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terça-feira, 30 de abril de 2019

CRIME AMBIENTAL - O gado do Pará na mesa do príncipe da Arábia: aqui, ficam a urina e as fezes que sufocam Abaetetuba

As comunidades protestam contra os abusos da empresa do príncipe e foram à Justiça
Bin Salman: uma enrascada das arábias 
Quem diria, não é mesmo? Em Abaetetuba, onde a degradação ambiental e o descaso com vidas humanas batem ponto todos os dias, até o príncipe Bin Salman, sucessor do trono na Arábia Saudita, tem seu nome gritado em manifestações de protestos. E é por um motivo que cheira muito mal. 

O príncipe é um dos sócios da empresa brasileira Minerva Foods, que há meses, num crime totalmente impune e para o qual nossas autoridades parecem estar cegas, vem despejando urina e fezes de gado confinado, poluindo o Rio Curuperê. 

O desespero domina os moradores da comunidade Curuperê Grande, pois o rio fica praticamente na porta das residências. Para piorar, as chuvas que têm caído na região e a subida da maré alagam as casas, trazendo grande quantidade de fezes e um odor insuportável. 

Na fazenda da Minerva Foods, uma imensa área entre os municípios de Abaetetuba e Igarapé-Miri, não há qualquer fiscalização. A licença ambiental emitida pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), como se vê, soa como piada de mau gosto.

Nessa fazenda, segundo os moradores do Curuperê, estão concentradas, diariamente, 27 mil cabeças de gado para exportação. O gado embarca pelo porto de Vila do Conde, em Barcarena, com destino a países como Egito, Líbano e a própria Arábia Saudita.

Certamente, o príncipe, seus súditos e a rica população da Arábia Saudita, estão comendo do bom e do melhor, saboreando a carne paraense, enquanto o povo deste pobre Pará é obrigado a suportar o fedor das fezes e a urina do gado que vai para a mesa de sua alteza.


Os moradores do Curuperê Grande, por meio da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama), já realizaram diversas manifestações pedindo socorro às autoridades. Sabem o que aconteceu? Nada vezes nada. 

Cansados de dar murro em ponta de faca, eles ingressaram, nesta terça-feira, com ação civil pública coletiva na 5ª Vara da Fazenda, de Direitos Difusos e Coletivos, em Belém, pedindo a suspensão do licenciamento ambiental concedido à empresa Minerva.

Até quando o Pará vai suportar agressões ambientais desse tipo? Com a palavra, o Ministério Público. 



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