VER-O-FATO: Ryan Williams, a saga do inglês em Belém que veio jogar no Paysandu, atuou só 20 minutos, mas se encantou com a torcida

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Ryan Williams, a saga do inglês em Belém que veio jogar no Paysandu, atuou só 20 minutos, mas se encantou com a torcida

Ryan Williams: " aqui na Inglaterra torcerei pelo Papão como vocês torcem"
Ryan Williams fez sua estreia como jogador profissional no Morecambe, time modesto da quarta divisão do Campeonato Inglês, em 2012. Nesta época, aos 22 anos, o meia cobrador de faltas jamais imaginou que um dia iria se aventurar no futebol brasileiro, apesar da idolatria pela seleção de Ronaldo, Romário e Rivaldo.

Aos 27 anos, após jogar por duas temporadas no Ottawa Fury, do Canadá, o jogador britânico foi para o Paysandu (PA), clube que está na segunda divisão do Brasileirão. Para jogar em solo brasileiro, Ryan Williams aceitou receber cinco vezes menos do que ganhava no Canadá e oito vezes menos do que recebia na Inglaterra.

O período de transição envolvendo idioma, adaptação ao clima, comportamento e cultura foi difícil. Jogou no Paysandu apenas 20 minutos, contra o São Bento, pela sexta rodada da Série B, em maio. Contratado para ser um reforço no Campeonato Paraense e Copa Verde, o meia não pôde ser inscrito nas duas competições por causa do atraso em conseguir o visto de trabalho.

A falta de oportunidades levou o jogador a sair do clube paraense após cinco meses. Mas as boas lembranças ficarão marcadas na memória do jogador, recém-contratado pelo Tranmere Rovers, da quarta divisão inglesa, e amante de tapioca, brigadeiro e do clima de Belém.

Como foi parar no Paysandu? 

Um agente, Ricardo Scheidt, me recomendou o Paysandu, disse que era um grande clube do norte do Brasil, com muita torcida. Fui porque lembrei que eles jogaram contra o Boca Juniors na Libertadores em 2002. Quando cheguei ao clube, percebi o quanto os fãs eram apaixonados e o quanto o Paysandu significava para as pessoas de Belém. Isso me cativou.

Qual a reação da sua família ao saber que viria ao Brasil?  

Eles ficaram muito preocupados, porque é uma mudança muito grande deixar a Inglaterra e viver no Brasil. Mas estava muito animado, amo viajar e o Brasil sempre pareceu ter um ambiente familiar, caseiro. Amo o Brasil desde que vi a seleção jogar nos anos 90… jogadores como Ronaldo, Romário, Rivaldo e o estilo de jogo sempre me cativaram. Sempre fui fã do Brasil e por isso me animei pela mudança.

Conhecia a cidade? 

Não tinha ideia de como era. Quando cheguei, as pessoas me receberam muito bem e a maior lembrança que vou guardar é de como as pessoas eram legais, receptivas e realmente tentavam fazer a adaptação ser menos complicada para mim.

Como era e relação com torcedores do Paysandu e do rival Remo? 

Com os torcedores do Paysandu era fenomenal, muito boa. Honestamente, não tenho como agradecer, sempre me apoiaram, me encorajavam e perguntavam quando iriam me colocar em campo. Foi muito legal. Quando me viam em Belém, sempre vinham conversar e tirar fotos. Nunca tive problema com torcedores do Remo. Logo quando cheguei, fizeram uma brincadeira: pediram para repetir uma frase em português, e entendi que seria um cumprimento. Mas na verdade era uma provocação ao Remo. Só soube depois o que era realmente porque eu não sabia nenhuma palavra em português… Graças a Deus eles entenderam que não tive intenção de desrespeitar o clube deles.

O que costumava fazer em Belém?  

Preferia ficar em casa ou ir para a casa de outros jogadores. Jogávamos videogame, assistíamos televisão. Também ia a shoppings – e mercados, uma experiência maluca para mim, havia peixes e frutas que nunca tinha visto antes. Quando voltei à Inglaterra, contava às pessoas sobre a quantidade de tipos de comida que provei e ficavam surpresos. Adorei tapioca e brigadeiro, coisas que não temos na Inglaterra. Foram realmente experiências inesquecíveis.

Qual a melhor e a pior experiência na cidade?

Em Belém, a paixão dos torcedores é algo que contagia, emociona. Tentei descrever esse clima quando voltei à Inglaterra, mas as palavras não são adequadas o suficiente para descrever como foi bom. Provavelmente a pior coisa que vivenciei foi saber que a cidade era muito perigosa, não podia sair à noite, não podia andar com celular pelas ruas, coisas deste tipo. Também era triste ver moradores de rua, pessoas pedindo dinheiro ou comida. Isso não é comum na Europa.

Quem mais ajudou no processo de adaptação?

Eu morava com Fernando Timbó, zagueiro central, um cara muito legal, que ajudou a me adaptar. Ele fala inglês e sempre me ajudava com coisas do dia a dia, como comida e produtos para a casa. Seria muito complicado sem ele lá para me auxiliar. O clube não me ajudava com transporte, ia para os treinos de carona com o Timbó ou pegava um Uber.

Por que faltaram oportunidades? 

Falta de organização do clube quando cheguei. Demoraram para perceber que eu precisava de um visto, e isso me tomou umas seis ou sete semanas. O clube perdeu o prazo para inscrição e fiquei de fora do Campeonato Paraense e da Copa Verde. Não tive oportunidades de mostrar minhas qualidades antes da Série B, e quando ela chegou, obviamente, o clube contratou mais dois jogadores da minha posição. Aí sobrou pouco espaço para ter oportunidades. Sei que faz parte do jogo, mas é bem difícil, porque sacrificamos os momentos em que poderíamos estar com a família e com amigos. Viajei meio mundo pela oportunidade de jogar no Paysandu, representar o clube, os torcedores e dar a eles todo o meu esforço, mas infelizmente a oportunidade não veio.

Como lidou com o idioma?  

Quando cheguei, as primeiras coisas que tentei aprender eram as instruções de futebol. Quando havia algo que não entendia, Timbó, Pedro Carmona e Renan Gorne – todos com inglês muito bom – me explicavam. Depois de três meses, os termos de futebol eu conseguia entender. Fazia aulas durante a semana e assistia a filmes em português, com legenda em inglês – isso ajudou. Fora do ambiente de futebol, do centro de treinamento, era um pouco mais difícil de me comunicar. Mas, como parte das brincadeiras, as primeiras palavras que aprendi foram palavrões… mas também aprendi o básico para iniciar uma conversa.

Qual seu melhor momento no clube? 

Sem dúvida, foi minha estreia, contra o São Bento. Estávamos perdendo por 1 a 0 em casa, participei de um lance que nos deu um pênalti no fim da partida. Cassiano marcou o gol, empatamos em 1 a 1. Ver a paixão dos torcedores e fazer parte daquilo foi incrível.

Há diferença entre os campos ingleses e os brasileiros?  

Na Inglaterra, a grama é mais baixa e os campos são bem irrigados, a bola rola mais rápido, a velocidade do jogo também aumenta, especialmente no inverno, quando o gramado fica mais escorregadio. Por isso, todos jogam com chuteiras de travas de metal. No Brasil, especialmente no Campeonato Paraense, os gramados são mais secos, e a bola quica mais vezes de forma imprevisível – na Inglaterra há um padrão.

Seus pagamentos atrasaram alguma vez? 

Meu salário no Brasil era mais ou menos cinco vezes menor do que eu recebia no Canadá e oito vezes menos do que recebia na Inglaterra. No Canadá e na Inglaterra o salário é pago todo mês no mesmo dia, não falha. No Brasil o salário vinha em duas parcelas, no mesmo mês, mas em dias aleatórios. Era complicado, mas nunca tive problema.

Voltaria a jogar no Brasil?

Com certeza, adorei o período em que passei no Brasil. Claro que preciso de oportunidades para mostrar meu futebol. O futebol no Brasil é incrível e me conquistou porque é muito técnico, tático. É uma grande plataforma para mostrar talentos. Fonte: Placar/Veja.

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2 comentários:

  1. Já foi tarde esse perna de pau, devia vazar do paysandú essa diretoria Amadora que comanda o futebol.

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  2. De pior qualidade que esse inglesinho perna de pau, são esses dirigentes incompetentes do paysandú, o nome do grupo deles é "novos rumos", se esse paradigma de gestão esportiva é ser de novos rumos, o torcedor então está com saudade dos "velhos rumos", pois do jeito que está a tendência é cair pra terceira divisão.

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