VER-O-FATO: Famílias denunciam tremores na barragem do Salobo, enquanto a Vale anuncia e cancela "simulação de desastre" em Carajás

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Famílias denunciam tremores na barragem do Salobo, enquanto a Vale anuncia e cancela "simulação de desastre" em Carajás

Famílias e funcionários estão apavorados e querem deixar o local

Tremores de terra, na área onde está localizada a barragem de cobre da mineradora Vale, no projeto Salobo - localizado em Marabá, mais próximo, porém, da divisa com o município de Parauapebas - estão deixando apreensivas as famílias que vivem praticamente embaixo da colossal barragem.

Elas não conseguem mais dormir direito e durante o dia ficam de vigília para qualquer anormalidade, temendo o rompimento. Familiares de funcionários de empresas terceirizadas da Vale que utilizam máquinas diariamente próximo à barragem, já pediram que seus parentes fosse removidos do local. Alegam que se a barragem romper, não haverá tempo para que eles salvem a própria vida. Até agora, a Vale nada fez. Apenas alguns funcionários passaram a trabalhar em locais mais elevados.

"Nós estamos apavorados aqui em Belém e todos os dias telefonamos para Marabá em busca de informações sobre a situação dessa barragem, mas a Vale só faz dizer que tudo está bem e que não há nenhum risco", declarou ao Ver-o-Fato a irmã de um funcionário. Ela pediu para não ter o nome revelado pois teme represálias. O discurso da Vale, aqui no Pará, é igual ao feito pela empresa em Mariana e Brumadinho, que deu no que deu.

O Ver-o-Fato ouviu também o sr. José Luiz Capapreta, que tem uma página nas redes sociais e está em contato com a região de Carajás, preocupado com as notícias que a ele chegam. Ele mandou para o site um pedido de socorro que lhe foi enviado pela Rádio Itaparica FM. Segundo a rádio, os tremores de terra iniciaram há dois dias e estão gerando pânico nos moradores.

A rádio diz que o pessoal de engenharia e escritório já foi colocado à salvo, em pontos no alto, acima da área de risco da barragem. Os trabalhadores braçais, que desempenham atividades mecânicas, como operadores de pás, motoristas, vigilantes, serviços gerais estão criminosamente mantidos nas áreas abaixo da barragem, correndo risco de soterramento se ela romper.

A Secretaria de Meio Ambiente, o Ministério Público e demais autoridades do setor de mineração, bem que poderiam fazer imediata inspeção nessa barragem, que tem a assinatura técnica da RBM Engenharia e Vallum Engenharia. De acordo com José Luiz Capapreta, ele entrou em contato com a Vallum Engenharia e está o teria tranquilizado com relação a essa situação.

A princípio, segundo a empresa terceirizada da Vale, os tremores cessaram e não existe risco de rompimento. Pelas explicações técnicas, a barragem do Salobo é uma das maiores do país, embora construída com outro procedimento, diferente do sistema a montante de Mariana e Brumadinho. O do Salobo é o Alteamento à Jusante, que em resumo se realiza com uma abertura na rocha onde se crava o barramento, o que segundo a engenharia moderna, representa segurança total contra rompimentos. Sobre as causas dos tremores, nenhuma explicação.

Nota do site Ver-o-Fato

Depois do que aconteceu em Mariana e Brumadinho, quando técnicos de empresas prestadoras de serviços à Vale e a própria Vale garantiram que estava tudo bem, apesar de saberem internamente que as barragens poderiam romper, o Ver-o-Fato, até "prova provada", não acredita no que esse pessoal diz, até porque quem deve tranquilizar a população não é quem é pago pela Vale por trabalhar para ela, mas as autoridades governamentais.

Por exemplo, Semas, Ibama, DNPM, ANM, que não fiscalizam nada e só fazem barulho depois que vidas humanas foram ceifadas e o meio ambiente totalmente contaminado. Este site desconfia das versões oficiais e oficiosas e mais ainda da Vale, hoje com sua credibilidade muito abalada.

Atualização - Simulação de desastre cancelada

Um release do governo do Estado chegou ao Ver-o-Fato, ontem, anunciando uma "simulação de desastre com barragens", que seria realizada, a pedido da mineradora Vale, ontem, (27) e nesta quinta-feira (28), nos municípios de Parauapebas e Canaã dos Carajás, respectivamente. "Além da simulação de acidente, que terá a participação de integrantes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e das comunidades do entorno das áreas, a Vale promoverá também reuniões técnicas com estes órgãos", dizia a notícia governamental.

O objetivo das ações, prossegue o release, é tratar dos problemas com relação às barragens e discutir quais medidas devem ser realizadas "caso ocorra uma situação de emergência". E encerrava dizendo que estariam presentes o coordenador adjunto da Defesa Civil Estadual, tenente-coronel Jayme de Aviz Benjó, e uma equipe de oficiais; o chefe da Divisão de Operações da Cedec, capitão Bruno, e o auxiliar da Divisão de Operações, capitão Marcelo.

Participariam também das simulações de desastre, os comandantes das Unidades Bombeiro Militar, o tenente coronel José Raimundo Lélis Pojo, comandante de Parauapebas, e o major Charles de Paiva Catuaba, comandante de Canaã dos Carajás.


Resumo da ópera valeriana: chega a informação de que a Vale cancelou tudo e deve remarcar a tal simulação para outra data. Então, o Ver-Fato atualiza essa parte da matéria e mexe também no título, como o leitor pode ver acima.


2 comentários:

  1. Exatamente como se dá o ocorrido até aqui.Aguardei o contato por parte da Assessoria de Comunicação da Vale,mas eles não se dignaram a nos informar,embora tenha havido contato prévio.Esse é mais um fator preocupante,pois já havia pedido a um engenheiro que me pediu pra não ser identificado,que o mesmo fizesse um video da área com declarações dos funcionários,mas ele alegou não poder atender este meu pedido.o que no minimo nos remete a imaginar,que algo não está correto de vez que ele me admitiu terem ocorrido os tremores e não saber as causas dos sismos.Preocupante mesmo !!!

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  2. Apenas complementando que o José Luíz é radialista com horário na Rádio Itaparica FM e recebeu as denuncias devido a credibilidade que goza junto ao seu público ouvinte.

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