segunda-feira, 1 de outubro de 2018

EXCLUSIVO: Aos 79 anos, dona Gláucia afirma: "só quero justiça"



Na entrevista a seguir, de Gláucia Meirelles, concedida com exclusividade ao Ver-o-Fato, a herdeira das terras, em Altamira, narra a luta que trava nos últimos 22 anos para que as propriedades de sua família lhes sejam devolvidas.

Como a senhora se sente hoje ao saber que, apesar de a Justiça Federal ter reconhecido as fraudes e anulado as escrituras, bloqueando-as e cancelando-as no cartório de Altamira, ainda não foi feita a justiça com relação aos seus direitos?



- Continuo me sentindo uma guerreira, pois fui eu sozinha quem descobriu a fraude criminosa elaborada num cartório do Rio de Janeiro, por uma advogada carioca, usando a mim e minha mãe, esta já falecida. Anular as escrituras fraudadas sim, mas não desisto enquanto a justiça da minha terra não se empenhar em buscar a verdade. Preciso que seja encontrado no cartório Moreira o livro 3A, onde estão registrados os 12 imóveis. Não pode ser aceito verbalmente que o livro desapareceu. Isto é muito grave... Onde fica a responsabilidade dos órgãos que causem lesão ao cidadão que requeira o que lhe é de direito? Afinal, será que o interesse público não está em primeiro lugar? Quando fizeram o novo registro as nossas terras passaram a constar no livro 2V, do cartório Moreira.

E no cartório Fabiliano Lobato, em Belém, por que não liberam nada para a senhora?

- Nesse cartório Fabiliano Lobato, que funciona no Fórum, é que foi feito o inventário do coronel Ernesto Acioly, tio do meu pai. Preciso que cobrem a documentação referente ao inventário e partilha dos bens, onde nela constam os bens deixados ao legatário Antônio Accioly Meirelles. Qual é o papel do responsável por um cartório, senão dar conta dos documentos lá registrados e responder, se responsabilizando por eles e pelo “desaparecimento” deles?

O que falta para que seus direitos sejam reconhecidos?

- Falta interesse e boa vontade em cobrar dos culpados a verdade. Quanto ao Incra, fico surpresa em ver como um órgão fundiário conceituado, aceitou registrar terras em meu nome, sem documentação comprobatória. Estive em reunião no Incra do Rio de Janeiro, onde fui recebida pelo dr. Novo e lá fiquei sabendo que o registro para venda das terras foi feito em cartório do Rio de Janeiro, certamente pelos integrantes da quadrilha que me lesou. É um cartório de fundo de quintal onde tudo acontece e a justiça passa longe.

- A senhora tem recebido alento e esperança de que ainda pode ter compensação pelos prejuízos que sofreu. O procurador da República Felício Pontes foi procurado pela senhora, Como está esse contato?

- Alento e esperança tenho sim, pois jogaram meu nome na imprensa através de grandes jornais, onde sou citada como grileira, aliás a maior do país. Sofri danos emocionais e fui bastante prejudicada, fiquei constrangida perante pessoas que me conhecem, porque não dizer envergonhada pois me encontrava impotente para provar a verdade. Os fraudadores da documentação usaram cartórios para fazer essas coisas.

A senhora já pediu ajuda às autoridades para olharem seu caso e darem uma resposta?

- Já pedi inúmeras vezes, mas alegaram que eu deveria ter um advogado e, infelizmente, eu não tive e não tenho condições financeiras para arcar com as despesas de uma causa como esta.

O Incra chegou a por seu nome no "Livro Branco da Grilagem", afirmando que a senhora era a maior grileira do Brasil. Como foi isso? A senhora processou o Incra? 


- Não processei o Incra porque os fraudadores deram fim em todos os documentos com os quais eu poderia me intitular herdeira. Tiveram nas mãos o cartório Moreira e o Fabiliano Lobato, este segundo cartório chegou ao disparate de me falar que a documentação é moto antiga, sem condições de ser encontrada. Na gestão do Raul Jungmann no Incra pedi socorro aos vários órgãos competentes para que através da imprensa desmentissem essa falsa acusação, mas...nada aconteceu. Foi quando fiz contato com o íntegro procurador Felício Pontes, pedindo uma direção a seguir, porém já sabendo que o MPF não pode agir isoladamente, devido à carta magna, e o que eu precisaria era ter um advogado. Já vacinada, não procurei mais ninguém. O dr. Felício Pontes me desejou sorte no meu empenho em lutar pela justiça.

O que agora a senhora espera que seja feito para resolver esses caso das terras?

- Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe. Como falei, são 22 anos de lutas, esperanças e fé em Deus, que em nenhum momento se afastou de mim. Espero Justiça! Buscas! Cobranças com os cartórios e pessoas envolvidas. É mais uma etapa na minha vida com 79 anos, mas jamais deixando de acreditar que um dia a verdade venha à tona. Lamento que neste momento os meus irmãos já não estejam entre nós e nada foi concretizado enquanto me acompanhavam nessa luta. 

3 comentários:

  1. Esse jornalista deve está com algum interesse nesse caso!

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  2. Quem mede os outros com sua própria regra moral, além da covardia do anonimato nada mais tem a oferecer do que a própria obtusidade.

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