terça-feira, 8 de maio de 2018

HYDRO FOGE DE ACAREAÇÃO, DESTITUI GEÓLOGOS E TENTA FAZER GATO E SAPATO DA CPI DA ALEPA

Segundo a Hydro, os dois geólogos não podem mais falar pela empresa


A cada dia a norueguesa Hydro se afunda mais na relação com os paraenses, após protagonizar crimes ambientais e sociais em Barcarena. Na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa, ela mete os pés pelas mãos, mas não perde a pose e a arrogância, caraterísticas que a tornaram antipática perante a população. 
Nesta terça-feira, por exemplo, um episódio inusitado irritou os integrantes da CPI: a Hydro deveria mandar os técnicos que fizeram um laudo, negando qualquer vazamento das bacias de rejeitos, para os rios e igarapés, durante as chuvas de fevereiro passado, fim de submetê-los a uma acareação com técnicos do Instituto Evandro Chagas e da Sespa, que atestaram as contaminações.
Além de não comparecer, desrespeitando a CPI, a quem tenta fazer de gato e sapato, a Hydro mandou dizer que não tem mais qualquer relação contratual com a empresa SGW Services Consultoria Ambiental. A decisão ocorre menos de 24 horas depois que os geólogos da SGW prestaram depoimento à  CPI, na segunda-feira, caindo em algumas contradições. 

Em seu depoimento, o técnico Sidney e também sócio da empresa contratada pela Hydro, explicou detalhes sobre os trabalhos executados na região afetada após o acidente. Ele informou que o trabalho desenvolvido foi de cunho técnico e não incluiu coleta de amostras de água. 

“Nosso trabalho é limitado e fomos contratados para fazer um determinado trabalho para ter o entendimento do que aconteceu no período de chuvas entre os dias 16 e 17 e se houve evidências de vazamento ou acidente”, informou. Questionado sobre os vazamentos, foi enfático em dizer que não considera os fatos como acidente. 

“Fizemos esse trabalho e não encontramos evidências de nenhum acidente, nem evidências técnicas e nem diretas. Até o momento, pelo que temos de resultados e do que analisamos e pelas evidências que tivemos não identificamos. Um acidente precisa ter um dano e não identificamos esse dano”, disse.


De acordo com sua análise, a inundação ocorreu por um fenômeno natural provocado pelo alto índice de chuvas nos dias 16 e 17 de fevereiro. “Choveu 224 milímetros em 10 horas, com pico de grande volume de água, no período das 23 horas do dia 16 até o dia 17. Os reservatórios não tiveram condições de reter toda água. O mesmo se aplica a todos os depósitos e a avaliação é que não houve vazamento e o que houve foi inundação por causa das fortes chuvas” reiterou.   


O geólogo Rafael, afirmou que todo o estudo foi feito com base nas Resoluções e Normas Técnicas do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), órgão  consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama), que trata e determina sobre a política de meio ambiente em todo o território brasileiro, seja na esfera pública ou privada.


Indagado sobre a presença de alumínio na água, ele argumentou que é natural por ser tratar de um elemento presente na crosta terrestre e não encontrou nada de anormal de acordo com as resoluções do Conama. “Nosso trabalho não foi de coletar amostras de água, mas esses elementos surgem de forma natural porque possui com abundância na região. É importante avaliar cada elemento químico de forma aprofundada e que não seja relacionado apenas ao acontecimento”, frisou.  
     

Para o presidente da CPI, deputado Coronel Neil, os depoimentos colhidos foram importantes. “Hoje é um ponto fundamental para tirarmos dúvidas. É uma estratégia que permite ter uma visão ampla de todo o processo que envolve a empresa, o vazamento e suas consequências”, destacou.

Não deu as caras


A acareação, no começo da tarde de hoje, seria entre os pesquisadores e formuladores dos laudos, envolvendo a consultoria contratada pela Hydro, a professora Simone Pereira da UFPA e o pesquisador do Instituto Evandro Chagas, Marcelo Oliveira Lima.  A Hydro não quis o cara a cara, importante para o esclarecimento dos fatos.

A SGW Services Consultoria Ambiental com sede em São Paulo foi contratada para realizar avaliação preliminar independente do sistema de gestão de águas e efluentes da refinaria Alunorte, localizada no parque industrial de Barcarena. Os trabalhos foram realizados durante duas semanas do mês de março, sendo que os resultados preliminares, divulgados no dia 09 de abril.

Os deputados Carlos Bordalo, Coronel Neil e Celso Sabino, relator, ficaram irritados  com a ausência da Hydro e disseram que vão aguardar a presença da empresa na acareação. Eles foram surpreendidos com a informação de que a SGW, contratada por R$ 190 mil, agora já não está mais credenciada para falar em nome da empresa. (Do Ver-o-Fato, com informações da Alepa).



2 comentários:

  1. Se as autoridades competentes não tomarem providências no sentido de punir severamente esta empresa, esse estado vai parecer terra sem lei, sem sentença, com uma justiça inoperante, popularmente falando "casa de mãe joana". Entendam uma coisa esse estado é muito grande para ficar submisso a uma empresa estrangeira que se instala aqui fatura milhões e deixa como legado danos físicos e sociais, o Pará precisa reagir.

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  2. Oquê falta é que uma comissão de ética próximo da Assembleia paraense do estado, se forme. Para caçar a pessoa jurídica de empresas como a Hydro, que não respeitam as regras locais. Somente assim a direção da Hydro começara por entender que eles devem respeitarem as regras que fazem com quê eles existam. Essa medida ética deve ser levada a sério por nossos representantes. Se observar-mos bem, essa minha ideia, mais uma, dará inicio ao fechamente de todas as empresas exploradas no Brasil que levaram o Brasil para a destabilização como é o caso da Odebrescht. Que vêm comprando os nossos políticos que cada vez mais se encontram em situação de persecução judicial. O Fato é que todas as empresas que são compradas à preço de banana, caiem nas mãos de pessoas más intencionadas. Investidores que possuem a informação que nos brasileiros, por falta de consciencia, financiamos todas as guerras tecnológicas entre aliados americanos Europeus, sul americano e africanos. Aliados que estão em segunda linha depois que os Russos demonstraram que estão a mais de 40 anos na frente de todos. Não é a toa que empresas como a Hydro não possuem seguros para garantir o respeito das regras em caso de acidente. Mais uma vez eu indico que não se deve somente falar de acidente ambiental, mais sim de acidente industrial e ambiental.

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