VER-O-FATO: ACADEMIA DE JORNALISMO - A posse de Franssinete, as homenagens a Walcyr e, de quebra, a queixa de Zenaldo

sábado, 1 de junho de 2019

ACADEMIA DE JORNALISMO - A posse de Franssinete, as homenagens a Walcyr e, de quebra, a queixa de Zenaldo

Fundada há 21 anos, a APJ empossa sua nova diretoria com muito trabalho pela frente

A jornalista e advogada Franssinete Florenzano tomou posse ontem à noite na presidência da Academia Paraense de Jornalismo (APJ), numa solenidade cheia de simbolismo  - realizada no auditório da Associação Comercial do Pará, que neste 2019 completa 200 anos - e ainda sob o impacto da  morte do dileto amigo e leitor voraz do Ver-o-Fato, o escritor e acadêmico, Walcyr Monteiro, homenageado com um minuto de silêncio.

Franssinete, que sucede a jornalista Roberta Vilanova na presidência, em seu discurso de posse  (veja a íntegra, abaixo) assumiu o compromisso de aproximar cada vez mais a APJ da sociedade, e esse estreitamento de relações passa, segundo ela, pela "promoção de cursos de atualização profissional, palestras, debates, publicações, exposições, concursos artísticos e literários, e de estabelecer intercâmbios, convênios e parcerias com universidades e instituições congêneres de finalidades artísticas, educacionais e culturais, além de ampliar os canais de comunicação da Academia, tanto para divulgar suas atividades oficiais quanto os trabalhos de seus membros e colaboradores". 

Ela também anunciou que seu primeiro ato como presidente será criar a Biblioteca Walcyr Monteiro, da APJ, em memória ao grande escritor, cientista social, folclorista, professor, pesquisador e sobretudo ser humano iluminado, que emprestou seu prestígio e sabedoria a esta Academia. "Um lugar onde se poderá preservar a oralidade cabocla, no qual o amor pela leitura reine, incentivando crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos a enveredarem por esses caminhos tão cheios de frutos". 

Conduzida pelo jornalista Walbert Monteiro, irmão de Walcyr, a solenidade contou com a presença de autoridades dos três poderes, líderes sindicais, de defesa do patrimônio histórico paraense, advogados e promotores de justiça, dentre outros. O prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, que integrou a mesa, desejou sucesso a Franssinete em sua gestão na APJ e aproveitou para criticar as "fake news", dando a entender, sem citar nomes, ser vítima de notícias falsas, embora destacando o papel das novas ferramentas de comunicação do jornalismo nas redes sociais. 

Franssinete, com o fundador da APJ, Donato Cardoso,  Carlos Mendes e Francisco Sidou

O jornalista Donato Cardoso, fundador da APJ há 21 anos, foi saudado por Walber Monteiro e pelos presentes com uma salva de palmas por ter idealizado e construído os primeiros passos da entidade, usando a própria residência, na Travessa Mauriti, no bairro da Pedreira, para reunir os colegas e mostrar a eles a necessidade de manter viva  a chama da inquietação jornalística, por meio de reuniões periódicas e discussões dos temas de interesse público 

A surpresa da noite ficou por conta do grupo musical "Enchendo o Sax", que brindou os presentes com o hino da Academia Paraense de Jornalismo, cuja autoria traz a veia cultural santarena do desembargador do trabalho, Vicente Malheiros da Fonseca, irmão do juiz do trabalho aposentado e membro da APJ, Wilson  Malheiros da Fonseca.  

Além de Franssinete Florenzano, na presidência, a nova diretoria da APJ está assim constituída: vice, Célio Simões; secretária, Graça Lobato Garcia; tesoureiro, Denis Cavalcante. O Conselho Fiscal é integrado por Ernane Malato, João Augusto Oliveira, Karlla Catette, Océlio Morais, Sheila Faro e Marcos Reis.

O editor do Ver-o-Fato, com a dileta amiga Auriléa Abelém

O discurso de Franssinete Florenzano



"Muito obrigada a todos os que estão aqui, em especial à bicentenária Associação Comercial do Pará, através do seu presidente, Clóvis Carneiro, ao ex-presidente Sérgio Bitar e ao superintendente, Lúcio Cavalcanti; e também à Fecomércio, através de seu presidente, Sebastião Campos, parceiros queridos. 

Gratidão especial a todos os meus confrades e confreiras, em especial à Roberta Vilanova - que desempenhou com muita garra e competência a presidência da APJ e cujas palavras calaram fundo em meu coração -; ao Walbert Monteiro (é culpa dele a minha admissão na Academia e também a minha eleição à presidência, foi ele quem articulou tudo e me convidou ao desafio), e aos meus companheiros de chapa, Célio Simões, Graça Lobato Garcia, Denis Cavalcante, na diretoria; Ernane Malato, João Augusto Oliveira, Karlla Catette, Océlio Morais, Sheila Faro e Marcos Reis, no Conselho Fiscal, todos amigos queridos. Temos muito trabalho pela frente! 

Senhores, 

A Academia Paraense de Jornalismo este ano completa seu Jubileu de Prata, em 26 de outubro. Reconhecida como entidade cultural de utilidade pública estadual pela Lei nº 6131, de 26 de maio de 1998, publicada no DOE de 27 de maio de 1998, sua administração é considerada serviço relevante, e seus membros não podem receber qualquer remuneração pelo exercício dos cargos, encargos e funções que venham a desempenhar. 

Assumimos o compromisso de aproximar cada vez mais a Academia da sociedade, e esse estreitamento de relações passa pela promoção de cursos de atualização profissional, palestras, debates, publicações, exposições, concursos artísticos e literários, e de estabelecer intercâmbios, convênios e parcerias com universidades e instituições congêneres de finalidades artísticas, educacionais e culturais, além de ampliar os canais de comunicação da Academia, tanto para divulgar suas atividades oficiais quanto os trabalhos de seus membros e colaboradores. 

Também iremos outorgar, na forma prevista no Regimento Interno, a “Comenda do Mérito Jornalístico”. E premiar, com a Medalha “Felipe Patroni”, os jornalistas que mais se destacarem durante o ano nas diversas áreas de atuação - jornais, revistas, rádio, TV, mídias sociais e assessoria de comunicação. 

No terraço do Donato Cardoso foram escolhidos os 40 acadêmicos fundadores. E lá também foram aprovados os estatutos da Academia Paraense de Jornalismo, que já foi dirigida por Donato Cardoso em três gestões, Abias Almeida, José Valente, Linomar Bahia, Gilberto Danin, ´Denis Cavalcante, Walbert Monteiro (por suas vezes), Álvaro Martins e Roberta Vilanova. Todos deram contribuição significativa à APJ, que agradecemos e louvamos. 

Já se foram de nosso convívio José Valente, Benedicto Monteiro, Abias Almeida, Carlos Rocque, Edyr de Paiva Proença, José Ubiratan do Rosário, Acyr Castro, Rubens Silva, Walter Guimarães, Leonam Gondin da Cruz, Odacyl Catette, Orlando Zoghbi, Pádua Costa, Eládio Lobato, Carlos Vinagre, Lucy Gorayeb, Paulo Renato Bandeira, Manoel Bulcão e agora Walcyr Monteiro. 

A todos estes que já se foram, nossas homenagens e tributo de admiração, respeito e amizade, que são eternos. 

Paulo Renato Bandeira, meu conterrâneo de Santarém, ainda no ano passado conversou comigo sobre seu projeto de cultivar a Língua Portuguesa e o gosto pela leitura nas escolas de todo o Pará. 

De Manoel Bulcão, a quem eu sucedi na Cadeira de n° 13, não esqueço a emoção de seu depoimento, que tomei durante os trabalhos da Comissão da Verdade, Memória e Justiça do Sindicato dos Jornalistas do Pará, que coube a mim a honra de presidir. Bulcão foi preso todas as vezes em que um presidente da República veio a Belém, durante a ditadura militar. Um homem de bem, da paz e jornalismo na veia, que tal qual Benedicto Monteiro foi obrigado a desfilar na rua, algemado, cena grotesca assistida por sua esposa Olga Bulcão, que caminhava na Praça da República naquela hora fatídica. À Olga Bulcão, que se foi há poucos dias, também a nossa saudade. 

Walcyr Monteiro era um querido. Um ser humano de tal doçura que vivia rodeado por crianças, ávidas para ouvir as suas histórias, que sabia contar como ninguém. Minha filha, Gabriella Florenzano (que não está aqui presente porque cursa mestrado em Portugal mas nos assiste pela transmissão ao vivo) foi abençoada com esses relatos fantásticos. Ela e meus sobrinhos ficavam de olhinhos vidrados ouvindo as histórias de visagens e assombrações, temperadas com aquele molho que só Walcyr tinha. 

O meu primeiro ato como presidente da APJ será criar a Biblioteca Walcyr Monteiro, da Academia Paraense de Jornalismo, em memória ao grande escritor, cientista social, folclorista, professor, pesquisador e sobretudo ser humano iluminado, que emprestou seu prestígio e sabedoria a esta Academia. Um lugar onde se poderá preservar a oralidade cabocla, no qual o amor pela leitura reine, incentivando crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos a enveredarem por esses caminhos tão cheios de frutos. 

Faço minhas as palavras do grande Gabriel García Márquez, em discurso proferido na 52ª Assembleia da Sociedad Interamaricana de Prensa (SIP), em Los Angeles (EUA), em 7 de outubro de 1996, e que ele publicou intitulado “A melhor profissão do mundo”: 

“O jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte.” 



8 comentários:

  1. Parabéns à Franssinete Florenzano!!!

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  2. Carlos Mendes amigo do Zenaldo por isso,que o referido blogueiro evita de mencionar os desmando e as tramoias do atual Prefeito de Belém.É engraçado que esse prefeito cassado duas vezes,e gerência o Município sobre liminar judicial,ainda tem cara de pau em dizer que mentira que salão deles.Porque Carlos Mendes,você não faz uma apanhado sobre processos judiciais contra essa corrupta gestão,o que tem de ação de servidor do município contra a prefeitura é a alarmante sem contar das empresas...

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  3. Se alienação e desinformação fossem riquezas, o anônimo seria bilionário e estaria semeando a terra com sua luminosa ignorância, ou má fé. Daí se esconder na barragem do anonimato para destilar sua diatribe. Aparece aqui como anônimo para que todos vejam e avaliem do que é capaz um agente das sombras, que lê o Ver-o-Fato, sabe o que se publica, mas prefere fazer gracinha. Da próxima, tal revoltado será inapelavelmente deletado. Caso assuma sua identidade, aí, sim, merecerá resposta com luva de algodão.

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  4. Muitíssimo obrigada, querido amigo Carlos Mendes, conto com sua ajuda para conseguir alcançar os nossos sonhos da APJ! Beijos.

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  5. Desculpa, mas estou tentando entender essa APJ. Como Ernane Malato e João Augusto Oliveira são imortais? Qual o critério para isso? Ter uma vez ou outra uma matéria escrita em uma coluna do Liberar? Me desculpe Carlos Mendes, você é jornalista, mas quando se junta com os dois e com outros nomes dessa academia é se nivelar por baixo. Onde estão os critérios para ser imortal? As academias do Pará estão mortas.. quando Pierre Bertrand passou a ser imortal da Academia Paraense de Letras se meteu o ultimo prego no caixão.

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  6. Não fosse o anônimo das 23:17 um covarde, com todos os achaques que a covardia lhe permite - pois sequer se digna a sair do esconderijo e identificar-se - resta dizer-lhe que deve ter alguma questão pessoal com os dois acadêmicos da APJ citados para atacá-los, como também o faz com o Pierre Beltrand, que é da APL. Quanto a mim, não me nivelo nem acima, nem abaixo, ou pelos lados, com ninguém, como tenta fazer o infeliz comentário. Respeito as pessoas que merecem meu respeito, como posso democraticamente divergir delas. Também não sou melhor, nem pior, que ninguém. Para o anônimo, deixou à reflexão o axioma do pré-socrático Epimênides: "O que Pedro diz de Paulo ensina mais sobre Pedro do que sobre Paulo".

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  7. Jornalismo tem que ser independente e imparcial ,mas,sobretudo ,corajoso !

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