VER-O-FATO: O Paysandu e os outros, quem escapa do rebaixamento? Entrevista exclusiva com o "Sobrenatural de Almeida"

sábado, 24 de novembro de 2018

O Paysandu e os outros, quem escapa do rebaixamento? Entrevista exclusiva com o "Sobrenatural de Almeida"



A resposta para a pergunta que se recusa a calar e grita a plenos pulmões: afinal, o Paysandu escapa do rebaixamento e se mantém na Série B, nesta tarde de sábado? Quem se manifesta, nesta entrevista exclusiva, é o Sobrenatural de Almeida, personagem criado pelo jornalista e escritor Nelson Rodrigues. O Sobrenatural de Almeida é o habitante de um reino que não pode ser compreendido pelos mortais comuns.



Ele também pode ser definido como o imponderável, inacreditável, inexplicável e inusitado. Interfere nos resultados da vida e isso inclui o futebol, com sua magia, encantos e desencantos. Vamos à entrevista, com revelações estarrecedoras sobre o jogo de hoje, do Paysandu contra o Atlético Goianiense e também sobre os outros jogos de clubes como CRB, Oeste e Criciuma, cujos resultados, no mesmo horário do jogo do Paysandu, podem influenciar na permanência do Papão, desde que este, é claro, vença a partida na Curuzu.

Repórter - O Paysandu vence o jogo de hoje? Qual o placar?

Sobrenatural de Almeida - É claro que vence. Vou estar sentado nas traves da Curuzu, ajudando na tarefa de empurrar a bola para dentro do gol do Atlético. O primeiro mandamento para escapar da degola é vencer, e vencer bem. O placar eu não sei, mas vou estar atento ao comportamento do time dentro de campo. Os jogadores já esgotaram suas cotas de erros neste campeonato. No curso normal das coisas eu não me meto. Cometeu pixotada, pagará por ela.

Repórter - Como assim, explique isso. Não entendi.

Sobrenatural de Almeida - O goleiro já tomou frangos que daria para montar uma granja. Os zagueiros já fizeram muita burrada, entregaram jogadas fáceis, que levaram os torcedores à loucura e ao desespero. O time foi um saco de pancadas nesse campeonato. O ataque foi de uma ineficiência criminosa. Errar de novo, logo hoje, seria pedir para ser enterrado vivo. Isso não vai acontecer.

Repórter - Quer dizer, então, que os torcedores que vão superlotar a Curuzu podem acreditar na permanência do time na Série B?

Sobrenatural de Almeida - Olha, vou te dizer uma coisa: o torcedor do Paysandu é único, não tem igual neste ou em qualquer outro mundo. Ele já viu o time virar partidas perdidas, graças à energia que vêm das arquibancadas. É um negócio que nem eu, que lido com as forças sobrenaturais, consigo explicar. Aliás, o Paysandu nasceu 40 segundos antes do Big Bang, a grande explosão que deu origem aos 400 bilhões de galáxias que temos hoje.

Repórter - Mas o Paysandu e seus torcedores não passam de um grotesco grão de areia nesses multi-universos com seus bilhões de galáxias.

Sobrenatural de Almeida - Você está enganado, meu caro. Pois é exatamente nisso que reside o mistério e a força telúrica da torcida do Paysandu. A força de um grão de areia pode mover a Terra, o Sol, os planetas. Não fosse isso, o futebol não teria a menor graça. Seria um jogo ridículo, sonolento, de 22 patetas correndo atrás de uma ridícula bola, monitorados por um imbecil com apito na boca e dois idiotas nas laterais com bandeirinhas nas mãos. Tudo para enfiar a bola dentro de um buraco cercado por três paus e uma rede. Tem coisa mais patética?


Repórter - Sabe, eu nunca havia pensado nisso.

Sobrenatural de Almeida - Lógico, você não passa de um ignorante. Não tem capacidade sequer de imaginar os jogos do CRB, do Oeste, e do Criciuma, na mesma hora em que o Paysandu estiver sofrendo nas mãos do Atlético Goianiense.

Repórter - Agora me deu medo. Sofrendo, como? O time vai de novo fazer a gente comer as unhas, as pontas dos dedos, arrancar os cabelos, chutar o balde de cerveja?

Sobrenatural de Almeida - Mas é claro que vai. Não existe vitória sem sofrimento, nervos à flor da pele, coração quase saindo pela boca, jogador xingado, sangue e suor misturados na camisa alvi-celeste. Nada é fácil para o Paysandu e seu torcedor. É daí que surgem as grandes alegrias, ou tristezas. Depende muito da alma, na hora do jogo.

Repórter - E o que o torcedor deve fazer para o time realizar o papel dele dentro de campo e escapar desse maldito rebaixamento?

Sobrenatural de Almeida - Gritar, berrar o tempo todo. Mas nada de violência, jogar porcaria para dentro do gramado. É incentivar, levar charanga, soltar o ar dos pulmões, dançar, gritar o nome de quem fizer gol, enfim, jogar junto. E vaiar, vaiar muito, o adversário. A vaia ajuda a produzir erros. E quanto mais o Atlético errar, mais o Paysandu vai acertar e obter a vitória, que virá, repito, com muita raça.

Repórter - O que todos os torecedores querem saber: o Paysandu vence o Atlético, faz a parte dele, mas e os resultados dos outros jogos? O CRB vai perder para o Figueirense? O Criciuma vai empatar ou perder para o Sampaio Correia? O Oeste vai perder para o Boa Esporte? Quero lembrar que Sampaio e Boa Esporte me parecem duas galinhas mortas. Posso pensar assim?

Sobrenatural de Almeida - Já vi que você até pode ser um bom repórter, mas de coisas inexplicáveis, da mão do inusitado interferindo no resultado do futebol, você não entende, não percebe, nem sente nada. É como um burro olhando para um palácio.

Repórter - Então, quer dizer que na minha burrice colossal posso ter a esperança de que os outros vão tropeçar, ou um deles vai perder e favorecer o Paysandu, contribuindo para a permanência do Papão na Série B?

Sobrenatural de Almeida - Tô vendo que você é mesmo uma toupeira ambulante. Mete na tua cabeça, rapaz. A esperança não entrará em campo hoje nos jogos do CRB, Oeste e Criciúma. Só o imponderável salvará o Paysandu. Não trabalho com cálculo, nem matemática, mas se o Paysandu vencer e ou outros três também vencerem, o Paysandu cai para a Série C e vai tomar chope no inferno ao lado do Remo.

Repórter - Pelo amor de Deus, o que o senhor pode fazer pelo Paysandu?

Sobrenatural de Almeida - Já fiz, meu amigo. As três vitórias seguidas, contra Oeste, Guarani e Figueirense tiveram minha ajuda e vou ajudar hoje, novamente. Como já disse, estarei sentado nas duas traves da Curuzu, olhando o jogo e vendo o que poderei fazer. Vocês não me verão, lógico, porque o campo vibratório de vocês é muito atrasado e não permitirá que vocês me vejam. Mas, vou dizer aqui: o time precisa fazer muito, se superar, e vencer bem. Não impedirei erros, mas não os admitirei. Deu pra entender?

Repórter - E nas partidas do CRB, Oeste e Criciúma, o amigo também estará presente, sentado nas traves?

Sobrenatural de Almeida - Claro, seu estúpido. Posso estar em vários lugares ao mesmo tempo. Você disse uma frase que eu não gostei: que o Sampaio Correia e o Boa Esporte, por já estarem rebaixados, são duas galinhas mortas. Pois saiba que no universo do inexplicável, do imponderável, não existe galinha morta, nem ovo morto. Até o Figueirense, contra o CRB, pode surpreender. Bom, deixemos que as coisas aconteçam. Chega, já falei demais. Aguarde e verá.

Repórter - Algo mais a dizer?

Sobrenatural de Almeida - Alea jacta est. Ou seja, a sorte está lançada. No meu caso, o imponderável entra em campo, mais uma vez. E que o Paysandu seja feliz.



Um comentário:

  1. Dessa vez nem o sobrenatural deu jeito nesse time medíocre do papinha! Espero que eles continuem com esse time ano que vem na terceirona pois vai levar muita peia do leão!

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