldo na direção do Celta, Cabo Leo no banco do carona e Ian Novic no banco traseiro. Na motocicleta foram Josimar Nogueira, que a pilotava, e José Maria Noronha, na garoupa.

Após avisarem para o cabo Wellington deixar o local, chegaram e estacionaram os veículos em frente ao bar e desceram, a exceção de Edivaldo, que ficou na direção do carro aguardando a execução das vítimas. Ian Novic ficou junto a porta, enquanto que os cabos Noronha, Nogueira e Leo entraram no bar atirando, matando onze pessoas e lesionando uma.

Individualizadas as condutas, os que atiraram responderão como autores e os demais como partícipes, pelos crimes de homicídio qualificado (pena de 12 a 30 anos de reclusão) e lesão corporal (pena de reclusão de 1 a 5 anos), por cada uma das vítimas.

“Quanto aos onze crimes de homicídios qualificados, deve ser observado caráter hediondo, conforme preceitua a Lei 8.072\90, porquanto, os denunciados, com suas condutas, afetaram valores morais e éticos, o direito fundamental à vida, revelaram comportamentos inescrupulosos, perversos e inaceitáveis pela sociedade”, enfatizou na denúncia o promotor de Justiça Rui Barboza. 


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