terça-feira, 25 de setembro de 2018

Eles ignoram o Pará e a Amazônia. E a culpa é nossa, que ainda brigamos por eles

A riqueza de Carajás não serve ao Pará: aqui só deixa buracos 

Não há dúvida de que todos os candidatos a presidente da República, dos mais conhecidos aos quase anônimos, não querem saber do Pará ou da Amazônia. Para eles, só existimos como colônia do Brasil. Seus olhos estão voltados para o  centro-sul, as regiões mais desenvolvidas. 


Da Amazônia, eles, como pretendentes ao governo, só querem saber das riquezas, de peso significativo na balança comercial. E nós, amazônidas, ainda não percebemos isso. Vivemos alienados desse processo de colonização interna. Pior: somos movidos por uma cultura subalterna.

. Pergunte a qualquer candidato de olho no Palácio do Planalto qual a proposta dele para a Amazônia e ouvirá generalidades do tipo "é muito rica", "estratégica para o Brasil", ou "precisa ser olhada com carinho". Na maioria das respostas, eles mal sabem o que dizer. E por uma razão muito simples: desconhecem a região, nada sabem. Só aparecem por aqui em períodos eleitorais.

Para entender esse processo de desconhecimento e dominação sobre a região mais rica do país, o Ver-o-Fato recomenda o livro de autoria do advogado, ex-presidente da OAB do Pará e candidato ao Senado, Jarbas Vasconcelos. Trata-se de “ A Constitucionalização da Colonização Interna”.  O  livro é produto de uma pesquisa de fôlego sobre como os estados do sudeste passaram a controlar o poder federativo para nunca mais deixá-lo. 

Privilégios aos mais ricos

Isso tem sido particularmente danoso ao Pará. “A violência imposta aos cabanos gerou uma cultura subalterna, que fez o Pará amoldar-se à condição de colônia do Brasil, desde então - primeira metade do século XIX, até os dias de hoje”, diz um trecho da obra. 

E mais: “o Estado do Pará, que possui o segundo pior IDH do País, 0,675, contribui para aumentar a riqueza do estado mais rico da federação brasileira: São Paulo. Aos ricos se consagra sempre mais privilégios e, aos pobres, sempre maior sacrifício, como forma de perpetuar o colonialismo interno”. 

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