VER-O-FATO: POLÍTICA NO PARÁ: INIMIGOS VISCERAIS SE RECONCILIAM

sábado, 16 de junho de 2018

POLÍTICA NO PARÁ: INIMIGOS VISCERAIS SE RECONCILIAM


O governador Aurélio do Carmo visita o destemido jornalista Paulo Maranhão


Aqueles que quiserem compreender a política no Pará e as relações às vezes promíscuas entre os poderosos, suas alianças e traições, além do envolvimento da mídia, não pode deixar de frequentar o blogue do amigo José Carneiro. É leitura obrigatória.


José Queiroz Carneiro, para quem não sabe, é sociólogo pela UFPA, com especialização em Cinema e sociedade, também pela UFPA e mestre em Ciências Politicas pela Unicamp-Universidade Estadual de Campinas. Começou sua vida profissional como repórter da extinta “Folha do Norte”, foi professor do ensino médio, secretário de Educação de Castanhal e sociólogo da Sudam.

Depois da aposentadoria, foi articulista de O Liberal e agora dedica-se aos livros memorialísticos e a seu blogue que pode ser acessado no seguinte endereço.http://memoriasdopara.com.br

Corra lá e fique com artigos como este, abaixo:

"O jornalista, escritor Nesta primeira foto, datada do ano de 1961, o governador Aurélio do Carmo, recém-empossado no governo do Pará, faz uma visita de cortesia ao destemido jornalista Paulo Maranhão, proprietário da “Folha do Norte”. Ambos estão sentados juntos num sofá, ladeados pelo vice-governador Newton Miranda. Atrás do sofá estão o poeta De Campos Ribeiro, redator do jornal, o militar ajudantes-de-ordens do governador, o oficial de gabinete Wilson Ribeiro e o diretor-gerente da Folha do Norte, João Maranhão, filho de Paulo Maranhão.

A importância desse gesto, comprovado no flagrante, teve origem na luta fratricida travada ao longo dos anos entre Paulo Maranhão e Magalhães Barata.

O jornalista, na sua verve ferina, não poupava o interventor, senador e governador eleito em 1955. Magalhães Barata, por sua vez, proclamava aos quatro cantos que, ao longo de sua vida, fez muitos inimigos, tendo se reconciliado com todos, menos com Paulo Maranhão, seu desafeto até o final da vida.

Com a morte de Barata, em maio de 1959, o novo governador eleito em 1960 foi o jovem advogado Aurélio do Carmo, uma das expressões mais jovens do baratismo, tendo sido Secretário do Interior e Chefe de Policia de Magalhães Barata.

Sua eleição para governador, com menos de 40 anos de idade, deveu-se claramente à morte do velho líder, que abalou o Pará. Qualquer candidato do PSD venceria aquelas eleições, em função do desaparecimento de Magalhães Barata, o líder carismático e caudilhesco.

A visita de Aurélio do Carmo a Paulo Maranhão, nas próprias dependências da “Folha do Norte” (que ainda conservava as marcas de tiro do ataque perpetrado pelo interventor) mostrou o estilo de governo então iniciado, antevendo a necessidade de apaziguar os ânimos diante de tamanha animosidade entre as partes.

Paulo Maranhão, que tanto atacou os baratistas como foi vítima de sórdidos ataques, parece ter aceitado a reconciliação, aparentemente articulada junto a João Maranhão, filho de Paulo, e que gerenciava os negócios da empresa jornalística.

A prova disso é a outra foto, que mostra Aurélio e Moura Carvalho, com amigos, almoçando na residência de João Maranhão, no último andar do prédio da “Folha do Norte”. O professor Paulo Maranhão residia na Avenida Nazaré, em frente ao antigo arraial e onde alguns asseclas de Magalhães Barata despejaram no jornalista, inesperadamente, um balde cheio de excrementos.

Uma semana depois do ocorrido, Paulo Maranhão deu sua resposta, sintetizada na seguinte frase: “de um governo de merda, só se pode esperar merda”. E não mais tocou no assunto. Coisas da politica paraense". 
 
Nessa outra foto, Aurélio e o vice, Moura Carvalho, na casa de Maranhão


Nenhum comentário:

Postar um comentário