VER-O-FATO: Debates sobre mortalidade neonatal e infantil no Pará começam amanhã e vão até dia 15

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Debates sobre mortalidade neonatal e infantil no Pará começam amanhã e vão até dia 15

Vilma Souza preside jornada de pediatria
A mortalidade infantil expressa a condição de desenvolvimento humano de uma nação no tocante às condições sociais, econômicas e educacionais de sua população, que reflete o investimento em qualidade de vida, perpassando por condições de saneamento adequado, moradia e emprego para população. Esses indicadores refletem o nível de investimento dos gestores de todas as esferas em sua realidade.

A taxa de mortalidade infantil, usada pelos organismos internacionais, acompanha essa realidade no mundo, considerando o maior desafio dos países em desenvolvimento. Dados do IBGE, registra que de 1998 a 2005, a mortalidade infantil caiu de 33,5 /1000 para 14/1000 em 2015. Porém, existem as diferenças regionais no Brasil. No Pará, a mortalidade infantil está em torno de 16,1 /1000. O componente neonatal permanece em torno de 11 /1000. Na mortalidade neonatal, ocupava o 6º lugar, e o 11º, na mortalidade infantil.

É um esforço de todos, da sociedade, das entidades de saúde, dos órgãos de controle social acompanhar e cobrar investimentos em saúde, educação, saneamento e moradia como melhorias da condição de vida, com recursos que garantam acesso à saúde de qualidade em todos os níveis de atenção à saúde, seja público ou privado.

O tema da mortalidade infantil abrirá a Jornada e o Simpósio de Pediatria Neonatal, que acontecerá de amanhã,13, até o dia 15, em Belém, com apresentação de estudiosos e profissionais das instituições públicas no Pará. O evento ocorrerá no auditório do hotel Radisson Maiorana.

Sobre o assunto, a médica Vilma F. Hutim G. de Souza, especialista em pediatria, neonatologista, perinatologista e psicóloga clínica, além de presidente da Jornada de Pediatria Neo Natal, concedeu a seguinte entrevista:

Como o estado vem tratando a questão nos últimos cinco anos?

O Estado tem investido em capacitação de profissionais de saúde que atuam nas unidades básicas de saúde, atenção ao parto e leitos especializados. Além de acompanhar e promover ações que garantam a prevenção da nutrição das crianças, aleitamento materno, prevenção de agravos, violência e acidentes.

Como os profissionais de saúde têm resolvido ou debatido o assunto no seu espaço de trabalho?
Solicitando capacitações em saúde, e também condições adequadas de trabalho e infraestrutura para o atendimento à saúde.

As estatísticas indicam nos últimos cinco anos crescimento ou redução nesses indicadores?

A mortalidade diminuiu de em média 26% para 16,1% em 2017. Porém, a mortalidade neonatal diminuiu lentamente de 12 %. para 10,2 %.

Há disponibilidade de recursos para o combate à mortalidade infantil?
Sim, a sociedade, enquanto associação da criança e adolescente, promove junto aos órgãos governamentais e de controle social, disponibilidade técnica para capacitações de profissionais que atendam as crianças desde atenção básica até os serviços hospitalares. São ações como Aidpi, neonatal, da criança, condições adequadas de transporte, atendimento adequado aos recém nascidos nas maternidades, bem como emergência pediátrica para profissionais que atuam em pronto atendimento. Os recursos devem ser aplicados a nível das melhorias nas condições de vida, como saneamento básico, emprego, moradia, programas de saúde disponíveis para toda população, como equipe saúde da família, especialidades básicas, medidas de prevenção e promoção da saúde, como vacinação. Além dessas medidas, disponibilidade de equipe de saúde para atenção básica, com pré natal adequado, maternidades e serviços especializados disponíveis para tratar necessidades da sociedade.

Que propostas serão apresentadas no encontro para mudar essa realidade?

Esse evento promoverá atualizações para os profissionais de saúde melhorarem sua atuação no atendimento da criança e adolescentes, tanto a nível hospitalar como na atenção básica. Será ainda discutida a situação da formação do pediatra nos programas de residência do Estado do Pará.

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