VER-O-FATO: PONTE DO MOJU - Agentes da Capitania dos Portos são denunciados ao MPF por agressão contra idoso

quarta-feira, 5 de junho de 2019

PONTE DO MOJU - Agentes da Capitania dos Portos são denunciados ao MPF por agressão contra idoso

A ponte foi derrubada há 2 meses, mas já causou e ainda causa muitos problemas


O Ministério Público Federal recebeu notícia de crime feita pela Associação Cainquiama, que representa comunidades ribeirinhas, onde são denunciadas agressões a um dos seus diretores, o senhor Rosemiro Santos, idoso e deficiente físico. O fato teria ocorrido no Km 48 da Alça Viária, junto à ponte sobre o Rio Moju que foi derrubada por colisão de uma balsa. 

A Cainquiama recorreu da cláusula do acordo de 128 milhões de reais entre a Biopalma (Vale) e o Estado, perante a 5ª Vara da Fazenda Pública, que dá “quitação a todos os danos sociais, inclusive danos morais coletivos”, por entender que seus associados não receberam nem promessa de ser indenizados pelo Estado. Além disso, o governador Helder Barbalho já declarou que o dinheiro é apenas para construir o que foi derrubado.

Segundo a representação ao MPF, Rosemiro Santos estava cadastrando moradores e trabalhadores, das localidades ali próximas, interessados em ajuizar ação indenizatória em razão do isolamento a que foram relegados pelo acidente, quando de repente, sem qualquer justificativa, 4 agentes da Capitania dos Portos, sendo um deles uma mulher, passaram a acusá-lo de estar “enganando os ribeirinhos" e de ser "ladrão”. 

Em dado momento, um dos agentes da Capitania pegou o idoso e deficiente pelo braço com violência, arrastando-o, e só não concluiu seu intento de levá-lo a uma parte erma da beira do rio devido à reação das demais pessoas e da própria vítima, que não se acovardou e afirmou que eles iriam responder pelos atos. Outro agente arrebatou violentamente documentos das mãos de uma mulher, o que a representação classifica como roubo.

Isso teria ocorrido na sexta-feira da semana passada, mas há denúncias de ribeirinhos, segundo alegam, de outros crimes que agentes da Capitania dos Portos estariam praticando contra pessoas indefesas, como invasão de casas e roubo de botijões de gás e grades de cerveja. Também relatam abusos e extorsões contra donos de pequenas embarcações.

Vítimas e agressores

O advogado da associação, Ismael Moraes, também protocolou outra comunicação de crime com um vídeo onde 3 mulheres relatam delitos que teriam sido praticados por agentes da Capitania dos Portos contra pessoas daquela comunidade.

“É chocante ver aquelas pessoas já desprovidas de quase tudo e ainda sofrerem violência por agentes do Estado que são pagos para garantir a Segurança Pública. Irei acompanhar junto ao MPF esses casos até a identificação dos responsáveis”, afirmou Moraes.

Ainda não há procurador da República definido para analisar o caso. As vítimas devem primeiro ser ouvidas e depois ser feito o reconhecimento dos agressores, que devem ser notificados a prestar depoimento. Segundo a Associação, existem ainda outros vídeos que estão sendo compactados para serem encaminhados ao MPF. comprovando as denúncias.

O Ver-o-Fato ligou para a Capitania dos Portos, em Belém, mas não conseguiu contato em razão de o telefone 3218-3950 não atender ao chamado. O blog fica disponível para ouvir a versão da autoridade de Polícia Marítima.



Nenhum comentário:

Postar um comentário