VER-O-FATO: SINDICATO DOS JORNALISTAS REPUDIA TENTATIVA DA AGROPALMA DE CALAR REPÓRTER CARLOS MENDES

sexta-feira, 15 de junho de 2018

SINDICATO DOS JORNALISTAS REPUDIA TENTATIVA DA AGROPALMA DE CALAR REPÓRTER CARLOS MENDES



O Ver-o-Fato recebeu e publica abaixo nota de repúdio do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Pará (Sinjor-PA) à tentativa da empresa Agropalma de calar o jornalista Carlos Mendes, que tem publicado em "O Liberal" e nas redes sociais matérias sobre acusações de grilagem de terras públicas e privadas contra a citada empresa. Veja a nota, na íntegra:

"O Sindicato dos Jornalistas do Estado do Pará (Sinjor-PA) manifesta total repúdio à ação da empresa Agropalma – empresa fabricante de óleo de palma, que em matéria, leia-se nota paga, publicada no jornal O Liberal, no dia 27 de maio deste ano, feriu a sociedade e a democracia, ao atacar de forma irresponsável, o jornalista Carlos Mendes,  chamando-o de mentiroso e caluniador, fazendo ameaças, como forma de desqualificá-lo, intimidá-lo e cercear a liberdade da imprensa – prerrogativa de todo profissional desta área.

A referida empresa, num ato ainda mais extremo e insano, teria tentado publicar o citado texto como matéria paga, oferendo um valor de R$ 200.000,00 ao jornal. O valor da “compra da nota de difamação” não foi aceito pelo diretor do periódico, que publicou a matéria, mas concedeu, corretamente, o direito de resposta ao jornalista atingido, que narrou com provas e fatos as denúncias contra a empresa acusada de grilagem no Pará.

Esse ato da Agropalma, inédito na história da imprensa paraense - não surpreende nesses tempos, onde a busca pela verdade tem opressores, patrocinadores e, algumas vezes exitosos nessa tarefa de calar os que trabalham em sentido contrário.

O ato de tentar intimidar e calar um jornalista vai além do cerceamento do exercício profissional, pois é antes de tudo, uma atitude antidemocrática e um ataque irreparável e, por que não dizer funesta à Constituição Federal, que garante o livre exercício profissional do jornalista, por meio da qual se garante o acesso à informação, igualmente assegurado à população, pela lei.

Por fim, a liberdade de imprensa é direito de extrema importância para que a sociedade possa conhecer e se defender de possíveis arbitrariedades cometidas pelo poder público, assim como, por empresas como a Agropalma. E é dever de todo jornalista garantir esse acesso à informação, de forma transparente, responsável e ética, condições primordiais para que o Estado seja, de fato e de direito, Democrático. 

O Sinjor segue na sua luta pela valorização e democratização dos meios de comunicação, bem como na defesa pelo respeito à categoria e apoia integralmente o jornalista Carlos Mendes, ao mesmo tempo em que alerta a sociedade para as sucessivas tentativas de tentar calar jornalistas e impedir a liberdade profissional, capaz de apresentar várias opiniões e ideologias, manifestadas e/ou contrapostas, ensejando assim um processo de formação do pensamento crítico. 

Só há o desejo de lutar por seus direitos para quem os conhece. Por isso, os dizeres de Rui Barbosa são mais do que certos: “a palavra aborrece tanto os Estados arbitrários, porque a palavra é o instrumento irresistível da conquista da liberdade. Deixai-a livre, onde quer que seja, e o despotismo está morto”.

Por fim, o SINJOR se posiciona rigorosamente firme e contra qualquer tentativa de impedimento à liberdade de imprensa e repugna qualquer ameaça aos profissionais da comunicação e com o mesmo ímpeto defende a ética na profissão e o uso responsável da informação apurada e veiculada".

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