VER-O-FATO: Você confia na Vale e nas barragens dela no Pará?

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Você confia na Vale e nas barragens dela no Pará?

Barragem do Gelado, em Parauapebas: vidas e meio ambiente em risco


País da impunidade e das tragédias anunciadas, o Brasil é piada mundo afora por não decorar lições mínimas de civilidade e respeito às pessoas, suas vidas e ao meio ambiente. Os crimes praticados em Brumadinho devem servir de exemplo ao Pará. Aqui é o filão mineral da Vale e é daqui que ela mais enche os cofres de dinheiro, exportando ferro, cobre e níquel. Mas será que o povo pode confiar na segurança das barragens de Carajás? É melhor desconfiar.


Exemplo: o medo domina 123 famílias que vivem e trabalham na Área de Proteção Ambiental (APA) do Gelado, a 60 km da cidade de Parauapebas, onde a Vale mantém a barragem de seu projeto Salobo, de extração de cobre. Nessa área está uma das maiores barragens da empresa na região. Além das explosões diárias, para extração do cobre, os moradores reclamam da contaminação dos igarapés e da falta de água potável. A Vale diz que está tudo bem. O pessoal do ICMbio faz coro a favor da da Vale. “É tudo mentira”, disse um morador ao Ver-o-Fato.

As famílias da APA do Gelado andam apreensivas. O sr. Gervásio Gomes, que vive e trabalha numa fazenda a 500 metros da barragem da Vale, disse ao portal de notícias G1 estar “muito preocupado” que aconteça uma tragédia no local. “Se não tiver uma providência, eu vou pegar minhas coisas e sair daqui, porque se eu estou apreensivo, a minha mulher está mais", afirmou. A Vale, em novembro passado, instalou sirenes em pontos estratégicos. É para alertar os moradores em caso de emergência. O que fazer se isso vier a ocorrer?

Corra para lugar alto

Três meses atrás, a comunidade do Gelado participou de uma simulação sobre o que deveria fazer no caso do rompimento da barragem do Salobo. À falta de maiores opções para garantir vidas, a Vale aconselhou os moradores que se houvesse um acidente, o melhor que todos poderiam fazer era correr para um local alto e seguro. "Eu achei importante o que eles disseram, mas agora acabou, eu estou com medo. Nunca tive vontade de sair daqui, mas agora estou desesperada", desabafou a agricultora Diosanta Vieira.

População acordou

Não dá para esconder o temor de um grave acidente na região do Gelado. Quem vive próximo à barragem do Salobo sabe disso e não se ilude com promessas, como a agricultora Josely Cardos, para quem “é preciso retirar a comunidade da área”. Ela diz que esse é o pensamento da maioria das famílias. "É o que eu ouço do pessoal aqui, porque não tem como a gente prever se vai acontecer algo. O mais certo é tirar o pessoal daqui", sustenta ela em declarações ao G1. A Vale, acusada de poluir as águas do Gelado, é obrigada a encarar a dura realidade. O vale de Carajás acordou.

Fiscalização débil

Não se sabe o que é pior: a segurança alardeada pela Vale em suas 14 barragens em Carajás, ou a falta de fiscalização dos órgãos ambientais, ANM, Semas e Ibama, na região. A Vale sempre coordenou e direcionou os engenheiros e técnicos dos governos federal e estadual quanto ao trabalho de “fiscalização” de suas barragens. 

Um técnico estatal que já participou de uma reunião na Vale, ano passado, relata que, de fato, não há qualquer fiscalização oficial. “É tudo para inglês ver, porque a Vale controla com mão de ferro os fiscais”. Do Ver-o-Fato, com informações do G1 Pará.

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