VER-O-FATO: Há um "extermínio sistemático de jovens", diz professor da UFPA em palestra no Tribunal de Justiça

terça-feira, 9 de abril de 2019

Há um "extermínio sistemático de jovens", diz professor da UFPA em palestra no Tribunal de Justiça

Jean François: "é preciso que haja interesse por parte do poder público"

A difícil realidade da juventude no Brasil pode ser traduzida em números: 63.880 mortes intencionais, 82.684 desaparecimentos e 119.484 armas de fogo apreendidas. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, de 2017, e contextualizaram a palestra promovida pelo Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) sobre “Os desafios do enfrentamento ao extermínio da juventude brasileira”, na última sexta-feira, 5, no Fórum Cível de Belém. O objetivo do evento foi discutir a temática e fortalecer a rede de proteção de crianças e adolescentes.

A palestra foi ministrada pelo professor doutor Jean François Deluchey, do Centro de Estudos sobre Instituições e Dispositivos Punitivos da Universidade Federal do Pará (UFPA). “Para dar um exemplo, nós temos mais de 60 mil homicídios no Brasil e na França, que possui uma população três vezes menor apenas que o Brasil, este número cai para 825 mortos. É um abismo. Trata-se de um extermínio sistemático. Não há realmente proteção a essas pessoas que estão morrendo cotidianamente no Brasil”, ressaltou. 

Jean François acredita que existe um certo abandono por parte do Poder Público em relação aos cidadãos das periferias. “Eles são completamente entregues a modos alternativos de viver. Muitas vezes são obrigados, para se sustentar, a entrar em redes criminosas. Ou mesmo a se submeter a redes criminosas e a ordens alternativas instituídas na periferia. É preciso que haja um interesse por parte do Poder Público para trazer esses cidadãos de volta, para contribuir à sociedade de outra forma”, alertou. 

A palestra foi realizada por iniciativa da 3ª Vara da Infância e Juventude de Belém, que tem à frente o juiz Vanderley de Oliveira Silva, em parceria com a Coordenadoria Estadual da Infância e Juventude (Ceij), do TJPA. 

“Nós fizemos uma provocação para que a Ceij pudesse trazer o debate desse assunto, que é um elemento cancerígeno da sociedade. Essa realidade está muito presente, principalmente na Região Metropolitana de Belém. É papel do Tribunal aliar-se ao combate a isso, de forma cooperativa, trabalhando através da sincronia de dados com o Ministério Público, a Polícia e a Secretaria de Segurança Pública. A partir disso aí, com esses dados catalogados e crivados do ponto de vista da ciência, eles podem passar a servir como elementos balizadores das políticas públicas de combate a esse tipo de chaga social”, explicou o magistrado. 

A vice-coordenadora da Ceij, juíza Danielle de Cássia Silveira, ressaltou que a coordenadoria tem a incumbência de desenvolver atividades de prevenção relacionadas às Varas da Infância e Juventude. "Quando houve essa proposta, nós acatamos na hora. É preciso que tomemos conhecimento dessa situação Com os dados técnicos da pesquisa do professor Jean, nós pudemos abrir os olhos para essa realidade”, destacou. O desembargador José Maria Teixeira do Rosário está à frente da Ceij. Texto: Anna Carla Ribeiro e foto de Ricardo Lima, da coordenadoria de imprensa do TJ do Pará.



Um comentário:

  1. Senhor, dentro dessa questão de execuções de jovens, você já percebeu a quantidade de presos mortos dentro das prisões ? Principalmente enforcamento e esfaqueamento nesse ano ? Algo de estranho acontece neste setor penal.

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