VER-O-FATO: A reunião com Helder Barbalho e o veneno do celular

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

A reunião com Helder Barbalho e o veneno do celular

A foto do governador e seus convidados, após o encontro com jornalistas:

O que aconteceu ontem no começo da tarde, no Palácio dos Despachos, durante reunião-almoço do governador Helder Barbalho com jornalistas, não tem a gravidade que se tenta imputar ao fato. É lógico que o governador foi infeliz. Creio que Helder - movido pelo arroubo da juventude - tenha inicialmente entendido como válido determinar a entrega dos celulares de seus convidados na portaria do Palácio, o que naturalmente revelou-se um equívoco. Afinal, o encontro em si transcorreu de forma aberta, franca, sem a tensão e sisudez que prenunciava.

Tudo começou ainda em uma sala pequena, onde eu me encontrava juntamente com a jornalista Franssinete Florenzano, o eclético Marcelo Marques, o publicitário Guarani Junior, os jornalistas Tito Barata e Miguel Oliveira, além de outros colegas. "Matávamos" o tempo, em animado papo, aguardando a descida de Helder do gabinete para o andar térreo do Palácio, onde ocorreria a reunião.
A assessoria do governo não me falara, ao formular o convite, que haveria um almoço e depois um bate-papo com Helder, que iria apresentar os números sobre a queda da violência no Estado, sobretudo de homicídios e roubos.

À certa altura, entra na sala uma assessora e anuncia que os jornalistas e blogueiros presentes teriam, antes de ingressar no recinto da conversa, que se identificar, desligar os celulares e entregá-los. Protestei imediatamente, o que Franssinete também fez, ela afirmando que aquilo era um confisco inaceitável, pois o celular era seu instrumento de trabalho e comunicação e não iria entregá-lo.

Falei que iria me retirar do Palácio se tivesse que seguir aquela ordem por mim considerada desnecessária e inoportuna. Franssinete também havia tomado a mesma decisão. A assessoria percebeu que aquilo não iria acabar bem. Ponderei ao governador, no momento em que ele passava rumo a outro salão, onde haveria uma reunião de trabalho com técnicos do governo sobre a situação das barragens das mineradoras no Estado, que aquela decisão provocava constrangimento.

Helder respondeu, antes de seguir em frente, que eram normas e que estas devem ser cumpridas por todos. Franssinete e eu reiteramos a intenção de nos retirarmos do local. Sugeri e Franssinete acatou que nós desligássemos nossos aparelhos, mas sem entregá-los. A assessoria do governador e do Gabinete Militar não colocaram nenhuma objeção à nossa recusa de entregar os celulares e permitiram que entrássemos no salão do encontro.

Lá dentro, pelo menos para mim, a supresa: haveria um almoço. Helder chegou minutos depois e pediu que todos se servissem das iguarias do Palácio. Ele saiu e retornou depois que todos haviam almoçado. Não tive a oportunidade de saborear o pantagruélico repasto governamental, pois saira de casa alimentado e sob a espectativa do assunto que seria tratado, pois nada me fora antecipado pela assessoria.

Mal o governador sentou para começar a reunião, a jornalista Ana Célia Pinheiro dirigiu-se a Helder, protestando contra a ordem de entrega dos celulares e sugerindo que a medida fosse revogada, o que Helder acatou prontamente. E não se tratou mais do assunto.

O governador, em seguida, falou sobre os números da Secretaria de Segurança de redução dos crimes de morte e roubos, estabelecendo comparações de janeiro deste ano com o do ano anterior. Os jornalistas fizeram perguntas e questionaram algumas medidas, como a de condecorar policiais que matam criminosos nas ruas. Helder discordou de uma manchete do G1 Pará, portal de notícias que destacara números de roubos na manchete e mencionara redução desse crime apenas no subtítulo.

Em minha intervenção, pedi que a Segup me fornecesse os números dessa queda de crimes para eu compará-los com outros levantamentos nao-governamentais e até do sistema nacional de segurança. Observei a Helder que considerava temerário condecorar policiais militares e civis por bravura e lembrei que isso poderia estimular maus e violentos policiais a saírem matando pessoas, até mesmo inocentes, para merecer a honraria do governador.

Ele argumentou que a distinção por bravura é para quem participa de confronto com criminosos perigosos, ligados ao crime organizado e traficantes, que também têm matados policiais. Quanto à questão dos direitos humanos, que o jornalista Miguel Oliveira havia levantado, ao mencionar casos de policiais executados nas ruas e em seus lares por simplesmente serem policiais, concordei com Miguel, enfatizando que o respeito aos direitos humanos deve ter sua amplitude estendida também aos que arriscam suas vidas para defender a segurança da população.

Fiz questão de declarar que maus policiais, que matam por matar, devem ser tratados como criminosos. Helder concordou, observando que não irá tolerar desvios de conduta. Critiquei a ausência de política de segurança que faça a prevenção ao crime, em vez de apenas reprimir os criminosos depois de os crimes terem sido praticados E assim seguiu a reunião, com perguntas dos jornalistas e respostas do governador.

Até me dispus a apresentar um projeto para reduzir a violência, mas focado não na repressão, e sim na questão social, reclamando de políticas públicas que dêem oportunidade aos jovens, evitando que ingressem nas fileiras da marginalidade e do tráfico de drogas. É uma ideia que nunca tive a oportunidade, como cidadão, e não apenas como jornalista, de apresentar aos governos anteriores. E, com um detalhe: a custo zero para os cofres públicos.

Resumo da opereta que alguns tentam transformar em marcha fúnebre de censura e ataque à liberdade de expressão e informação: o episódio no Palácio dos Despachos é página virada, superado, sem letalidade venenosa. Ao menos para mim.

Não sou herói de resistência, nem guerreiro cabano do jornalismo, como alguns tentam me qualificar nas redes sociais. Estou muito longe disso e repilo tais rótulos. Apenas reagi, do meu jeito, a algo que momentaneamente considerei gravoso .

Sem vitimismo ou heroismo.
            

9 comentários:

  1. Muito bem bem colocado e explicado Carlos.
    Quanto à sua disponibilização de apresentar o seu Projeto, governos inteligentes aceitariam de imediato a sua colaboração.
    Mas...

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  2. Quer dizer que ele não quer que jornalistas utilizem celular? Ele está com medo de quê será?

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  3. Meus parabéns ao governador Hélder, que pela primeira vez um governador chana toda a imprensa paraense, independente se é contra ou favor do seu governo!
    Isso mostra sua nobre personalidade

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  4. Maus um gol de placa,do nosso governador Hélder!
    Parabéns!

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  5. E quem pedirá a condenação do ex governador Tucanalha corrupto Jateve, que pedalou 2016,2017 e 2018 confessado por ele mesmo gerando esse rombo fiscal de 1,5 bilhão nas contas do Estado?

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  6. Há um erro grave quando se tenta desvirtuar a ação dos organismos de direitos humanos, voltando-os para a defesa de policiais. Ora,policiais são membros do corpo armado do estado, matam em nome do estado e devem ser protegidos pelo estado. Nunca pelos direitos humanos, que existem para atender exatamente aquelas pessoas abandonadas pelo estado

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  7. O anônimo das 18:46 não leu a Declaração Universal dos Direitos Humanos para proferir um disparate desses. Direitos humanos não tem cor, raça, religião, opção política ou ideológica.

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  8. Gente não enrolem o Estrangeiro cadê o dialogo sobre o aumento salarial desses coitados Policiais e Bombeiros deste Estado.Cadê excelentíssimo senhor Governador a proposta real do salário o senhor estar agindo como o velho barbudo Jateve,só Alabama ou seja só papo furado,não vá querer superar o exgovernador....Agora faça a coisa direito não der aumento pra Oficial eles já são DAS,o aumento que eu pondero é para praças(soldado à 1° sargento) o resto tão bem na foto que o Jateve cuidou deles muito bem...

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