VER-O-FATO: Os fiscais da lei no Pará, os crimes da Hydro, e a teoria da terra plana

terça-feira, 16 de abril de 2019

Os fiscais da lei no Pará, os crimes da Hydro, e a teoria da terra plana

A população protesta nas audiências públicas em Barcarena. E os crimes, impunes

É inquietante e ao mesmo tempo perturbador, que os executivos e defensores da Norks Hydro consigam convencer os fiscais da lei sobre a normalidade no transbordamento de rejeitos de bauxita misturados com água da chuva, como ocorreu na monstruosa  - e aqui o sentido não é apenas semântico - barragem da multinacional norueguesa, em Barcarena. 

Isso tudo é a propósito de um vídeo, gravado no dia 4 de abril passado, após intensas chuvas, mostrar  água e rejeitos minerais caírem aos borbotões da dita barragem. Os dois MPs anunciaram ontem, em nota, que estão "apurando" o vídeo, divulgado pelo Ver-o-Fato na sexta-feira passada. 

Após ouvir "esclarecimentos da empresa, que afirmou tratar-se de situação interna ordinária, sem vazamentos para o ambiente exterior", os MPs, na mesma nota, afirmam que "tal informação coincide, em princípio, com as constatações da auditoria independente Ramboll, que prestou serviço pericial ao MPF para analisar a capacidade de armazenamento e tratamento de água da Alunorte, e especificamente analisou os eventos do dia 04, não constatando nenhum tipo de anormalidade nas bacias da Alunorte em abril de 2019". 

Ou seja, é tudo ainda mais perturbador, porque demonstra, de maneira explícita, que a tal apuração sobre o vídeo será uma providência apenas para norueguês ver. Embora digam que a força-tarefa  "está verificando" todos os registros das operações no dia 04 de abril e que pedirá "análises necessárias", parece já firmado entre os procuradores e promotores o entendimento de que aquilo que o vídeo mostra não foi nada demais. A Hydro já esclareceu tudo e fim de papo.

Até porque o objetivo dos MPs, já manifestado ao juiz federal Arthur Pinheiro Chaves - mesmo com a população de Barcarena sofrendo horrores na vida social e na saúde, em razão dos fatos ocorridos em fevereiro de 2018, sem ter sequer água potável nas comunidades - é derrubar o embargo judicial que paralisou metade da produção da empresa em razão dos crimes ambientais e sociais praticados.

Crimes, por sinal, impunes, porque até agora nenhuma ação criminal foi impetrada para responsabilizar a empresa. O que chega a ser aterrador, como bem disse o advogado Rodrigo Leitão, em artigo publicado no Ver-o-Fato.

A teoria da Terra plana parece fichinha diante de outras teorias que dominam as cabeças dos nossos fiscais da lei abrigados na força-tarefa do MPF e MPPA.  



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