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sábado, 6 de abril de 2019

Cai ponte da Alça Viária, no rio Moju: para variar, quem derrubou foi uma balsa


No final de janeiro passado, técnicos do governo estadual - Secretaria de Transportes, Conselho Regional de Engenharia e Corpo de Bombeiros - fizeram vistoria numa das pontes da chamada Alça Viária, à altura do km 48, no rio Moju, detectando problemas de corrosão e desgaste em pilares e estacas. Na ocasião, não foi detectado risco de desabamento da estrutura. O governador Helder Barbalho acompanhou pessoalmente a vistoria. 

Pois bem. Na madrugada deste sábado, dois meses depois dessa vistoria, a ponte desabou no mesmo local onde os problemas foram identificados. Uma balsa  - para variar, como ocorreu em 23 de março de 2014 - bateu violentamente na estrutura da ponte, fazendo-a ruir. Dois veículos que passavam pelo local teriam caído no rio, sem que se saiba até agora sobre eventuais vítimas. 

A própria balsa, causadora do acidente, também foi atingida pela queda da ponte. O governador Helder Barbalho, de helicóptero,  fez imagens com o próprio celular do local onde ocorreu o acidente (veja, acima). O tráfego na rodovia, importante para o escoamento da produção de várias regiões do Pará, sobretudo para quem sai de Belém em direção ao Porto de Vila do Conde, está interrompido e não há previsão de quando será normalizado.

Vale ressaltar que durante o governo de Simão Jatene, após o desabamento de março de 2014, o trecho acidentado levou dois anos para ser reaberto ao tráfego de veículos. Inacreditável, mas verdadeiro. Quem derrubou a ponte fez acordo com o Estado e ajudou a pagar os prejuízos. Até hoje os valores desse acordo não foram divulgados.

O governador Helder Barbalho sabe que a recuperação da ponte será lenta e que os prejuízos serão grandes para a economia do Estado, inclusive porque terá de tirar dinheiro do orçamento para reparar os danos causados por terceiros. 

Quem vai pagar por isto?

Claro que já foi aberto inquérito para apurar as causas do desabamento e a responsabilização dos culpados, mas isso também irá demorar até que o caso chegue à Justiça para que ela se manifeste.  O que chama a atenção, porém, é a reiteração de acidentes provocados por balsas que trafegam pelos rios onde se localizam as pontes da Alça Viária.

O local tem pouca sinalização noturna e as barreiras de contenção parecem frágeis para amortecer o impacto de colisões. O pior é que não existe sequer patrulhamento fluvial na área.  As balsas trafegam durante a madrugada, quando não há qualquer vigilância no local.  

O Centro Integrado de Operações Policiais (Ciop) disse ter recebido chamada às 1h38 sobre a ocorrência do desabamento da ponte, que possui 900 metros de extensão e 23 vãos. O Ciop acionou a Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Rodoviária, Grupamento Aéreo e Fluvial. 

Há 5 anos, a ponte desabou após ser atingida por uma balsa que transportava óleo. Agora, a coisa se repete. Até quando o Pará terá de conviver com esse tipo de acidente, inexistente em qualquer outro estado onde regras mínimas de segurança a um bem público e à própria navegação são asseguradas? 

Com a palavra, as autoridades.




5 comentários:

  1. fora a falt de sinalização das pontes, as balsas faltam mais sinalizações, e deveriam ser proibidas de circular de noite, ja que tem muito acidentes com os ribeirinhos. Agora o estado tera um grande prejuijo, penso eu que a empresa da balsa não tera tanto dinheiro para pagar a construção do pedaço que falta, nem arcar com as mortes das pessoas nos dois vehiculos.

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  2. Carlos Mendes o que houve com a PA 252 que interliga Moju à perna Sul e ao Acará (30 km de extensão)? Quando houve aquele desabamento em 2014, o ex-governador disse aos 4 cantos do estado que aquela via seria pavimentada para permitir o acesso dos veículos enquanto o reparo fosse feito.

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  3. "Há 5 anos, a ponte desabou após ser atingida por uma balsa que transportava óleo. Agora, a coisa se repete." Uma correção: está é outra ponte, sobre o rio Moju. A outra, atingida em 2014, era sobre o mesmo rio, mas dentro da cidade de Moju. Este acidente de hoje terá muito mais impacto na economia da região, pois liga Belém ao polo industrial de Barcarena e ao Porto de Vila do Conde. Grande desastre.

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  4. A ponte que caiu não é a mesma de 2014. E atualmente há sinalização sim. O que ocorre é irresponsabilidade dos comandantes, imperícia e muita navegação irregular. Isso tuso aliado à ausência de fiscalização e penalidades aos acusadores dos acidentes.

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  5. Corrigindo: "Aliado à ausência de fiscalização e penalidades aos causadores dos acidentes."

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