VER-O-FATO: "O Estado foi criminoso quando desarmou o cidadão sem condições de desarmar o bandido", diz general Santos Cruz

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

"O Estado foi criminoso quando desarmou o cidadão sem condições de desarmar o bandido", diz general Santos Cruz

Santos Cruz: "ou o Estado enfrenta o crime organizado, ou vira criminoso"

O ministro da Secretaria de governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, defendeu a posse de arma pelos cidadãos em entrevista publicada hoje pelo jornal "Valor Econômico". Segundo ele, isso não está relacionado só à segurança pública, mas a um princípio de legítima defesa de liberdade individual. "Da sua liberdade de defender o seu patrimônio e sua vida. Se você for ver o Uruguai é um dos países com o maior índice de posse de arma e um dos menores índices de crime", argumentou.

Santos Cruz afirmou que o Estado foi criminoso quando desarmou o cidadão sem condições de desarmar o bandido. "O bandido que chega no sinaleiro assalta você e tem absoluta certeza de que no carro não tem ninguém armado. Você tem milhares e milhares de armas de guerra no Rio de Janeiro. Hoje o sujeito assalta um carro de pipoca no Rio com um fuzil. Ele atira em você com uma [Browning] ponto 50 que não tem blindagem que segure". Sobre os ataques do crime organizado no Ceará, tentando destruir uma ponte com dinamite, ele disse que isso "é terrorismo".
"Você está destruindo um bem público por onde passam cidadãos que vão pegar ônibus pro trabalho. Tem que parar com besteirada de interpretação e colocar a lei em favor do cidadão e do policial. Incendiar ônibus em qualquer lugar do mundo é terrorismo. Vai incendiar ônibus na França, na Inglaterra, para ver se não é terrorismo. Nós perdemos a noção baseados em falsas premissas. Uma coisa é você defender a dignidade do bandido no momento em que ele está sob a custódia do Estado ou prender o sujeito porque está armado sem autorização. Outra coisa é o cara com um fuzil na porta da favela.”

Para o general, o sujeito que vai combater o criminoso sai tenso e a família fica tensa sem saber se ele vai voltar. Tem que ser zero grau de risco para o policial, e o máximo grau de risco para o bandido. Essa é a regra, por que vai arriscar o policial na mão de bandido que tem a ousadia de ameaçar o governo? De acordo com Santos Cruz, "destruímos o princípio da autoridade cedendo terreno pra esse tipo de organização criminosa. Tem que ir para o confronto e eles vão perder". E resume: ou assume as responsabilidades e enfrenta o crime organizado ou vira um estado criminoso.

Sobre o papel da imprensa no combate à corrupção, declarou que a  maneira mais eficaz, além das medidas de gestão, além do uso da tecnologia no controle dos gastos públicos, é a divulgação, é a publicidade. Tem que divulgar tudo o máximo que puder. Tem que estar aberto para a imprensa, tem que fornecer todos os dados possíveis.

Vigilância às ONGs
Em outra entrevista, desta vez ao G1, ele disse sua pasta de governo vai fiscalizar Organizações Não-Governamentais (ONGs) para "otimizar" o repasse de recursos públicos às entidades. De acordo com o ministro, a ideia é verificar se os trabalhos desenvolvidos pelas ONGs estão cumprindo o papel de complementar ações governamentais. Serão fiscalizadas mesmo aquelas que não recebem dinheiro público.

A primeira medida provisória assinada pelo presidente Jair Bolsonaro assim que assumiu a Presidência atribuiu à Secretaria de Governo a responsabilidade de supervisionar, coordenar, monitorar e acompanhar as atividades de ONGs, assim como ações de organismos internacionais no Brasil. Algumas dessas entidades receberam a medida como uma tentativa de intimidação.

Para Santos Cruz, o objetivo do governo não é interferir nas organizações, mas tornar a relação com o governo mais transparente e garantir o serviço para a população. “O objetivo dessa coordenação é otimizar a utilização de dinheiro público e levar mais benefícios na ponta da linha. Então, não é interferir na vida das organizações, nem restringir nada. Mas como é dinheiro público, tem de ter transparências, tem de ter resultados”, afirmou o ministro.

Santos Cruz disse que, incialmente, a Secretaria de Governo vai fazer um levantamento do número de ONGs em atividade no país e o campo de atuação de cada uma. Num segundo momento, de acordo com o ministro, será feita uma avaliação sobre a efetividade das ações prestadas pelas ONGs.

“Os processos de verificação já são estabelecidos pela CGU [Controladoria-Geral da União], pelo TCU [Tribunal de Contas da União] etc. E aí você tem que acompanhar para ver, principalmente, o resultado e a transparência disso tudo, porque no final do filme é dinheiro público. Se está compensador ou não, se dá para melhorar”, explicou o ministro.

Articulação política

Santos Cruz afirmou ainda que não guiará sua gestão à frente da pasta com base no “toma la dá cá” – a troca de apoio no Congresso por cargos na administração pública. Criada em 2015, no governo Dilma Rousseff, a Secretaria de Governo atuava na interlocução do Palácio do Planalto com movimentos sociais, além de ser responsável por algumas atribuições do atual Gabinete de Segurança Institucional e da extinta Secretaria de Micro e Pequena Empresa.

Em 2016, no governo Michel Temer, passou a ser o órgão responsável pela articulação política do Palácio do Planalto com o Congresso Nacional. “O toma lá, dá cá que eu vejo, vocês falam e eu até evito de utilizar, é aquele de favores pessoais. De quebrar o galho do filho, do amigo, do não sei mais quem, dá cargo aqui e ali. Realmente não é a nossa orientação”, disse o ministro.

Para Santos Cruz, a prática de trocar cargos por apoio tirou a "nobreza" da política e gerou os escândalos recentes no país. “O que tirou a nobreza da política foi o que você falou, o toma lá, dá cá. E isso aí inviabiliza a aplicação da política pública, porque começa a diluir recursos, a diluir influências e quem sofre no fim do filme? A população. O benefício não chega lá na intensidade que deveria chegar. E aí você tem esta tonelada de escândalos que nós vivemos nos últimos sete, oito, dez anos exatamente por causa disso”, declarou.

O ministro disse ainda acreditar num bom relacionamento com Congresso, que saiu renovado das eleições neste ano. A Câmara teve a maior renovação dos últimos 20 anos: 47%. Dos 513 eleitos, 243 deputados são de primeiro mandato. Já no Senado, das 54 vagas que estavam em disputa, 46 serão ocupadas por novos nomes. Foi a mais ampla renovação da Casa Legislativa desde a redemocratização do país.

“É uma turma nova que vem com tudo. A gente não pode achar que pela média mais baixa de idade... não é nada disso. O cara vem com criatividade, com ideia nova, com energia, é uma outra dinâmica”, afirmou o ministro. “Vejo o Congresso agora, nesta renovação, um equilíbrio muito bom entre a experiência de pessoal e esta turma nova. Eu sou fã desta renovação”, completou.

4 comentários:

  1. Dizer que um fascista é antissistema é no mínimo absurdo, embora compreensível para o modelo de entrevistado e programa!
    Lamentável!

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  2. Então general, a solução para combater a criminalidade é armar todo mundo?
    Me compra um bode, um general!
    Agora vocês não querem dar educação, saúde,emprego, saneamento básico e outros serviços essenciais para nosso povo, porque são contra a inclusão social mantida pelo governo do PT e querem armar a população?
    Vocês merecem é ser fuzilado em praça pública!

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  3. Vejam só a política de segurança do presidente facista, que ao invés de fazer políticas de inclusão social,dando educação, saúde e qualidade de vida para o povo, prefere armar a população.E o pior de tudo que ainda sim, é apoiado pela própria imprensa escrita e falada.
    O povo precisa se juntar e começar a ir para as ruas de nosso país!

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  4. É só quatro anos,passa rápido,agora vamos assistir o nosso Presidente trabalhar,fora tudo pode,vamos ver dentro quando os problemas,lembrando que as Forças Armadas,jamais será Contra a Pátria e nunca será a favor de política e nem de interesse próprio de governante ,e de partido,

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