VER-O-FATO: PF explode pistas e queima máquinas durante operação em garimpos na terra kayapó: chinês e italiano envolvidos

terça-feira, 21 de agosto de 2018

PF explode pistas e queima máquinas durante operação em garimpos na terra kayapó: chinês e italiano envolvidos

                                   Aqui, o vídeo da degradação nas terras indígenas
Máquinas queimadas pela PF no valor de R$ 2 milhões



Um empresário chinês do setor financeiro e uma família italiana estão sob investigação da Polícia Federal, que nesta manhã deflagrou a operação Muiraquitã com o objetivo de desarticular um grupo criminoso que atuava no garimpo ilegal na terra indígena Kayapó. A ação está sendo realizada na região entre as cidades de Ourilândia do Norte e Tucumã, no sul do Pará. O trabalho policial é é resultado de uma parceria entre PF, Ibama e a Funai.

Segundo a PF, o chinês e os italianos se beneficiariam da relação dos garimpeiros ilegais com compradores do exterior. “As ações desencadeadas visam realizar prisões em flagrante dos envolvidos, faciliciar a ação do órgão ambiental na constatação dos danos extremos à natureza, desativar as pistas de pouso que não são homologadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e que não servem à comunidade indígena e estancar a extração e comercialização ilegal de ouro na região”, diz a PF.

A operação é considerada a maior ação com uso de força aérea policial naquela região do país.  Ao todo, são sete helicópteros da PF, Ibama e Secretaria de Segurança Pública do Pará estão atuando para atacar a logística utilizada pelo grupo. Duas pistas de pouso e decolagem clandestinas serão explodidas pela PF.



Em nota, a PF diz que a atividade mineradora clandestina ocasiona diversos danos ao meio ambiente e aos indígenas, sendo os mais recorrentes: "desvio do curso de rios, desmonte hidráulico (no caso de garimpagem mecânica), aterramento de rios e contaminação do solo, ar e águas através de metais pesados, principalmente o mercúrio, extinção de vegetação e animais e contaminação dos silvícolas”.

Até o momento, a Funai já mapeou que cerca de 2.800 indígenas foram contaminados pelos resíduos do garimpo ilegal despejados nos rios da região.  A extensão dos danos causados será avaliada por peritos criminais federais que participam da operação e estão coletando informações e materiais que resultarão em laudo pericial.


O nome da operação faz referência aos objetos utilizados por “povos indígenas como amuletos, símbolos de poder ou, ainda, como material para compra e troca de artefatos valiosos”. 

Sindicalista no rolo

Em outubro do ano passado, agentes do Grupo Especializado de Fiscalização (GEF) do Ibama realizaram operação de combate a garimpos de ouro na mesma região de 3,2 milhões de hectares - maior do que o estado de Alagoas - onde vivem dezernas de tribos kayapós. 

Em três dias, com apoio de três aeronaves, foram destruídas 12 balsas de mergulho, 1 balsa escariante, 12 escavadeiras hidráulicas, 4 motobombas e 1 caminhão carregado de toras. Os agentes ambientais também apreenderam em acampamentos de garimpeiros uma arma, uma mira de precisão para espingarda e aproximadamente 700g de mercúrio. A legislação proíbe o garimpo e a extração de madeira em Terras Indígenas.

Entre os infratores flagrados dentro da TI Kayapó estava o presidente da Cooperativa de Garimpeiros de Ourilândia do Norte, João Costa Guerra. Responsável por uma escavadeira usada para abrir nova frente de garimpo em área isolada, ele foi autuado pelo Ibama. Os documentos apreendidos foram entregues ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal (PF) para responsabilização criminal dos envolvidos. ( Do Ver-o-Fato, com informações da PF e Estadão)

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Um comentário:

  1. bom trabalho, mas é uma pena que precisem serem forcados a trabalhar pela pressao da midia...

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