VER-O-FATO: Negócio obscuro, ostentação e vida de rico: é em Belém que os "artistas" se acabam

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Negócio obscuro, ostentação e vida de rico: é em Belém que os "artistas" se acabam

"Marcelo Xará": vida de luxo e carrão importado, em Belém
Certa vez, em conversa com um procurador da República, o repórter do Ver-o-Fato manteve com a autoridade ministerial o seguinte diálogo: 

Repórter - já vistes como tem novo rico em Belém, morando em prédio de luxo?

Procurador - É, já notei isso. De onde vem esse pessoal?

Repórter - Vocês é que tem que me responder. O que sei é que algumas figuras surgem da noite para o dia na cidade, ostentando coberturas luxuosas, carrões do ano, dão festões e torram dinheiro. Isso não é lavagem?

Procurador - Pode ser.  É gente que mora aqui, mas suas contas habitam paraisos fiscais, ou é lavagem de dinheiro do crime organizado, tráfico de drogas, de armas, de pessoas. Tem que investigar.

Repórter - E por que vocês não investigam? 

Procurador - Não é fácil como imaginas. Tem que ter a suspeita de que algum crime esteja em andamento para investigar. Levantar informações na Receita Federal, no Banco Central, Junta Comercial, etc. Uma denúncia fundamentada, mesmo anônima, já ajuda bastante. Pode ser o fio da meada que às vezes a gente tem dificuldade de encontrar.

Repórter - Espero que vocês encontrem esse fio da meada. 

Procurador - Nós também esperamos.

A lembrança dessa conversa, que remonta há uns 10 anos, surge a propósito da prisão, ontem, em um apartamento de luxo, no bairro do Umarizal, de um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho, no Rio de Janeiro, Marcelo Fonseca de Souza, de 47 anos, o "Marcelo Xará".

Policiais do Rio, com apoio da Polícia Civil do Pará, localizaram o criminoso e familiares num apartamento cujo metro quadrado é um dos mais caros da cidade. "Marcelo Xará" morava desde setembro deste ano em Belém. E era daqui que ele comandava a organização criminosa no Rio. Obviamente arrecadando e lavando dinheiro dos crimes.

Nos morros do Engenho e Mangueira, no Rio, ele chefiava um esquema de monopólio da venda de gás de cozinha. Pelo esquema, havia uma empresa de venda de gás, na comunidade do Engenho, em que moradores das comunidades eram coagidos por traficantes armados a comprar gás apenas nesse local, caso contrário, sofreriam retaliações. 

Conforme agentes policiais do Rio, o gás de cozinha era comercializado a preços acima do valor normal de mercado. O delegado paraense Cláudio Galeno explicou que "Marcelo Xará" mudou-se para Belém para "sair do foco" do Rio de Janeiro. Mas era daqui que comandava o crime em terras cariocas.

Um morador do prédio onde vivia "Marcelo Xará" e família, disse ao Ver-o-Fato, pedindo reservas quanto à identidade, que o bandido parecia "gente boa". Falava com vizinhos e porteiros, tratando a todos com respeito. A verdade, porém, é que a casa dele caiu. E logo aqui, em Belém.

Os tempos mudam, mas uma coisa ainda resiste à mudança em Belém: é aqui que os "artistas" se acabam. 



Nenhum comentário:

Postar um comentário