VER-O-FATO: Tiros, invasão, negociação e retirada na fazenda Mutamba, em Marabá

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Tiros, invasão, negociação e retirada na fazenda Mutamba, em Marabá

Os invasores saíram do local depois que a Deca negociou a retirada da propriedade 

A invasão da fazenda Mutamba, em Marabá - mais uma, aliás - por homens que tentam se apossar da propriedade, provocou um boletim de ocorrência policial e a ação da Delegacia de Conflitos Agrários (Deca), pois o clima era de nova ameaça de destruição de residências e de agressão física, segundo relata o proprietário, Sérgio Mutran. Após negociação, os invasores foram retirados.


Eles chegaram na sede da fazenda logo cedo, no sábado, com cerca de 60 pessoas, algumas armadas. Mutran conta que a segurança da fazenda, ao se aproximar do local onde eles ficam à noite, foi recebida a tiros e rojões de foguetes. 

"Eles ficaram numa casa nos fundos, que é um retiro nosso, saqueando o imóvel e atirando no gado", prossegue, acrescentando que a Deca, depois de acionada, não pode se deslocar para a área à noite por ser perigoso. A chegada dos policiais ocorreu ontem. A Deca explica que cumpriu seu papel, que era evitar um conflito. A saída foi pacífica. Foi explicado aos invasores que a área já tinha sido reintegrada judicialmente.

De acordo com a investigação, um dos líderes dos invasores é o dono de um açougue na região muito conhecido por roubar gado, fazer o abate e vender a carne. Outro, de apelido "Barrão", possui diversas passagens pela polícia por furto. Mutran disse que para garantir a saída dos invasores ele cedeu o transporte. 

"A Justiça julga a legalidade do fato e a polícia atua para evitar o conflito. Foi isso o que aconteceu", disse Mutran, informando que a fazenda Mutamba já foi "totalmente destruída, não ficou nada, cerca, curral, telhas, roubaram duas mil cabeças de gado, mas eu não desisto e refiz tudo, gastando em torno de R$ 3 milhões". Ele assinalou possuir as notas fiscais da compra de material no comércio de Marabá para recuperar o que foi destruído.

Ainda segundo Mutran, no Pará é preciso que haja respeito à propriedade privada, o que já acontece em estados vizinhos. "Nosso direito está assegurado pela Constituição Federal", resumiu. Ele lamenta que uma "quadrilha instalada em Marabá esteja atuando no roubo de gado", sem que haja combate direto a tal tipo de crime, porque na região não existe uma delegacia especializada.

O boletim de ocorrência da invasão registrado na Deca



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