VER-O-FATO: A CENSURA A ÚRSULA VIDAL, HOJE, É A MESMA QUE TIROU DO AR A RÁDIO TABAJARA, EM 2010

sábado, 16 de junho de 2018

A CENSURA A ÚRSULA VIDAL, HOJE, É A MESMA QUE TIROU DO AR A RÁDIO TABAJARA, EM 2010



E por falar em censura, intolerância e outras aberrações contra o direito de pensar, o que aconteceu com a jornalista Úrsula Vidal, que teve anteontem sua voz cortada e tirada do ar, durante programa do radialista Guto Braga, na Rádio Marajoara - exatamente no momento em que criticava a péssima  gestão de Zenaldo Coutinho (PSDB) na prefeitura de Belém - é um velho capítulo de uma velha história de como os meios de comunicação, uma concessão pública, servem aos interesses de quem busca o poder, nela já está, ou pretende compartilhar benesses às custas dos cofres públicos.

No dia 21 de agosto de 2010, a Rádio Tabajara, que buscava uma concessão pública no Ministério das Comunicações, durante o governo do PT, foi invadida por agentes da Polícia Federal e da Anatel e tirada do ar, interrompendo sua programação. Era por volta de 10 da manhã e às 14h em ponto entraria no ar o polêmico programa "Jogo Aberto", apresentado pelos jornalistas Carlos Mendes e Francisco Sidou.

Era um programa crítico aos governos, mas aberto ao contraditório e à ampla defesa, tanto que pessoas ligadas ao poder e políticos que apoiavam o governo petista viviam nos estúdios da rádio, participando e opinando em outros programas, inclusive o "Jogo Aberto". Esse respeito à pluralidade de opiniões, como era a política editorial da Rádio Tabajara, de nada valeu.

Poderosos, sejam eles de direita, de esquerda, comunistas, socialistas, nazistas, fascistas, ou de outras inclinações ideológicas, detestam pessoas que pensam, têm opinião própria e possuem a capacidade de despertar consciências adormecidas. Então, é preciso cerceá-las, castrá-las, tiradas do rádio
, da TV, do jornal, até mesmo das redes sociais, essa "terra de ninguém" onde todo mundo opina, inclusive  gênios da espécie, imbecis juramentados, indiferentes, ou pessoas comuns.

Úrsula Vidal sentiu em 2018 o que outros já sentiram em tempos idos, na época da ditadura militar, em agosto de 2010, na Rádio Tabajara, e talvez experimente outras desagradáveis surpresas por ser uma livre pensadora, não importa se ela esteja no partido A, B ou C, ou mesmo que não estivesse filiada a nenhum partido.

Pensar é o problema. E opinar, pior ainda. Ontem, foi na Rádio Marajoara. Amanhã, pode ser na Rádio Clube, onde ela tem programa. É assim que a banda toca, mesmo sob ritmo desafinado.

"Ditadura é quando você manda em mim. Democracia é quando eu mando em você", ensinava a genialidade de Millôr Fernandes. 

Nada de novo sob o sol.

3 comentários:

  1. É um absurdo que um fato deste ainda ocorra nos tempos atuais, evidentemente, que lá na Rádio Clube ela não vai poder divulgar tudo que sabe do jader barbalho, agora esta censura que o Carlos santos está implementado na marajoará é vergonhosa, esdrúxula, motivada única e exclusivamente por parcerias espúrias com o zenaldo e com o Jatene. Essa rádio não tem a menor credibilidade, é só verificar as inúmeras maracutaias que seus locutores se metem, dois deles já foram presos inclusive, nonato Pereira, e o filho do carlos, silvinho santos.

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  2. Enquanto veículos de comunicação no Brasil estiverem vinculados a políticos, esse paradigma não muda.

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  3. Enquanto o jornalista não tiver uma mídia independente, vai ficar submisso a políticos e não será imparcial.

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