VER-O-FATO: "Estou proibido de entrar na Faepa", denuncia Luciano Guedes: eleição ferve, enquanto MP prepara parecer sobre Fundepec

terça-feira, 12 de março de 2019

"Estou proibido de entrar na Faepa", denuncia Luciano Guedes: eleição ferve, enquanto MP prepara parecer sobre Fundepec

O que poderia ser uma disputa democrática na Faepa vai acabar na Justiça, de novo
O ideal seria que a Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), às vésperas de sua primeira e já turbulenta eleição em 30 anos, prestasse contas dos recursos, inclusive públicos, que recebe. Cobrar isso do atual presidente, sucessivas vezes reeleito por aclamação, Carlos Xavier, é fazê-lo sentir-se ofendido, como se fosse o dono da entidade e não devesse satisfação a ninguém. 

O Ver-o-Fato, desde o ano passado, buscou compreender o que ocorre na Faepa e descobriu que lá funciona uma autêntica caixa -preta, controlada com mão de ferro por Xavier. Vários pecuaristas que antes apoiavam o presidente, queixam-se de que ele só ouve as vozes daqueles que murmuram em seus ouvidos as canções de ninar da bajulação. E prometem reagir nas urnas.

Xavier e seus aliados acusam o opositor Luciano Guedes de querer destruir o que o longevo presidente, "com muito esforço pessoal e dedicação diuturna", construiu em favor dos associados. O próprio Xavier já disse, em entrevista ano passado ao Ver-o-Fato, ter tirado dinheiro do próprio bolso para comprar a sede da entidade. O presidente afirma ter apoio da ampla maioria e que terá uma vitória esmagadora. 

Como resposta às acusações, Guedes argumenta que o que tem feito é cobrar transparência na gestão da entidade, coisa que não existe no prédio da Dr. Moraes, além de espírito democrático, o que implicaria em Xavier aceitar o revezamento, por meio do voto, na alternância de poder. 

As manobras para impedir de qualquer maneira o registro da chapa opositora seriam o sintoma de que Xavier tudo fará para se manter no poder. "Estou até mesmo proibido de entrar na sede da Faepa", denuncia Guedes       


Parecer do MP vai sair

O Ministério Público, fiscal da lei e defensor da sociedade, por sua vez, investiga se os repasses ao Fundepec, o fundo privado agropecuário, comandado também pelo presidente da Faepa, estão dentro daquilo que a lei estabelece, inclusive a prestação de contas. Ouvido pelo Ver-o-Fato, o promotor responsável pela área da improbidade administrativa do MP, Rodier Barata anunciou que não cabe mais nenhum diligência no trabalho até agora realizado. 

"Nosso trabalho está em fase de conclusão para uma tomada de posicionamento", explicou Barata, garantindo que o MP não irá se omitir na apresentação do parecer. Ele falou sobre a existência da tal taxa que é cobrada para a defesa da saúde animal e repassada uma parte para o Estado e outra para o Fundepec. O questionamento é se esse dinheiro público que é repassado ao fundo exige ou não a prestação de contas.

A decisão do MP está pronta para sair do forno. Ainda não saiu, segundo Rodier Barata, porque no setor da improbidade há outras demandas que também necessitam de parecer. " Não posso adiantar a você o que vou fazer, mas com certeza tomaremos uma posição", resumiu o promotor.



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