VER-O-FATO: Vulgarização de honra ao mérito virou febre em órgãos públicos do Pará

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Vulgarização de honra ao mérito virou febre em órgãos públicos do Pará

Milton Nobre: "não se pode sair medalhando todo mundo"

Na última reunião do Conselho da Magistratura, do Tribunal de Justiça do Pará, no dia 14 passado, o desembargador Milton Nobre fez duras críticas à vulgarização que tomou conta do TJ na concessão da Ordem de Mérito, uma honraria que foi criada pelo próprio Milton para distinguir pessoas com relevantes serviços prestados ao Estado ou ao próprio Tribunal.

Milton aproveitou a reunião do Conselho da Magistratura para anunciar que o presidente do TJ, desembargador Ricardo Nunes, havia encaminhado uma "orientação corretíssima", de deixar a escolha da Ordem do Mérito ser decidida pelo próprio Conselho da Magistratura. E por que? Milton responde: "porque foram pedir indicações para cada gabinete de desembargador, e aí deram 30 e tantas medalhas, e a imprensa sentou o ferro no Tribunal".

Milton disse que na hora que leu a crítica na imprensa “ficou triste”, porque foi ele quem criou a honraria e ela estava sendo “pulverizada”, pois não se destina a isso. E lembrou que existe uma outra medalha, a "Ermano do Couto", que visa premiar servidores do TJ. Mas o que estava acontecendo? A honraria se transformou "em medalha da Coordenadoria Militar".

“Quando iam dar a medalha era para capitão, major, tetetê, não sei o quê, mas para servidores, não. Então, eu disse para o desembargador Ricardo: eu acho que você está com a razão. Peça indicação para a medalha "Ermano do Couto", e ao colega que tem alguém que preenche as condições para receber a Ordem do Mérito, alguém com notórios serviços prestados ao Estado ou ao Tribunal, um professor renomado”, disse Milton, para quem os ritos e a história do TJ precisam ser preservados.

O que há, hoje, no Tribunal, é que assessor de gabinete recebe a Ordem do Mérito. Para Milton, a honraria não foi criada para “sair medalhando todo mundo, senão a imprensa vai continuar batendo na gente”. O recado foi dado. Com a ênfase característica de Milton Nobre, um magistrado de grande respeitabilidade entre seus pares.

Mas não é somente do TJ do Pará que essa vulgarização de honrarias tornou a premiação destituída de significado. Na Assembleia Legislativa, por exemplo, virou regra.

Qualquer um, bastando ser amigo de deputado, cabo eleitoral ou assessor, já adquire a condição sine qua non para receber medalha. Nos Tribunais de Contas, isso virou quase doença. Até quem já teve contas reprovadas foi agraciado. Uma farra. Autêntica desmoralização da honraria.

É a enfermidade do mérito. Que já foi mais sadio e verdadeiro em outros tempos. No TJ, pelo menos, surgiu a tentativa de corrigir o descaminho.

5 comentários:

  1. Carlos Mendes sem falar que esse nosso tê-jóta não tem lá muita credibilidade. Vide os fatos...

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  2. E o TCM/ PA que concede medalhas e selo de bom gestor para quem está envolenvolvido em corrupção, uma vergonha!

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  3. Vou completar 31 anos de serviços ao TJ e nunca fui agraciado com uma medalha, enquanto isso, servidores com dois, três anos de serviço já o foram. Simples assim!!

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  4. Muito amoroso ,parcial e politico

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  5. Deveria te o prêmio "TROFÉU PEROBA" para todos.

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