quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Subiu André Nunes, o homem que semeou boas causas


André Nunes partiu. Por várias vezes, sem usar a expressão, disse adeus àqueles com quem convivia. Aos amigos e aliados das muitas batalhas, dizia que já tinha vivido muita coisa, experimentado o doce e o amargo da vida, os prazeres e, por diversas vezes, a própria morte. 

Em seus 79 anos, ainda nutria no íntimo a esperança de que algo mudasse, sobretudo em Marituba, onde ele passou as últimas décadas, no recanto  aprazível do Terra do Meio, o restaurante onde recebia com distinção e fidalguia a legião de pessoas das mais diversas tendências, políticas e sociais. 

Não privilegiava ninguém. Tratava a todos com igualdade. O velho comunista sabia cativar e manter um bom diálogo, até com quem divergisse de sua ideologia. Tinha a calma típica e a sabedoria do caboclo acostumado a superar adversidades.

Abraçou causas e batalhas nas barrancas do rio Xingu, combatendo em favor do homem e da floresta. Gostava que o chamassem de ambientalista, porque essa era a essência de suas lutas ao lado de caboclos e índios. 

Esteve em dezembro passado no programa "Linha de Tiro" (veja, acima, toda a entrevista) e transmitiu um duro recado contra a fedentina e o descaso das autoridades, estaduais e municipais, além de políticos, envolvidos até o pescoço no favorecimento ao lixão da empresa Revita.

André combateu de frente um dois maiores crimes ambientais já praticados no Pará e ainda hoje protegido pelo manto da impunidade. "Tem que acabar com esse lixão que está esbulhando a vida das pessoas e suas residências", afirmou ele, ao final do programa. 

O povo de Marituba, que o respeitava e admirava, recebeu de André o alento do qual tanto precisa para não jogar a toalha no ringue e continuar na luta por seus direitos até que o lixão saia do município.

O gladiador dos bons combates, o literato  que sabia contar estórias como poucos, saiu dessa vida e foi para outro plano, semear causas e "causos" nas plagas universais.

Cumpriu sua missão, deixando por aqui as sementes que soube espalhar muito além das duas Terras do Meio - a do Xingu e a de Marituba. Sementes que já deram e ainda vão dar muitos frutos.

Valeu, André.
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