VER-O-FATO: POLÊMICA - Estudo sobre Corais da Amazônia é falso, dizem especialistas; Greenpeace condena exploração de petróleo na área

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

POLÊMICA - Estudo sobre Corais da Amazônia é falso, dizem especialistas; Greenpeace condena exploração de petróleo na área

Na sede da Fiepa, pesquisadores afirmam que exploração é viável
Uma das fotos do Greenpeace: corais maiores que o estado do Rio de Janeiro


Pesquisadores, empresários, forças armadas e demais membros da sociedade civil reuniram-se na manhã desta quarta-feira (05), na Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), para discutir a questão do entrave em torno da liberação da exploração de petróleo na costa norte do Brasil, que beneficiaria o Estado do Pará. Os blocos de exploração foram adquiridos por meio de leilão, em 2013, por empresas estrangeiras, que aguardam licença do Ibama para iniciar os processos.


Contrária a exploração na região, a organização não-governamental Greenpeace lidera um grupo de ativistas que afirma que a operação pode causar impactos reais aos Corais da Amazônia, que a ONG diz existir. A reunião da FIEPA, porém, teve como objetivo comprovar a falsidade do estudo defendido pela Greenpeace e que a exploração do petróleo é viável e fundamental para o desenvolvimento econômico da Amazônia. O encontro foi promovido pelo Centro das Indústrias do Pará (CIP), Associação Comercial do Pará (ACP) e Sistema FIEPA.

O doutor em Geologia Marinha e professor da UFPA, Maamar El-Robrini, apresentou um estudo aprofundado de nossa plataforma marinha e defendeu que os trabalhos de campo feitos por instituições e profissionais, registrados em instituições oficiais, devem ser levados em consideração. Para ele, não existe comprovação científica no trabalho defendido pela Greenpeace. “O estudo apresentado por estes pesquisadores não é conclusivo, é muito frágil, superficial. É preciso entender o meio oceânico como um todo, e muitas variáveis não foram consideradas. Para a tomada de decisões é preciso verificar os estudos oficiais, que é sólido e aprovado por profissionais sérios. O que a Greenpeace apresenta não pode ser considerada uma situação fechada”, diz Maamar.

O também pesquisador, Luis Ercílio, foi enfático ao afirmar que “o estudo apresentado pela Greenpeace é um amontoado de ideias e de trabalhos sem comprovação científica” e que “nossos órgãos de controle e nossa justiça não podem levar em conta pesquisas não oficiais”.

Segundo o presidente da Associação Comercial do Pará, Clóvis Carneiro, a pesquisa defendida pela Greenpeace é falsa e interfere no desenvolvimento da Amazônia. “A exploração do petróleo geraria algo em torno de R$ 200 milhões por ano para os municípios de Chaves, Soure e Afuá, que é um dos mais miseráveis do mundo. Com este recurso, teria a possibilidade de financiar o seu desenvolvimento. Então, toda a cidadania fica prejudicada por causa desta intervenção política baseada num fato científico mentiroso”, diz o presidente.

Os blocos para exploração do petróleo foram adquiridos por uma empresa estrangeira em 2013, num leilão da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Estima-se que a região da Bacia da Foz do Amazonas armazene até 14 bilhões de barris de petróleo. O Almirante da Marinha do Brasil, Edervaldo Teixeira de Abreu Filho, defende a exploração do petróleo e diz que a soberania do Brasil precisa ser respeitada. “A Marinha do Brasil, entre outros feitos, foi o primeiro país do mundo a apresentar o levantamento de toda a plataforma continental na ONU. Isso mostra que temos expertise e estamos dizendo que não há problema em explorar petróleo nesta região costeira. O que estão fazendo com o Pará e com o Amapá é um absurdo. Quem é Greenpeace diante da soberania do Brasil? Bateram uma foto lá não sei de onde e pararam tudo. Não podemos deixar de desenvolver nosso país com ações deste tipo”, enfatiza o Almirante.

Já para o presidente do Centro das Indústrias do Pará (CIP), José Maria Mendonça, o país perde credibilidade quando aprova e, depois, desaprova a atuação de investidores, o que afeta profundamente o Pará. “Nesta reunião ficou provado que o que a Greenpeace está fazendo é um fake científico, é por uma motivação ideológica. O CIP estuda uma ação civil pública contra as entidades que vem na Amazônia espalhando mentiras, cujo único objetivo é travar nosso desenvolvimento, esquecendo que o maior inimigo do meio ambiente é a miséria”, finaliza Mendonça.
O que diz o Greenpeace 

Uma das características mais marcantes dos Corais da Amazônia é sua rica biodiversidade. Isso vale tanto para os seres que formam o recife (esponjas-do-mar, rodolitos e corais) quanto para os peixes e outras espécies que circulam pela região e têm no recife um importante local para se abrigar, se alimentar e se reproduzir.

Esse recife é como um ponto de encontro de muitas espécies que vêm de diferentes (e opostos) locais do oceano. Prova disso é um artigo publicado em abril chamou os Corais da Amazônia de “corredor de biodiversidade“. Foram encontrados ali tanto espécies de peixes que são originários do sul do oceano Atlântico quanto do Caribe. O artigo foi resultado dos estudos feitos na primeira expedição que o Greenpeace fez aos Corais da Amazônia, em 2017.

Como a existência dos Corais da Amazônia foi confirmada só em 2016, ainda há muito ali para ser estudado. Ainda assim, os números sobre a biodiversidade que habita ali são impressionantes: Existem ali pelo menos 40 espécies diferentes de corais, como corais-negros e corais-moles.

Sobre as esponjas-do-mar são pelo menos 60 espécies por ali, algumas delas de até 2 metros de altura! E dessas 60, é possível que 29 sejam totalmente desconhecidas pela ciência até hoje. Estamos diante de possíveis novas espécies que podem – e devem – ser estudadas.

Na expedição científica que fizemos este ano, a bordo do navio Esperanza, encontramos uma formação recifal de muitas, muitas esponjas-do-mar. Os cientistas disseram que podemos chamar aquela área de “recife de esponjas”. Algumas imagens que fizemos mostram até seis espécies diferentes juntas.

Na expedição de 2017, vimos três peixes-borboletas que, segundo os cientistas que estavam conosco, têm potencial de serem novas espécies. Não foi possível identificá-los apenas pelas imagens e, para provar se são espécies novas ou não, precisaríamos de amostras dos DNA desses bichos.

Cientistas estão estudando as bactérias encontradas na água e nos Corais. É possível que ali existam novas espécies que podem, inclusive, ser usadas na fabricação de remédios. Por isso, os cientistas estão chamando os Corais da Amazônia de “farmácia submarina”.

A riqueza de vida também é provada pelas 73 espécies de peixes típicos de recifes, além de lagostas e estrelas-do-mar.
Toda essa vida marinha habita uma região que era considerada inóspita e improvável permitir a existência de um recife. Por isso, os Corais da Amazônia são verdadeiros vencedores e muito especiais.

Só que, infelizmente, toda essa riqueza está ameaçada pela exploração de petróleo. A empresa francesa Total pretende perfurar a região próxima aos Corais da Amazônia para buscar petróleo. Por isso, estamos há mais de um ano defendendo esse ecossistema e exigindo que a Total desista desse plano e fique longe dos Corais da Amazônia. (Thais Herrera, do Greenpeace)

2 comentários:

  1. Quanto menor o desenvolvimento socioeconômico, maior a degradação ambiental. A pior poluição é a POBREZA!!!

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  2. Beneficiar o Estado do Pará em que? O dinheiro vai para as mãos de poucos e a merda fica para o povo. Assim como acontece com as mineradoras.

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