VER-O-FATO: Mensagens no WhatsApp: versões peculiares na política, teorias conspiratórias e certezas absolutas

domingo, 21 de outubro de 2018

Mensagens no WhatsApp: versões peculiares na política, teorias conspiratórias e certezas absolutas





A velocidade de disseminação de conteúdo e a falta de filtros que diferenciem com clareza fatos irrefutáveis de notícias falsas tornaram o WhatsApp um fundamental campo de batalha da campanha eleitoral —e um ambiente com pouquíssimas regras. Na última semana, acontecimentos do noticiário político ganharam leituras particulares e, muitas vezes, enviesadas, dentro de grupos formados por apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

De um lado, os militantes do capitão da reserva comemoram, com suas teorias, o desabafo do senador eleito Cid Gomes (PDT) sobre o PT; do outro, os simpatizantes do ex-prefeito de São Paulo ampliaram, também de forma peculiar, a repercussão da reportagem que lançou uma suspeita sobre a atuação de bolsonaristas na veiculação de conteúdo anti-PT.

Segundo matéria de "O Globo", o jornal acompanhou as trocas de mensagens, vídeos, fotos, áudios e links em 369 grupos formados por apoiadores dos candidatos que permanecem na disputa presidencial.

A maior parte do material foi analisada por meio do projeto “Eleições sem Fake”, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que desenvolveu um software que seleciona os conteúdos mais compartilhados em 350 grupos públicos de WhatsApp, de várias colorações políticas. Outros 19 grupos foram analisados diretamente pela reportagem.

Em uma mensagem encaminhada —cuja origem é indecifrável —, um dos 248 integrantes do grupo “Confederação Direita —SP” repercutiu, em tom irônico, a reportagem da “Folha de S. Paulo”, segundo a qual empresários estariam bancando disparos de mensagens no WhatsApp contra o PT: “Vou me entregar à Polícia Federal, pois sou um dos que participam de grupos de WhatsApp com conteúdo a favor de Bolsonaro e anti-PT. Descobri hoje que sou um ‘grande empresário’ e que, ao lado de milhões de brasileiros, estou interferindo nas eleições com o repasse de mensagens em grupos privados de WhatsApp”, escreveu.

Em outra mensagem, no grupo “(CDBr) — Direita17 Sudeste”, uma imagem compartilhada mostra a frase “Haddad está desesperado, tanta gente trabalhando para o Jair Bolsonaro não é caixa 2 é de graça (sic)”. Uma montagem que circulou em diversos grupos trazia o seguinte texto: “Gente... tô morrendo de medo. A Folha disse que o Bolsonaro tem uma organização criminosa trabalhando para ele. Fomos descobertos”.

Na realidade, a acusação sobre a organização criminosa foi feita por Haddad, ao usar as informações da reportagem. No mesmo dia da publicação, o canal oficial do PSL no Youtube e uma lista de transmissão oficial do partido no WhatsApp lançaram a hashtag #MarketeirosdoJair, seguida por um vídeo que traz depoimentos de apoiadores do candidato.

A hashtag foi um dos assuntos mais relevantes do Twitter na quinta-feira. O WhatsApp notificou extrajudicialmente empresas que enviaram mensagens em massa com o objetivo de influenciar eleitores. Segundo a empresa, os termos de uso da plataforma foram violados.

Cid: “jogada proposital"

Nos grupos petistas, que têm um alcance bastante inferior aos do candidato do PSL, a reportagem foi disseminada com uma série de memes. Um deles sugeria a criação da “Operação Lava-Zap”, enquanto outro explorava os supostos R$ 12 milhões gastos por empresários para disseminar notícias falsas contra o PT.

Uma mensagem especulava uma nova artilharia contra o partido: “Infiltrados nossos desvendaram o último plano da campanha de Bolsonaro: 48 horas antes das eleições, será espalhada por todo o Brasil, via WhatsApp, uma fake news bombástica para atacar o Haddad”.

As pesquisas eleitorais também geraram repercussões. Contrariando os números que indicam a ampla vantagem de Bolsonaro (59% a 41% nos votos válidos, segundo o Datafolha), apoiadores de Haddad, divulgaram uma mensagem mais otimista do que os dados apontam: “O tracking interno do PT indica crescimento do Haddad. Faltam somente seis pontos percentuais para chegar a 50%.”

No início da semana, fez sucesso entre os apoiadores de Bolsonaro a declaração de Cid Gomes cobrando uma autocrítica do PT e discutindo com militantes petistas. Uma interpretação no mínimo curiosa também ganhou espaço nas realidades virtuais dos grupos de WhatsApp: “A jogada do Cid Gomes foi proposital para dar abertura para o Haddad admitir o mea-culpa”.
 
 

4 comentários:

  1. Carlos Mendes, no último linha de tiro, o jornalista Elielton, que foi bem sensato na sua opinião dizendo que pela democracia era melhor, ele votaria em Haddad,spos a fala do filho do facista que voce pode acessar na página da Globo,Flavio Bolsonaro, que caso seu pai tivesse sua candidatura cassada pelo TSE,mandava fechar o STF.
    E aí Carlos Mendes, você continua como defensor da candidatura fo facista ou você seguirá o que o jornalista Elielton, que foi muito sensato em suas palavras, ao contrário dos demais integrantes da mesa.
    Ou seja o risco, da tomada de poder pelos militares e implantar um governo de exceção está muito perto de acontecer se caso o facista seja eleito ou cassado.

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  2. Um grupo de manifestantes invadiram a Catedral de Brasília, falando palavras de ordem contra os padres da CNBB, que se reuniam naquele momento! Esse será o País de exceção que virá se elegermos o candidato facista.
    http://m.diarioonline.com.br/noticias/brasil/noticia-549909-manifestantes-confundem-iluminacao-do-outubro-rosa-com-comunismo.-veja!.html?v=540

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  3. O portal Roma News que apoia Márcio Miranda está recheado de notícias envolvendo o caos na segurança pública como fuga em massa de presos de Americano, chacina de 15 pessoas no último fim de semana. Com a expectativa do gordo do aura assumir a secretaria de segurança pública esses números vão piorar! Acorda povo do Pará! Fora Jatene! Fora Márcio Miranda!

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  4. Não distorce o que falei no Linha de Tiro, ô Revoltado. O que fiz foi criticar os dois lados da disputa presidencial, como também o local. Um lado, o do PT, já conheço e foi o responsável pela situação em que vive o país, com seus 14 milhões de desempregados, violência nas ruas, corrupção desbragada, etc. O Outro, é Bolsonaro, que já disse várias vezes, é uma aposta no escuro. Se teu cérebro só registra a informação que te é confortável e a favor do teu candidato, o problema não é meu, é teu, Revoltado.

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