VER-O-FATO: NÚMERO DE TELEFONE PARA PREVENÇÃO AO SUICÍDIO SE TORNA GRATUITO NO PARÁ E EM TODO O PAÍS

domingo, 1 de julho de 2018

NÚMERO DE TELEFONE PARA PREVENÇÃO AO SUICÍDIO SE TORNA GRATUITO NO PARÁ E EM TODO O PAÍS

O Pará - assim como a Bahia, o Paraná e o Maranhão - já está acessível desde hoje à ligação gratuita para o Centro de Valorização da Vida (CVV) de qualquer pessoa que esteja passando por problema pessoal e emocional que pode evoluir para o suicídio. Aliás, o número 188, está disponível em todo o território nacional graças a uma parceria com o Ministério da Saúde. A entidade também oferece atendimentos presenciais, por chat e por e-mail.

Desde 2017, o telefone já era acessível a 23 estados brasileiros. As exceções eram Bahia, Maranhão, Pará e Paraná. Em 2017, o centro recebeu cerca de 2 milhões de ligações. Neste ano, espera ultrapassar 2,5 milhões. Segundo Félix Flor, servidor público e voluntário há quatro anos, as pessoas procuram a instituição porque precisam desabafar e contar histórias que, muitas vezes, amigos e familiares não querem mais ouvir.

"Imagina a caminhada que essa pessoa já deve ter feito para pegar o telefone e falar sobre suas angústias para uma pessoa que ela não conhece", diz Antônio Batista, voluntário há 18 anos. "Falar do seu íntimo não é uma coisa tão simples."

O suicídio, segundo Esther Hwang, psicóloga e pesquisadora da USP, é uma questão de saúde pública. "É reflexo de uma sociedade doente, e não necessariamente de uma pessoa doente", diz. Segundo o Ministério da Saúde, todos os dias cerca de 30 pessoas tiram a própria vida no Brasil.

Para os voluntários do CVV, o suicídio, em si, é uma ação impulsiva, mas há um processo por trás do ato: isolamento, desistência de hobbies, falta de contato com a família e amigos podem ser interpretados como sinais. Depressão e abuso de álcool e drogas também exigem atenção.

"Se a pessoa diz que vai embora, que quer sumir, que um dia vai acabar com tudo, é preciso ficar atento", diz Elaine Macedo, gestora institucional e voluntária há 23 anos. Segundo a Organização mundial da Saúde (OMS), os idosos correspondem à faixa etária de maior risco para o suicídio. No Brasil, a taxa de mortalidade entre pessoas com mais de 70 anos chegou a 8,9 a cada 100 mil habitantes entre 2011 e 2015.

Todos os voluntários aconselham a mesma coisa: o idoso precisa sentir que é importante para alguém, mesmo que esse alguém lhe dê apenas um "boa noite".
O índice de suicídio também é alto entre os mais jovens: é a quarta maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos no Brasil.

Dentre os adolescentes que contatam o CVV, muitos expõem histórias de conflitos com os pais, amigos e preocupações com a escola. Já os jovens adultos relatam o medo de não conseguir um emprego, falam sobre relacionamentos complicados e sobre sua própria solidão. 

Segundo a OMS, 90% dos casos de suicídio poderiam ser prevenidos. Fontes: Folha de São Paulo e UOL.


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