VER-O-FATO: Mentiras em matérias pagas da Hydro e Agropalma nos jornais deste domingo: cadê a verdade escondida do povo do Pará?

domingo, 16 de dezembro de 2018

Mentiras em matérias pagas da Hydro e Agropalma nos jornais deste domingo: cadê a verdade escondida do povo do Pará?

Duas empresas gigantes que atuam no Pará -  a Norks Hydro e a Agropalma - devedoras de explicações convincentes ao povo deste Estado e também à Justiça pelos crimes ambientais, sociais e ocupação ilegal de terras públicas e privadas, desfilam autoelogios e maravilhas em três páginas inteiras pagas na edição deste domingo do jornal "Diário do Pará", da família Barbalho. Em "O Liberal", dos Maiorana, a Hydro aparece em duas páginas.

Nada a opor à necessidade de faturamento comercial dos dois jornais. Eles estão na deles. Diferente do que ocorre na abordagem jornalística desses grupos de comunicação sobre os graves problemas que envolvem as duas empresas, onde o tratamento próximo de zero. Lógico que a população que compra ou lê "O Liberal" e "Diário do Pará", fica privada de saber o que ocorre. Nos dois casos, o interesse comercial esmaga o direito dos leitores de ser informados. 

Nas páginas pagas da Hydro e Agropalma deveria existir uma tarja de "informe publicitário", para que os leitores soubessem que as matérias e fotos exibidas não foram produzidas por repórteres e redatores, nem editadas por jornalistas das duas redações. Essa prática, porém, se perpetua há décadas na imprensa paraense, confundindo os leitores. As matérias pagas se misturam com reportagens e notícias produzidas pelas redações das empresas jornalísticas.

O elogio da mentira

No caso da Hydro, as duas páginas chegam a divulgar mentiras cabeludas e descaradas: a primeira, de que "mais de 90 investigações  e inspeções por autoridades do Ibama, Semas, Defesa Civil e Semade (esta, de Barcarena), confirmaram que não houve vazamentos ou transbordamentos dos depósitos de resíduos de bauxita da Hydro Alunorte". 

O segundo embuste é dizer que "as comunidades estão ainda mais seguras", e que para "fortalecer a relação de confiança, o plano de atendimento à emergência foi aprimorado e os canais de comunicação com a população, fortalecidos". A Hydro não diz uma linha sequer sobre laudos do Instituto Evandro Chagas e do Laquanam, da UFPA, que atestaram contaminações das aguas e das pessoas por metais pesados e cancerígenos.

Basta ir às 70 comunidades da região de Barcarena e Abaetetuba afetadas pelas contaminações oriundas do despejo criminoso e confessado pela própria Hydro, dos rejeitos de bauxita nos rios, igarapés e poços artesianos - de onde a população tirava água para beber, cozinhar e tomar banho - para ouvir relatos dramáticos de graves prejuízos à saúde, ao trabalho de pescar e plantar, além de outras atividades comerciais, inclusive o turismo. Até a água mineral distribuída é racionada e só atende a uma pequena parte do povo.

As mentiras da Hydro tem pernas curtas e são desmoralizadas pelos fatos. Mas ela prefere sonegar isso em suas matérias pagas de centenas de milhares de reais à imprensa do Pará. Em vez de produzir o efeito almejado - a simpatia do povo paraense - essas matérias provocam reações de raiva e nojo em quem as lê.

O grilo falante da Agropalma

Por sua vez, a Agropalma - acusada de beneficiar-se de fraudes em documentos públicos, grilagem de terras e registros fraudulentos de imóveis, até mesmo utilizando-se de uma cartório "fantasma" chamado Oliveira Santos, para apropriar-se de 107 mil hectares, ou mais, de áreas públicas do Estado e de particulares -, aparece em página nobre neste domingo do "Diário do Pará", vendendo seu peixe ambiental de empresa preocupada com a preservação de 60 mil hectares das terras que ocupa ilegalmente.

Não diz absolutamente nada aos leitores do jornal sobre as graves denúncias do Ministério Público Estadual e investigação pelo Ministério Público Federal. Também não fala a  respeito das ações de bloqueio e cancelamento de áreas, pela Justiça Estadual - leia-se Corregedoria das Comarcas do Interior -  onde instalou seus projetos de dendê, na vasta região que engloba os municípios do Acará, Moju e Tailândia.

Deveria dizer ao público, por exemplo, que na última quarta-feira,12, durante sessão do Conselho da Magistratura, do TJ do Pará, a desembargadora Nadja Nara Cobra Meda, relatora de um recurso da empresa contra decisão da corregedoria, que manteve bloqueio de 30 mil hectares de terras entre Acará e Tailândia, sequer analisou o pedido da Agropalma. E sabe por que? Porque a Agropalma simplesmente perdeu o prazo, que era de cinco dias, para recorrer contra a decisão de bloqueio das matrículas das terras. 

A decisão da corregedoria do TJ foi tomada no começo de julho passado, mas a empresa só foi recorrer, querendo anular a decisão, no mês de outubro. Ou seja, três meses depois do prazo esgotado. Há uma brocardo jurídico que diz que a lei não protege os que dormem. A Agropalma, por meio dos milionários advogados que ela paga, dormiu e marcou bobeira, perdendo o prazo. Na página deste domingo no "Diário", ela come abio e o engole seco.

Mas aqui, no Ver-o-Fato, a verdade aparece. Veja, abaixo, a decisão da Justiça: 

A ÍNTEGRA DA DECISÃO DO CONSELHO DA MAGISTRATURA

9 comentários:

  1. Prezado Jornalista Carlos Mendes, eu não sou tão otimista assim! O dinheiro, o poderio econômico do Grupo Alfa é muito forte. O poder maçônico também influi. O que passam é não temerem nada, agora, nem mesmo o dano à imagem. Os exemplos estão aí. O Delta Bank já esteve envolvido com o narcotráfico, auxiliou dezenas (ou centenas) de políticos, agentes públicos e empresários corruptos a desviarem e lavarem dinheiro, inclusive há relatos dos próprios corruptos de que tiverem orientações dos gestores do Delta que como agirem para não serem descobertos. Outra empresa do Grupo - a C&C Casa e Construção faz 18 anos que vêm contornando a Justiça de São Paulo para não assumir os débitos da massa falida da Uemura, a qual ele adquiriu em um processo nebuloso e de forma a fraudar os credores da Uemura (comprou a parte boa e deixou a ruim). Não tenho muita esperança. Muito $$$.

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  2. Agora os dois meios de comunicações irão ficar calados com relação a Hydro e Agropalma. Bico calado. E olha que estamos na época da chuva.

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  3. Além dessa matéria , você comeu abiu e não falou do rombo das contas públicas do pará que ao contrário você postou aqui não está tão bem das pernas, todos os estudos apresentados no site do G1 e Exame, mostram que Hélder vai pegar um Estado em dificil situação econômica, sem falar na onda de criminalidade que assola nosso Estado, que são temas mais importantes e urgentes para que nosso governador tenha condições de solucionar, com o apoio da maioria dos deputados federais, senadores e deputados estaduais, pois o que o governador jateve e sua quadrilha deixaram nosso Estado, Hélder precisará não de um mandato mais de 2 mandatos como governador, pra corrigir o estrago deixado pela quadrilha que acabou com nosso Estado nesses quase duas décadas!

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    1. Duas notícias graves e correligionário fica criando discurso para fugir e esconder os fatos.
      Até pouco tempo o diário culpava Jatene e seu secretariado pelo vazamento da Hydro...Hoje, faz os maiores elogios e afirma categoricamente que NÃO HOUVE VAZAMENTO...
      A Agropalma foi a maior doadora da campanha do Helder...claro que esta doação está travestida de propaganda...mas nada que uma investigação bem feita não descubra.
      Quanto ao Estado falido, acredito que seja verdade, mas tratar de assunto para fugir de outro grave, é erro de quem já começou errado!!!!

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    2. Assim como a Hydro foi a maior doadora do pior governador do Estado do Pará dos últimos tempos o corrupto e cassado Jateve,nas eleições de 2014, quando vergonhosamente nas barbas da justiça eleitoral ele usou a máquina pública e o cheque moradia para ganhar do nosso governador Hélder no segundo,pois aoanhou de Hélder no primeiro turno.E ouvindo o marqueteiro Orly,nesse blog elogiando o patrap dele, nas nem os entrevistadores e nuimu menos ele dusseram um comentário do roubo praticado pelo governo Tucano.Isto é uma vergonha!

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    3. Caro reporter, este último comentário confirmou que a Agropalma foi a maior doadora da campanha do governador eleito, pois ele afirma que a Agropalma é para o Helder como a Hydro foi para o Jatene em 2014.
      O Revoltado só esqueceu que nesta eleição doação de Pessoa jurídica é proibido!!!!
      Lendo estes dois últimos comentários fica evidente 2 lados e nenhuma honestidade.

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  4. Criminalidade, tudo bem, mas o resto é delírio do revoltado anônimo, que anda lendo muito o "Diário" e não diz coisa com coisa, a ponto de defender outro mandato para Helder, quando ele não foi ainda testado nem sobre o primeiro. Dificuldades sempre são repassadas de um governo para outro, mas não no nível alarmista e despropositado com que o revolatdo anônimo tenta criar. Menos, anônimo, menos.

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    1. Prezado Jornalista Carlos Mendes, boa tarde. Li a seguinte notícia "Marcello Brito, diretor executivo da Agropalma, será o novo presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).

      É a primeira vez que a Abag será presidida por um executivo fora do eixo do agronegócio do centro e sul do país e que atua no segmento de óleos e gorduras vegetais. Marcello está há 30 anos na área e é um dos responsáveis por alavancar o negócio da palma no Brasil, colocando o país na lista dos maiores produtores globais. Seu mandato na Abag terá duração de três anos. “A minha principal missão é seguir trabalhando fortemente pela competitividade da agroindústria brasileira”, afirma Brito. A entidade é também responsável pela realização do Congresso Brasileiro do Agronegócio, que ocorrerá em agosto de 2019."

      Faz sentido? Abraço.

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    2. Prezado Jornalista, de fato a Empresa e o Grupo Econômico da qual ela faz parte, não se importam com essa situação, haja vista que um dirigente é nomeado para uma representativa associação. Um outro do Banco Alfa é nomeado conselheiro da Caixa Econômica Federal. De prático, as pendencias rolarão por mais 20 ou 30 anos. Se o bloqueio impede a captação de recursos públicos (BNDES por exemplo). O Dono tem o Banco Alfa e o Delta Bank. Estou errado? Abraço e parabéns pelo corajoso trabalho.

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