domingo, 10 de junho de 2018

SEM VERBA, CANDIDATOS DE GRUPO DE RENOVAÇÃO POLÍTICA FAZEM CAMPANHA ATÉ DE ÔNIBUS


Matéria do jornal "O Globo", deste domingo, revela o clima desigual da pré-campanha eleitoral pelo país afora, onde novos candidatos, que nunca disputaram uma eleição, concorrem contra velhas raposas da política e figuras carimbadas, que recebem gordas verbas, enquanto os novatos penam sem recursos, na tentativa de obter uma cadeira nos parlamentos.

No Pará, não é diferente. A maioria desses "cristão novos" come o pão que o diabo amassou e sofre para obter um naco do tal fundo partidário, já todo dividido entre os caciques, como é de hábito. Leia a matéria, abaixo:

"Vitor não tem plano de saúde. Bruna não tem carro. Robson passou a madrugada de sexta-feira na UPA de Marechal Hermes. E Luis vai precisar de dinheiro. Situações comuns para os cidadãos brasileiros se complicam quando estes são aspirantes a políticos nas eleições de outubro.

 Ninguém acreditou que entrar para a política no Brasil seria fácil. Mas entre os pré-candidatos vindos de movimentos de renovação da política, especialmente para os mais pobres, a realidade bate à porta. Está sendo quase impossível tocar o projeto — e a campanha oficial sequer começou.

Uma alternativa é receber dinheiro do fundo público ao qual os partidos têm direito. Embora os quatro aguardem os valores serem depositados na conta em algum momento, nenhum tem certeza se — e quanto — virá. A maior fatia dos fundos eleitoral e partidário, de R$ 2,3 bilhões, irá para partidos que não estão presentes em movimentos de renovação: PT, PMDB e PP. 

Segunda maior bancada da Câmara dos Deputados, o PP montou uma comissão que deverá entregar seu projeto até o final de junho para definir para onde vai seu quinhão. A composição do grupo, formado por cinco deputados federais, no entanto, não permite ilusões.

— A tendência é que a prioridade sejam os deputados federais — admite o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do partido, citando os cinco deputados federais do partido e as estratégias dos rivais. — Como a maioria dos partidos vai fazer.

Vitor, Bruna, Robson e Luis não são deputados. São cidadãos das classes C, D ou E, que fazem parte do movimento de renovação política RenovaBR, uma espécie de curso de formação de novos políticos. Como vários que surgiram na esteira dos estragos feitos na política tradicional pela Operação Lava-Jato, a ideia do RenovaBR é capacitar gente disposta a entrar na política e alterar o sistema por dentro.

Vitor, Bruna, Robson e Luis acreditam nisso, porém estão sentindo as dificuldades da vida real. Desde fevereiro, eles tiveram aulas em São Paulo, uma vez por mês, sobre como montar uma campanha competitiva e lá descobriram que ela é, invariavelmente, cara para seus padrões.

— A gente tem gastos agora. E esses gastos vão de aluguel a telefone e são pesados. A gente não tem um “paitrocínio”, um lucro de uma empresa de onde tirar. É uma luta injusta — diz Bruna Helena Barros, pré-candidata a deputada estadual pelo PV.

A campanha de Marielle Franco, a vereadora assassinada em março, considerada um exemplo por ter sido barata e bem-sucedida, custou R$ 61 mil. Este ano, o custo deve aumentar, já que a disputa é estadual e nacional. A candidatura de Marielle contou com ajuda de seu partido, o Psol.


Luis Lelis tentará ser deputado estadual no Paraná pelo PPS — partido que se comprometeu a ajudar financeiramente candidatos de renovação. Vitor Del Rey, pré-candidato a deputado federal pelo PDT, tem a mesma esperança. Um dos destaques do RenovaBR, 33 anos, ele cursou Ciências Sociais na Fundação Getulio Vargas. Mas precisa ir de ônibus para suas agendas de campanha no Rio. Outro dia demorou quatro horas no caminho de Niterói a Xerém.

— Nós estamos preparados, estamos prontos, estamos entrando para ganhar. Mas, só nessa viagem, se estivesse de carro, mais duas horas eu chegava em São Paulo — diz.

Durante a semana, o azar atingiu Robson Borges, pré-candidato a deputado estadual pela Rede Sustentabilidade. Entre quinta e sexta, acompanhou sua mulher em uma Unidade de Pronto-Atendimento no seu bairro, Marechal Hermes, onde foram atendidos de madrugada. Receberam a receita de um remédio, mas ele estava em falta na UPA, e Robson teve que arcar com o custo. 

Ao falar com a reportagem, estava numa loja em busca de um novo chip de celular — o anterior parara de funcionar — e lamentando que provavelmente perderia uma reunião sobre o financiamento de sua campanha. Ele criou uma cooperativa de reciclagem para dar emprego a ex-detentos — Robson é “egresso do sistema penitenciário" (cumpriu quatro anos por roubo).
— Não sou egresso, eu sou o Robson — corrige-se.

Robson apela para que as pessoas se engajem nas campanhas por meio de financiamentos coletivos. Mas, ao contrário de colegas mais ricos, que viveram e convivem com pessoas ricas e grandes doadores, seu desafio é convencer pessoas que mal pagam as contas a contribuir para sua eleição, que pode custar R$ 200 mil.

— O pessoal à minha volta diz: “Posso te doar R$ 50” enquanto eu vejo outras pessoas falando: “Um amigo meu vai doar R$ 2 mil, um amigo meu vai doar R$ 5 mil” — diz Luis Lelis, que tem a mesma dificuldade de Robson.

Com apenas R$ 6 milhões do fundo partidário, a Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, fará a campanha de financiamento coletivo. A responsável será a empresa Bando, que fez o mesmo trabalho, em 2016, para Marcelo Freixo e arrecadou R$ 1,8 milhão, a maior “vaquinha eleitoral” da história, o chamado “crowdfunding”. É a esperança dos candidatos que acreditam na renovação".

Um comentário:

  1. Esse ano vão ter duas campanhas milionárias aqui no pará, uma apoiada por Jader barbalho que é a do próprio filho Hélder, e a outra apoiada por Simão jatene a de Márcio Miranda, o povo do Pará e do Brasil não é acéfalo e deve perceber que campanhas milionárias não resolveram os problemas do nosso estado e do país, pelo contrário, fizeram esvaziar ainda mais os combalidos cofres públicos da nação. O objetivo claro da divisão das fatias orçamentárias para as campanhas, privilegiando políticos veteranos, tem uma fundamentação básica, a perpetuação dessas raposas no comando dos estados e do país, objetivando dar prosseguimento as suas maracutaias, os seu roubos e os seus rolos. De que forma se pode combater essa sistemática malévola?. Através do voto! Se um dia o povo perceber o poder que tem nas mãos, que é o voto, certamente esse país muda.

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