VER-O-FATO: Com 37 mortos e mais de 250 desaparecidos em Brumadinho (MG), há risco de rompimento de outra barragem

domingo, 27 de janeiro de 2019

Com 37 mortos e mais de 250 desaparecidos em Brumadinho (MG), há risco de rompimento de outra barragem


O risco de rompimento da barragem da represa da mina de Brumadinho passou de nível 1 para 2 às 4h da madrugada deste domingo, quando o sonar instalado no local detectou movimentaçao anormal na área. O tenente-coronel Flávio Godinho, da Defesa Civil de Minas Gerais, informou que, embora a quantidade de água e terra seja menor do que a da primeira barragem, ela descerá “sem freio”, com velocidade a alcance maior. 

Moradores de todas as partes baixas de Brumadinho estão sendo retirados de suas casas desde 5h30m desta madrugada, quando sirenes soaram na cidade . Quem não for para a casa de amigos e parentes poderá ser encaminhado a escolas do município. Há um risco real de rompimento da barragem da represa, que chama-se B6. A água não tem freio agora. 

Quando romperam as barragens da mina do Córrego do Feijão, as próprias instalações da Vale serviram como freio, e o rejeito parou. Agora, não se sabe o alcance - explicou Godinho. Além da represa da mina, o deslizamento de rejeitos da barragem formou uma represa natural no Rio Paraopeba. Com a descida da água da represa, caso ela se rompa, também a barragem natural pode ir abaixo, carregando mais lama a uma distância maior. 

Essa barragem com risco de rompimento é de água e não de rejeito de minério.  O porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, Pedro Aihara, também confirmou que o risco de rompimento existe. "O risco de rompimento realmente existe. A situação em nível dois é caracterizada pelo risco iminente de rompimento e é por isso que, nesse momento, todas as equipes do Corpo de Bombeiros interromperam os trabalhos de buscas que estavam sendo feitos e estão todos empenhados na evacuação da população", disse Aihara.  

Familiares, ativistas e moradores  denunciam o descaso da mineradora Vale  com o atendimento e apoio aos atingidos pelo rompimento da barragem. As principais reclamações são o desencontro de informações e a falta de suporte básico. A empresa diz que já disponibilizou acomodações para mais de 800 pessoas. 

A  Justiça determinou bloqueio de R$ 1 bilhão da Vale  após rompimento de barragem. Após a tragédia em Brumadinho, o gabinete de crise do governo federal  recomendou vistoria em todas as barragens do país  .

Brumadinho recebeu neste domingo reforço da Defesa Civil do Rio de Janeiro para ações emergenciais. Além disso, militares de Israel que ajudarão nas buscas embarcaram para o Brasil. 

Números cruéis

Segundo números divulgados pelo governo de Minas Gerais, até as 9h deste domingo (27) haviam sido encontrados 37 corpos. Oito deles já foram identificados por familiares, segundo a Polícia Civil de Minas. Até o momento, foram resgatadas 366 pessoas (221 são funcionárias da Vale e 145 terceirizados), das quais 23 estão hospitalizadas. Há aproximadamente 250 desaparecidos, de acordo com a Vale. 


A barragem 1, que se rompeu, é uma estrutura de porte médio para a contenção de rejeitos e estava desativada. Seu risco era avaliado como baixo, mas o dano potencial em caso de acidente era alto. 


Uma outra barragem, a de número 6, agora está sendo monitorada a cada uma hora pela Vale, junto com a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros. Bombas estão sendo usadas para fazer a drenagem e reduzir a quantidade de água, evitando novos problemas.

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