VER-O-FATO: ENTRE OS INTERESSES DE PATRÕES E EMPREGADOS, QUEM PAGA O PATO SEM ÔNIBUS É A POPULAÇÃO DE BELÉM

sábado, 21 de abril de 2018

ENTRE OS INTERESSES DE PATRÕES E EMPREGADOS, QUEM PAGA O PATO SEM ÔNIBUS É A POPULAÇÃO DE BELÉM

Desembargador Vicente Malheiros votou pela abusividade da greve. Foto TRT8


A greve é um direito legítimo do trabalhador e deve ser deflagrada, ou mantida, quando fracassam todas as tentativas de negociação entre patrões e empregados, até mesmo a mediação feita pela Justiça do Trabalho. No caso da greve dos rodoviários de Belém, Ananindeua e Marituba, a porta das negociações não foi fechada. Elas poderiam avançar para que se chegasse ao objetivo de contemplar as reivindicações de motoristas e cobradores, que exigem reposição salarial e implantação da biometria nos finais das linhas de ônibus, além de outros pedidos. 

Porém, a intransigência do Sindicato dos Rodoviários, que colocou a carroça na frente dos bois, tentando manter a Justiça do Trabalho a reboque de um radicalismo tolo e corporativista, pôs tudo a perder. É o tipo de comportamento que, na verdade, prejudica mais do que ajuda os próprios rodoviários - tornando-os antipatizados pela população penalizada no seu direito de ir e vir pela ausência de um transporte que é concessão pública.

Na véspera da greve, a desembargadora do TRT8, Francisca Formigosa, relatora do processo na corte, havia determinado a obrigatoriedade de 80% da frota de ônibus em circulação na região metropolitana. Isso manteria a prestação do serviço público enquanto as partes continuariam a discutir na mesa de negociações. Em vez de acatar a ordem da Justiça, os líderes dos rodoviários, contudo, após uma assembleia onde nem um quinto da categoria dela participava, decidiu rasgar a determinação legal. 

A partir daí, entrou em cena a violência na porta das garagens e a intimidação contra motoristas e cobradores que pretendiam respeitar a decisão judicial. Ameaças até de espancamento, como relatadas ao Ver-o-Fato, xingações e outras formas de coação passaram a proliferar nos locais de trabalho. 

Pior: nas ruas e avenidas, grupos de rodoviários começaram a impedir os ônibus de circular depois que o TRT8, por decisão unânime, determinou que a frota voltasse às 16:00 horas a prestar o atendimento público. Furar os pneus e depredar veículos virou estratégia desesperada de intimidação. Passageiros estão sendo obrigados a descer dos poucos ônibus que se aventuram a sair das garagens. 

De tudo isso, sobra a seguinte constatação: entre o interesse dos donos de ônibus  - que prestam um serviço deficiente e de má qualidade há décadas - e dos rodoviários, que se limitam a lutar apenas por reposição salarial e outras reivindicações de menor porte, embora justas, quem sai no prejuízo é a imensa maioria de outras categorias de trabalhadores e amplos setores da população. 

Que pensem nisso os que miram apenas nos seus interesses corporativistas, seja patrões de ônibus ou seus empregados. A maioria da população não pode pagar o pato por uma greve que não é geral e nem conta com a adesão dela.

A determinação judicial deve ser cumprida. E já.

2 comentários:

  1. Na verdade a intransigência é do sindicato dos empresários de ônibus, que não querem atender as reivindicações dos rodoviários e a justiça do trabalho vergonhosamente dar as sentenças sempre em favor dos empresários,e ainda exige que os rodoviários mantenham 80 por cento da frota,e isso se eles obedecerem não há greve, que ridículo essa decisão dessa desembargadora eles tem direito de grevar e comi trabalhador igual a eles eu apoio o movimento.

    ResponderExcluir
  2. Carlos,bom dia.Entendo também que decisão judicial tem de ser cumprida,mas concordo parcialmente com o amigo revoltado aí de cima.Discordo completamente das práticas violentas de furar pneus de coletivos e de impedir que os funcionários não aderentes ao movimento possam trabalhar.Que os responsáveis por todo esse vandalismo sejam punidos.Contudo, os senhores empresários,maiores responsáveis por prestar um serviço de péssimo qualidade,também se mostram muito obtusos para atender simples reivindicações,como a implantação do ponto digital.A biometria para a aferição da assiduidade dos funcionários, já é amplamente utilizada em grandes empresas e mesmo no serviço público.Nem isso pode ser atendido?Abraços e parabéns pelos milhões de acessos de teu blog.
    Rafael Araújo

    ResponderExcluir