VER-O-FATO: O QUE FALTA PARA PRENDER GENTE DA HYDRO? MP PEDE INQUÉRITO PORQUE EMPRESA FORNECE ÁGUA CONTAMINADA EM BARCARENA

sexta-feira, 20 de abril de 2018

O QUE FALTA PARA PRENDER GENTE DA HYDRO? MP PEDE INQUÉRITO PORQUE EMPRESA FORNECE ÁGUA CONTAMINADA EM BARCARENA



O Ministério Público do Pará (MPPA), por meio dos promotores de Justiça Laércio Abreu, Eliane Moreira, Daniel Barros e Bruno Saravalli - requisitou na tarde desta sexta-feira a instauração de inquérito policial para apurar a responsabilidade sobre a água em condições impróprias que está sendo fornecida a moradores de Barcarena pela empresa Hydro Alunorte por meio de carro-pipa.


No último dia 13 de abril o MP requisitou à Secretaria de Estado de Saúde Pública do Estado do Pará (Sespa) informações sobre análise de amostras da água dos poços e dos sistemas de abastecimento de água para as residências das comunidades abrangidas no entorno do Polo Industrial de Barcarena.

Três dias depois, no dia 16, a resposta da Sespa, por meio de nota técnica, foi no sentido de que além de identificar contaminações em diversas fontes de água nas comunidades de Barcarena, confirmando os dados do Instituto Evandro Chagas (IEC), também identificou que a água fornecida pelos carros-pipa para as comunidades Bom Futuro, Itupanema, Vila Nova, Jardim Cabano e Burajuba, está contaminada por metais pesados.

De acordo com a nota técnica da Sespa foi encontrada a presença de alumínio acima do valor máximo permitido, que é de 0,2 miligramas por litro nas amostras colhidas nas comunidades de Itupanema, Vila Nova e Jardim Cabano.

Na comunidade de Bom Futuro, os resultados insatisfatórios se referem aos ensaios de cor aparente, pH, nitrato, turbidez e presença de contaminação por Escherichia Coli (bactérias, muitas vezes nocivas, que habitam o intestino humano). Inclusive na água fornecida pelo carro pipa, cujo valor de chumbo e magnésio estavam acima do permitido.

Em outra comunidade, a de Burajuba, as amostras tiveram resultado insatisfatório nos parâmetros de cor aparente, pH, Escherichia Coli (para a água não tratada) e presença de cloro residual abaixo do valor mínimo na amostra de água tratada.

As análises foram feitas pelo Laboratório Central (Lacen) por meio de coleta de água dos poços amazônicos e domiciliares localizados em igarapés e nos pontos da rede de água instalada em bairros do município de Barcarena.

No dia seguinte (17) o MP requisitou os dados completos das análises de água, bem como a informação sobre quem era o responsável pela distribuição da água com os carros-pipa. Nesta sexta, a Sespa confirmou que a distribuição é de responsabilidade da empresa Hydro, e feita pela Defesa Civil, com fiscalização da Coordenação Estadual de Vigilância Sanitária.

O pedido de abertura de inquérito para apurar os fatos ocorreu no final da tarde de hoje. O Ministério Público, aguarda que dentro de cinco dias a polícia civil informe o número e registro do inquérito e da autoridade policial que presidirá a investigação.

A empresa também receberá notificação para que cesse o fornecimento de água imprópria à população assegurando acesso à água mineral de boa qualidade. (Fonte: MPPA).


Nota do Ver-o-Fato - A notícia acima causa um misto de espanto e indignação em qualquer pessoa minimamente informada sobre o está ocorrendo em Barcarena. E exige uma providência mais firme do Ministério Público - até mesmo um pedido de prisão dos diretores da Hydro.

Não é possível que, além de despejar metais altamente tóxicos, envenenar rios, igarapés, poços artesianos, contaminar o solo, matar animais, produzir doenças graves nos moradores, como câncer, patologias respiratórias, estomacais e cerebrais, além de diabetes e problemas de pele, a Hydro ainda se dê ao cinismo de fornecer água contaminada para a população beber, tomar banho e realizar seus afazeres domésticos.

Isto é um atentado às claras à vida de milhares de pessoas e uma violação espantosa dos direitos humanos dessas comunidades. Não é algo para se esperar que um inquérito policial se arraste, não sabe por quanto tempo, até que o Ministério Público saia do seu quadrado, entre de fato em ação e cumpra com o papel institucional que a ele cabe como fiscal da lei e defensor da sociedade.

Com as provas que têm nas mãos - os laudos do Lacen, um orgão estadual acreditado, tanto quanto os laudos já emitidos pelo Instituto Evandro Chagas, de reputação e credibilidade internacional - já passou da hora de pedir a prisão desses diretores da multinacional. A reiteração da conduta delitiva da Hydro parece ter virado escárnio ao povo do Pará. O MP está cego para tamanha evidência dos fatos?

Tais diretores não podem alegar que nada sabem sobre esse novo escândalo - a distribuição de água contaminada -, porque acompanham todos os passos das "novas medidas" que vivem a propalar pela imprensa e na página da própria multinacional norueguesa, para remediar os crimes ambientais e sociais que praticaram em Barcarena.

Será que a Hydro quer exterminar de vez com qualquer vestígio humano nos arredores de seus projetos no Pará? Pelo que fizeram e continuam a fazer, tudo indica que a resposta é afirmativa.

E aí, MP, o que está faltando?



Nenhum comentário:

Postar um comentário