VER-O-FATO: Vereadores de Santarém dão golpe na população e entregam Lago do Maicá aos barões do agronegócio

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Vereadores de Santarém dão golpe na população e entregam Lago do Maicá aos barões do agronegócio

O povo queria uma coisa, mas os vereadores decidiram o contrário

Sara Pereira - advogada *

No dia 24 de novembro de 2017, a população de Santarém, representada por uma plenária com mais de 700 pessoas, aprovou a revisão do Plano Diretor, em conferência convocada pelo Executivo Municipal. A votação mais emocionante foi sobre a questão portuária. Uma proposta apresentada por representantes do agronegócio reivindicava a área do Lago do Maicá para construção de portos graneleiros.


Outra proposta , defendida pelos movimentos sociais, priorizava o Lago do Maicá como área para pesca artesanal, para o desenvolvimento de turismo de base comunitária e para embarque e desembarque de embarcação de pequeno porte das comunidades ribeirinhas. A proposta dos movimentos sociais foi aprovada quase por unanimidade. Foi uma linda festa da democracia. Embalados pelo carimbó, indígenas, quilombolas, pescadores, juventude, estudantes, professores, mulheres, trabalhadores urbanos, agricultores familiares celebraram essa importante conquista no jogo democrático.

Depois disso, o texto do projeto seguiu para a Câmara de Vereadores para ser transformada em lei. Passou-se mais de um ano sem que a Casa Legislativa votasse o projeto. Os movimentos sociais foram por diversas vezes à Câmara cobrar a tramitação e aprovação do texto aprovado pela população em Conferência. Nunca obtiveram resposta.

Surpreendentemente (sqn), ontem a Câmara aprovou o texto de revisão do Plano Diretor, contrariando a decisão da população na Conferência de novembro do ano passado e definiu a área do Lago do Maicá para a construção de portos graneleiros, atendendo aos interesses do agronegócio. Golpearam a disputa democrática. Feriram a organização, mobilização e participação popular nos destinos do município. Traíram a decisão do povo. E agora?

Para que serve a participação popular? Gestão democrática? Para quê, se o que vale é o loby de quem financia as campanhas dos vereadores? As comunidades quilombolas, indígenas e pescadoras da região que se explodam, porque os nobres parlamentares santarenos estão bem confortáveis com as recompensas dos seus trabalhos.

O patrimônio ambiental, paisagístico e cultural que representa o Lago do Maicá para Santarém que se dane, porque o que importa mesmo é atender aos interesses dos donos do poder.

Estou fora de Santarém nesse momento e estou tomada de indignação ao saber de mais esse golpe que a Câmara Municipal deu na população, especialmente de todos que integramos os movimentos sociais, que tanto lutamos em favor de nossos direitos, da preservação dos nossos bens comuns e dos nossos modos de vida.

Vereadores de Santarém são representantes de quem? do povo mocorongo ou dos oportunistas saqueadores do agronegócio?

* Sara Pereira é educadora e advogada da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE)

3 comentários:

  1. Bandidos terão um natal generoso, mas por certo em 2020 a população dará o troco aos marginais. Pode acontecer do Moro colocá-los atrás das grades antes, o que seria muito bom.

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    1. Eu ia amar se esse bando de fdp desgraçados come merda de oportunistas fossem parar á trás das grades

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  2. As comunidades devem se reunir, e formalizar denúncia no Ministério Público, exigindo providências tempestivas.

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