VER-O-FATO: CASO DOS VENEZUELANOS - E os nossos miseráveis, hein?

sexta-feira, 17 de maio de 2019

CASO DOS VENEZUELANOS - E os nossos miseráveis, hein?


Centro de Belém: aumentou o número de nossos patrícios nas ruas

É louvável e de grande sentido humanitário a preocupação do procurador da República, Felipe de Moura Palha, e do procurador geral do município de Belém, Daniel Coutinho da Silveira, com a situação degradante em que vivem não apenas os índios Warao, mas outros grupos de não-indígenas venezuelanos.

Eles já dominam o cenário de miséria e exclusão a que foram relegados nas ruas da capital paraense e de outras grandes cidades de nosso estado, como Santarém e Marabá. 

Foi isto que motivou os dois procuradores a ingressar com ação na Justiça Federal para que esta obrigue a União a financiar até R$ 20 mil para cada grupo de 50 índios, no total de 600 que vivem em Belém, para que estes não fiquem ao total desamparo, como mostra a matéria anterior do Ver-o-Fato, baseada em informações do Ministério Público Federal (MPF) do Pará. 

Sem dúvida, esses índios merecem um acolhimento digno, sobretudo as crianças. São povos que fugiram de uma ditadura cruel, imposta pelo tal chavismo bolivariano e que tem hoje na figura do tirano Nicolas Maduro seu exemplo mais patético de apego ao poder e total indiferença diante do sofrimento atroz de seu povo. 

Contudo, não devemos esquecer dos brasileiros que povoam cada vez mais as ruas de grandes capitais e cidades do interior, pedindo esmolas, vivendo e dormindo em porta de lojas, praças e calçadas, sem que a União ou o Estado tenham para esses enjeitados sociais qualquer política pública de amparo. Não é esmola, nem favor. É direito constitucional.

Belém e Santarém

Em Belém, por exemplo, temos cerca de 800 velhos, jovens e até adolescentes, brasileiros, a maioria certamente paraenses, em número cada vez maior, vivendo nas ruas. Em qualquer bairro, sobretudo nos da chamada classe média alta. Pessoas doentes, algumas com evidentes problemas mentais, tuberculose, diabetes, etc, imploram a atenção da caridade pública, pedindo dinheiro e comida. 

Em Santarém, os moradores de rua já passam de 1.000. E eles têm os mesmos direitos humanos de seus irmãos de penúria, os venezuelanos, que já ocupam também as avenidas da “Pérola do Tapajós”. Em vista disso, há urgência de ações judiciais que também os ampare. 

Não há, nem deve haver, distinção entre mais ou menos miseráveis, deste ou de qualquer outro país, necessitados de ajuda e oportunidade na vida. Todos são iguais nas carências e urgências que se fazem necessárias e é dever do Estado Brasileiro protegê-los, sejam refugiados ou não.  

E aí, vamos deixar que continuem à míngua? 




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