VER-O-FATO: TARIFA CARA - Cai opção por avião e aumenta preferência por viagem de ônibus entre brasileiros

sábado, 22 de junho de 2019

TARIFA CARA - Cai opção por avião e aumenta preferência por viagem de ônibus entre brasileiros

Quatro empresas dominam o mercado e só concorrência poderá baixar os preços

Com a redução dos voos da Avianca, que entrou em processo de recuperação judicial em dezembro do ano passado, e o aumento no preço no combustível de aviação, os preços das passagens aéreas vêm subindo em ritmo acelerado. De acordo com o índice de preços ao consumidor, do IBGE , no período de 12 meses encerrado em maio, o valor dos bilhetes acumula alta de 23,85%.

O incremento é mais que o dobro do verificado nas passagens de ônibus interestaduais, que subiram 9,51% no mesmo intervalo de tempo. Ontem mesmo, a Gol anunciou que elevará as tarifas. Para o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, a abertura do mercado aéreo para o capital estrangeiro, já sancionada pelo governo, vai baratear as passagens no Brasil. 

O ministro defende que apenas a competição será capaz de fazer os preços caírem. Depois da recuperação judicial da Avianca, que reduziu o número de voos disponíveis, o preço dos bilhetes teve um aumento médio de 30,9% , passando nas rotas mais procuradas de mais de 100% na comparação com o mesmo período do ano passado.


— Essa abertura de capital foi extremamente bem vinda. Vai trazer players novos, vai trazer competição e vai ter reflexo na tarifa. O problema no Brasil é falta de competição. Quando houver competição, essa tarifa vai baixar — disse o ministro ao jornal O Globo. "A gente precisa de empresa voando. Precisa tornar o mercado mais atrativo para que as empresas venham para cá. Para isso, tem que mexer nos fatores que causam esse desinteresse, um deles era a abertura do capital".

Freitas lembra que a abertura de capital para empresas estrangeiras vem junto com a concessão para a iniciativa privada dos principais aeroportos do país. Os últimos leilões atraíram principalmente operadores externos. O ministro afirma que esses operadores terão que buscar saídas para movimentar seus terminais, e uma das principais formas é as próprias empresas buscarem companhias áreas.

No Nordeste, por exemplo, o aeroporto de Fortaleza é administrado pela alemã Fraport. A francesa Vinci controla o terminal de Salvador, e a espanhola Enea vai operar a estrutura de Recife. "Esses caras vão brigar para trazer novas companhias. Vão querer movimento no aeroporto. E eles têm expertise com isso, têm contato com empresas do mundo inteiro", afirmou. 

Outro movimento citado pelo ministro como importante para a aviação é a redução do ICMS para o querosene em alguns estados. O combustível é o principal custo dos voos. "O que a gente pode esperar é um crescimento vigoroso do mercado aéreo. A gente pode esperar o crescimento de novas companhias. E, obviamente, isso vai trazer aumento de oferta e reflexo no preço", disse.

O ministro afirmou que a regulação precisará atuar para diminuir a concentração de mercado nos aeroportos saturados, após a recuperação judicial da Avianca. Nos aeroportos de Santos Dumont, no Rio, e Congonhas, em São Paulo, por exemplo, praticamente não há mais slots (janelas para pouso e decolagem) disponíveis.

"Onde a questão slot preocupa? Nos aeroportos saturados. Nesses, a gente precisa da regulação. Aí a gente vai olhar com lupa para tentar fomentar a concorrência, minorar o problema de concentração de mercado. É basicamente ponte aérea", resumiu. 

Troca do avião pelo ônibus

Enquanto o setor aéreo continua nas mãos de 3 ou quatro empresas - Gol, Latam e Azul, por exemplo - que impõe preços e cobram valores exorbitantes por excesso de bagagem, começa a surgir no país uma migração do avião para o ônibus. Tem a questão do preço, e o setor (rodoviário) vem investindo em promoções. Há trechos que saem a R$ 49, o preço da bagagem do avião — diz Fernando Prado, presidente da ClickBus, plataforma de vendas de passagens de ônibus.

Segundo ele, é possível notar a migração de um modal para o outro pela familiarização com a internet: "Notamos que muitas pessoas são clientes de empresas áreas, pois elas já estão familiarizadas com a compra pela internet, pois o tempo de compra no site é rápido. O interessante é que as empresas de ônibus conseguem se adequar rapidamente à demanda, pois aumentam o número de viagens conforme a procura.

Prado ressalta que o brasileiro, cada vez mais, compra pela internet. Houve aumento de 60% das vendas de passagem de ônibus por esse canal nos primeiros cinco meses do ano. As vendas on-line representam cerca de 10% do total. Segundo o presidente da ClickBus, a demanda este ano está maior que a estimativa, que apontava avanço de 50%. Ele destaca a previsão de venda de 700 mil passagens para o feriado de Corpus Christi, alta de 80% ante o ano passado.

Na capital fluminense, a Rodoviária do Rio (antiga Novo Rio) comprova a procura maior. Para o feriado prolongado, as empresas colocaram mais de 1.800 ônibus extras para atender à demanda. A previsão é que, até domingo, cerca de 230 mil passageiros usem o terminal.

"Tivemos aumento de 16% no número de passageiros embarcados no trecho Rio-São Paulo entre os meses de maio e junho deste ano em relação ao mesmo período de 2018. As demais linhas interestaduais também registraram aumento, da ordem de 8%, o que pode ser um reflexo da alta das tarifas aéreas e da saída da Avianca do mercado", explica Beatriz Lima, porta-voz da Rodoviária do Rio.

Os consumidores que tiveram que reduzir o seu orçamento não deixaram de viajar, mas têm procurado por outros meios de transporte. "Até antes da crise, havíamos tido um aumento considerável de brasileiros, principalmente das classes C e D, usando o avião. Como o aumento do combustível das aeronaves está relacionado à alta da moeda americana, isso reflete no preço das passagens, os consumidores que tinham se acostumado a viajar antes da crise não deixaram de viajar, mas têm buscado outras alternativas", diz Eduardo França, coordenador do MBA em Estratégias e Ciências do Consumo da Espm Rio.  (Do Ver-o-Fato, com informações de O Globo)


Um comentário:

  1. São novos tempos sai o período de prosperidade do povo brasileiro quando o PT governava e entra a era da miséria do presidente facista eleito graças a idiotas úteis que o elegeram!

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