VER-O-FATO: Boechat: a credibilidade sem medo de opinar

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Boechat: a credibilidade sem medo de opinar



Boechat: comentários inteligentes, irônicos e diretos já fazem falta
A morte do jornalista Ricardo Boechat, 66 anos, ocorrida nesta tarde, após a queda de um helicóptero em São Paulo - num acidente que vitimou também o piloto da aeronave, Ronaldo Quattrucci, 56 -, deixa um enorme buraco no jornalismo brasileiro, sobretudo o televisivo e radiofônico, envolto numa crise de credibilidade.

Ao contrário de muitos apresentadores, que se limitam a ler o texto que alguém escreveu para eles, Boechat tinha luz própria e personalidade ao fazer seus comentários, sempre corrosivos, sobre os poderosos de plantão. Fosse de que partido fosse, à esquerda, direita ou centro. Também não poupava governantes metidos em trapalhadas.

Rico no vocabulário, irônico, sagaz, simples, porém direto, ele era querido até mesmo pelos que dele discordavam. Nunca se omitiu ao opinar, assumindo as consequências de seus comentários. Ao contrário de muitos que atacam a serviço de uma causa, ideologia, ou vingança pessoal. 

Boechat já faz falta.

Como foi

O helicóptero com Boechat caiu sobre um caminhão em trecho do Rodoanel que dá acesso à rodovia Anhanguera, na zona oeste de São Paulo. O jornalista trabalhava atualmente no Grupo Bandeirantes de Comunicação, apresentando dois programas diários, o Jornal BandNews, um matinal na rádio BandNews FM, e o Jornal da Band à noite, na TV Bandeirantes. Ele tinha também uma coluna na revista semanal Istoé.


Na manhã desta segunda, Boechat falou em seu programa matinal no rádio sobre a sucessão de tragédias no país, como Brumadinho, e no Ninho do Urubu, no Rio de Janeiro. O jornalista estava em Campinas palestrando a convite de uma farmacêutica, Libbs, em uma convenção de vendas da empresa — a Libbs não confirma o fretamento da aeronave. 

A farmacêutica informa que o caso está em averiguação, e diz lamentar profundamente o ocorrido. O evento, no Royal Campinas, ​​ainda teria um show nesta segunda. A programação foi cancelada após a confirmação do acidente. ​​


Em nota, o Grupo Bandeirantes, disse lamentar "o súbito falecimento do jornalista" que "além de um profissional muitíssimo conceituado, premiado e admirado, o Brasil perde um grande homem, pai de seis filhos, avô e amado esposo. Estamos todos, funcionários e colaboradores, muito tristes e abalados com esta trágica notícia."


“O jornalismo e o Brasil perderam hoje uma referência insubstituível. E nós, do Grupo Band, perdemos um amigo e profissional que jamais esqueceremos”, disse, em nota, João Carlos Saad, presidente do Grupo Bandeirantes. 


Ricardo Boechat era filho do diplomata Ricardo Eugênio Boechat e nasceu no dia 13 de julho de 1952, em Buenos Aires. Na época, o pai estava a serviço do Ministério das Relações Exteriores na Argentina. O jornalista já teve passagem pelo O Globo, O Estado de S.Paulo, Jornal do Brasil e O Dia.


Na década de 1990 chegou a ter uma coluna diária no Bom Dia Brasil, jornal matutino da TV Globo. Boechat é ganhador de três prêmios Esso de jornalismo. É também o maior ganhador do Prêmio Comunique-se.

Ele era casado com Veruska Boechat e deixa seis filhos. Beatriz, 40, Rafael, 38, Paula, 36, e Patricia, 29​​, de seu primeiro casamento com Claudia Costa de Andrade, e Valentina, 12 e Catarina, 10, do casamento com Veruska.


Segundo testemunhas relataram ao Corpo de Bombeiros, a aeronave Bell Jet Ranger, um modelo de 1975, tentou fazer um pouso de emergência em uma alça de acesso do Rodoanel à av.  Anhanguera, na altura do quilômetro 7, sentido Castelo Branco, próximo a um pedágio —local das vias com menos fluxo de veículos.


Na descida, no entanto, ela se chocou com um caminhão que tinha acabado de sair do pedágio, na faixa do Sem Parar (pedágio expresso). Não se sabe ainda qual o problema que a aeronave apresentou, mas foi a colisão que fez o helicóptero pegar fogo.


O motorista do caminhão foi socorrido e teve ferimentos leves, segundo a Polícia Militar. Além de Boechat, o outro ocupante da aeronave é o piloto Ronaldo Quattrucci, 56, que também morreu no local, segundo informações do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). Quattrucci tinha dois filhos. 

De acordo com a Abraphe (Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero), o piloto tinha experiência de quase duas décadas como comandante e "seguiu à risca as doutrinas de segurança até o último momento, na tentativa de preservar a vida da tripulação a bordo do helicóptero".


Segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a empresa RQ Serviços Aéreos Especializados LTDA, dona do helicóptero, não estava autorizada a fazer o serviço de táxi aéreo, ou seja, a transportar passageiros de forma remunerada. A empresa estava certificada apenas para prestar Serviços Aéreos Especializados, que incluem aerofotografia, aeroreportagem, aerofilmagem.


“Qualquer outra atividade remunerada fora das mencionadas não poderia ser prestada. Tendo em vista essas informações, a Anac abriu procedimento administrativo para apurar o tipo de transporte que estava sendo realizado no momento do acidente”, afirmou a Anac, em nota.


O caso está sendo apresentado ao 46º Distrito Policial (Perus) e os corpos foram levados ao Núcleo de Antropologia do IML (Instituto Médico Legal) Centro. Pelas redes sociais, jornalistas, políticos e celebridades lamentaram a morte de Boechat. A maior parte das referências lembrou o estilo crítico e firme do jornalista. (Do Ver-o-Fato, com informações da Folha de São Paulo)


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