VER-O-FATO: Gabinete de Flávio Bolsonaro empregou mãe e mulher de PM suspeito de comandar milícia

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Gabinete de Flávio Bolsonaro empregou mãe e mulher de PM suspeito de comandar milícia

Flávio Bolsonaro dá suas explicações, mas será que convence?
O deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) empregou em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) a mãe e a mulher do capitão da Polícia Militar Adriano Magalhães da Nóbrega, alvo de um mandado de prisão acusado de comandar uma milícia no Estado. Nóbrega está foragido. 
A Assembleia do Rio informou que a mãe do capitão da PM, Raimunda Veras Magalhães, trabalhou no gabinete de Flávio de 11 de maio de 2016 até 14 de maio de 2018 - Raimunda aparece no relatório do Coaf por ter repassado R$ 4.600,00 para a conta do ex- assessor de Flávio Fabrício Queiroz. Já a mulher de Nóbrega, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, por sua vez, foi nomeada em 6 de setembro de 2007 e exonerada e 14 de novembro de 2018. Ambas pertenciam à categoria CCDAL-5 (com salário de R$ 6.490,35). 

Uma força tarefa da Polícia Civil do Rio e do Ministério Público do Estado cumpriu na manhã desta terça, 22, 13 mandados de prisão contra apontados por prática de milícia que atuam na zona oeste do Rio. Eles são acusados de grilagem, construção, venda e locação ilegais de imóveis, receptação de carga roubada e extorsão, dentre outros crimes. 

Flávio homenageou Nóbrega e outro PM (o major Ronald Paulo Alves Pereira) que estão entre os 13 alvos da Operação Intocáveis.  Eles receberam, em 2003 e 2004, na Assembleia Legislativa do Rio, por indicação de Flávio, respectivamente, a Medalha Tiradentes - maior honraria do Estado - e uma menção honrosa, com elogios à sua atuação como policiais. 

Em nota, o filho do presidente Jair Bolsonaro disse que a mãe do capitão da PM foi contratada por indicação de Fabrício Queiroz, investigado criminalmente pelo Ministério Público Estadual após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificar movimentações atípicas do ex-assessor de Flávio.
 
Flávio Bolsonaro ainda afirmou que “continua sendo vítima de uma campanha difamatória com objetivo de atingir o governo de Jair Bolsonaro” e responsabilizou o ex-assessor pela contratação de uma das funcionárias. 

“A funcionária que aparece no relatório do Coaf foi contratada por indicação do ex-assessor Fabrício Queiroz, que era quem supervisionava seu trabalho”, diz Flávio.“Não posso ser responsabilizado por atos que desconheço, só agora revelados com informações desse órgão. Tenho sido enfático para que tudo seja apurado e os responsáveis sejam julgados na forma da lei. 

Quanto ao parentesco constatado da funcionária, que é mãe de um foragido, já condenado pela Justiça, reafirmo que é mais uma ilação irresponsável daqueles que pretendem me difamar. Sobre as homenagens prestadas a militares, sempre atuei na defesa de agentes de segurança pública e já concedi centenas de outras homenagens. Aqueles que cometem erros devem responder por seus atos.” 

Já a defesa do ex-assessor Fabrício Queiroz afirmou, em nota, que “repudia veementemente qualquer tentativa espúria de vincular seu nome a milícia no Rio Janeiro”.  A defesa de Queiroz também reclamou que  dados sigilosos foram obtidos  “de forma ilegal” e de “sua divulgação na imprensa”, em prática que, segundo o advogado Paulo Klein, “constitui verdadeira violação aos direitos básicos do cidadão, como também uma grande desumanidade, considerando seu estado de saúde”. Queiroz se trata de um câncer. 

“De outro lado, (a defesa) registra ainda que embora tenha requerido (ao Ministério Público) em três oportunidades as referidas informações ainda não foram disponibilizadas e para sua total surpresa e indignação vem sendo vazadas diariamente com caráter sensacionalista”, disse o advogado.


Esta é a segunda vez nos últimos meses que policiais denunciados pelo Ministério Público acusados de ligação com o agora senador eleito pelo PSL têm prisão decretada por suposta ligação com milícias. Em setembro do ano passado, o Estado mostrou que outros dois PMs presos haviam trabalhado na campanha dele foram para a prisão, sob a mesma suspeita.  

Na ação desta terça, os denunciados são apontados como integrantes de uma milícia que atua nas comunidades de Rio das Pedras, Muzema e adjacências, todas na zona oeste. Os agentes também estiveram em endereços dos denunciados e de algumas empresas relacionadas ao grupo criminoso. 

Em dezembro passado, o general Richard Nunes, então secretário estadual de Segurança Pública do Rio, revelou ao Estado que milicianos ligados à grilagem de terras e que atuam na zona oeste da capital haviam ordenado a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL). No crime, ocorrido em março, morreu também o motorista Anderson Gomes. Fonte: Estadão.

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