VER-O-FATO: Agropalma e Vale derrubam pontes e ganham homenagens no Pará: até quando tamanha subserviência?

domingo, 7 de abril de 2019

Agropalma e Vale derrubam pontes e ganham homenagens no Pará: até quando tamanha subserviência?

Março de 2014, no governo de Simão Jatene e dois anos para reconstrução. Quem pagou?
Abril de 2019, no governo de Helder Barbalho: e agora, quem vai pagar e quanto?



Em março de 2014, uma balsa a serviço da Agropalma, transportando 900 toneladas de dendê, derrubou 60 metros da ponte Moju-Cidade, do complexo Alça Viária. Em abril de 2019, cinco anos depois, uma balsa carregada com dendê, a serviço da Biopalma, empresa da Vale, derruba mais de 200 metros da ponte Moju-Alça. Nos dois casos, a cruel constatação: Agropalma e Vale, que operam com licenças ambientais graciosas emitidas pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) não têm nenhum respeito pelos bens públicos paraenses.

Para elas, o que importa é o lucro. Pessoas e o patrimônio do Pará, seja fundiário ou ambiental, não passam de meros detalhes. É preciso que alguém tenha a coragem de dizer - e o Ver-o-Fato faz isso baseado no histórico de omissões de algumas autoridades e órgãos públicos no trato com gigantes da economia - que empresas como Agropalma e Vale são fiscalizadas de maneira deficiente,  elas próprias dizem como devem ser fiscalizadas, e ninguém exige delas o rigor que deveria exigir. É um compadrio perverso, contrário aos interesses do Pará.

Por outro lado, os políticos que dependem de financiamentos para suas torpes campanhas eleitorais se calam, empresas de comunicação rasgam elogios às empresas infratoras, inventam prêmios sobre eficiência duvidosa para bajulá-las em troca de gordas fatias de publicidade, enquanto o mundo por aqui segue sua vidinha de subdesenvolvimento social e ambiental.

Até os peixes dos rios Moju, Acará e Guamá sabem que no local onde ficam  as quatro pontes da Alça Viária não há a mínima fiscalização sobre as embarcações, sobretudo balsas que transportam dendê da Agropalma e da Biopalma-Vale, além de madeira, botijões de gás, etc. A Capitania dos Portos é uma ficção nesse trecho, assim como os fiscais da estadual Arcon - existe para quê, esse órgão? 

Balsas com documentação vencida, como a da "Vó Maria", que derrubou a ponte na madrugada de ontem, navegam para lá e para cá sem qualquer problema. À noite, então, fica ainda mais fácil burlar a lei. Não há uma autoridade sequer para impedir as constantes batidas nos pilares das pontes, como sempre ocorreu, impunemente. Agora, depois da ponte caída, anuncia-se tantos inquéritos disso e daquilo. Os prejuízos, porém, são enormes, incalculáveis, para o Estado e sua população.

Vão pagar ou rolar os prejuízos?

Em março de 2014, após a destruição de 60 metros da ponte, o então governador Simão Jatene, do alto de sua olímpica empáfia, anunciou que o Estado iria cobrar R$ 170 milhões da CNA, dona da balsa, e da Agropalma, proprietária da carga. Depois disso, diante da notória omissão da grande imprensa, jamais se soube se de fato elas pagaram os prejuízos. Falou-se que um acordo extrajudicial havia sido firmado e que isso foi pago. Quanto? Foi todo o valor da obra de reconstrução do trecho destruído? Também é um mistério até hoje.

Durante entrevista coletiva, ontem, o governador Helder Barbalho declarou que a estimativa é de um gasto de R$ 100 milhões para reconstruir os mais de 200 metros que vieram abaixo após a colisão da balsa a serviço da Biopalma-Vale. E mais: ele anunciou que a obra deve durar 12 meses. Se comparados aos gastos de 2014, para reconstruir um quarto da área rodoviária agora devastada, Helder pode ter incorrido no grave erro de subestimar os prejuízos.

Além disso, parece haver o constrangimento de citar que a balsa que provocou o estrago monumental na economia paraense estava a serviço da Vale, que comprou a Biopalma em 2011 por 173,5 milhões de dólares. Esse acanhamento talvez se deva ao fato de a Vale ser a maior patrocinadora do Grupo RBA, do qual Helder é um dos sócios na empresa familiar.

O governador não precisa se constranger. Ele foi eleito para defender os interesses do povo paraense. Que o Diário do Pará, a RBA e suas rádios continuem a defender a Vale, como o fazem com relação à Agropalma. Problema deles. Os interesses do Estado e de sua população são uma coisa. Os privados, outra totalmente diferente. Não dá para confundir, nem misturar.

De resto, o importante é cobrar de quem deve cobrar para que a ponte seja reconstruída, protegida e sua segurança fiscalizada dia e noite. O leite está derramado e o estrago é enorme. É trabalhar sem passar a mão na cabeça de ninguém. 

O Ver-o-Fato está de olho. Afinal, este é o nosso papel.


5 comentários:

  1. Nesse seu comentário faltou dizer que essas pontes da Alça Viaria foram construídas de forma irregular causando grande prejuízo aos cofres públicos.Tanto o Tucanalha Somur Gabriel,como o corrupto Jateve, não fuzeraf as defensas e em nenhum momento li algo seu falando acerca disso.Portanto antes de cobrar o governador Hélder,apinte primeiri os erros da construção dessas pontes que se tivéssemos um MP atuante o Tucanalha Jateve já estaria preso!

    ResponderExcluir
  2. Pois então, é hora de Helder, que é o governador, e não eu, consertar o que os tucanos fizeram de errado. Inúmeras vezes critiquei a situação dessas pontes, mas você parece que não leu.

    ResponderExcluir
  3. Por: JUSTINO AMORIM DA SILVA

    O GRANDE CAPITAL FINANCEIRO INTERNACIONAL MANDANDO NO ESTADO BRASILEIRO.

    Os Governantes Brasileiros em âmbito Estadual, Federal e Municipal a cada dia solidificam o alicerce do projeto Neoliberal. Suas ações se voltam apenas e exclusivamente ao benefício das grandes corporações Financeiras. Nada para o povo.

    A Privatização do Estado Brasileiro aos interesses do grande Capital Financeiro Internacional é cada vez mais real, mais notório, mais latente. Isso mostra o quanto a Representação Política Brasileira está a serviço dos interesses das grandes corporações Financeiras.

    O Estado Brasileiro está legitimando o Assassinato, a Escravidão de Milhares de Trabalhadores, a destruição do Meio Ambiente, o Saque de Nossas Riquezas Naturais e a destruição do Patrimônio Público Nacional.

    ResponderExcluir
  4. Já estava na hora da verdade aparecer.
    A Biopalma é uma grande fraude!!!!
    Suas terras são fruto de grilagem.
    Ela deveria vir a público apresentar autorização ambiental para a venda do rejeito e sua respectiva notal fiscal! Fica a dica, Carlos!

    ResponderExcluir
  5. Carlos UFO continua sabotando os empregadores do Pará.

    Talvez nos arranje empregos sim, mas noutro planeta... .

    ResponderExcluir