VER-O-FATO: A "Faixa de Gaza" é aqui e a vítima, a segurança pública

terça-feira, 6 de novembro de 2018

A "Faixa de Gaza" é aqui e a vítima, a segurança pública

Passar pela BR-316, neste trecho, à noite, é desafio para corajosos
O cidadão mora em Castanhal, mas trabalha  em Belém. Até aí, nada demais. O problema é a volta para casa, já por volta das 8 da noite. "No trecho próximo da penitenciária de Americano, o medo é de ser assassinado por uma bala perdida, aquilo é um terror noturno", diz o cidadão, que prefere ver o nome preservado, pois é gerente de uma empresa em Belém. 

O carro da empresa faz o trajeto de ida e volta de segunda a sábado, naquilo que o gerente classifica de "calvário cotidiano". Ele se refere à constante troca de tiros - uma rotina macabra, quase todas as noites, nos últimos dias - entre policiais militares e integrantes de facções criminosas mobilizadas para libertar líderes presos no complexo penitenciário. 

Segundo o gerente, os bandidos começam a se reunir mal a noite começa e ficam às vezes até a madrugada, buscando uma falha da segurança para entrar no presídio."Já escapei de levar um tiro na cabeça. A bala entrou no carro pela lateral, deixando eu e o motorista muito assustados", contou ao Ver-o-Fato.

Outros motoristas, inclusive de ônibus e carretas, também já viram a morte de perto. No local, muito escuro, não se sabe de onde a bala procede. Os bandidos atiram na polícia e a polícia atira nos bandidos. Na BR 316, enquanto isso, é um salve-se quem puder.

Moradores da área, acostumados com os tiroteios, chamam de "Faixa de Gaza" o entorno em volta do Complexo de Americano. Faz sentido. Só que a Faixa de Gaza verdadeira é a da guerra interminável entre israelenses e palestinos.  

Já a "Faixa de Gaza" paraense é produto de outra guerra, quase perdida: a da segurança pública, que no governo de Simão Jatene e do PSDB vive nos estertores.

Pobre Pará.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário