quarta-feira, 14 de março de 2018

EXCLUSIVO - "QUERO PROTEÇÃO, ESTOU CORRENDO PERIGO", DENUNCIA AO VER-O-FATO TESTEMUNHA DA MORTE DE PAULO SÉRGIO, EM BARCARENA


Ele era amigo do diretor da Cainquiama, Paulo Sérgio Almeida Nascimento, de 47 anos, assassinado com 4 tiros na madrugada da última segunda-feira, dia 12. Morava na mesma casa com Paulo Sérgio e dividia as despesas com a vítima, na comunidade Fazendinha, em Barcarena. 

Levantou-se da cama, apavorado, ao ouvir os estampidos de uma arma de fogo, quando viu o corpo já ensanguentado do amigo, caído no chão, perto da porta de entrada da residência. Ainda deu tempo de ver, de costas, um homem que, trajando bermuda, fugia do local. Em seguida, ouviu o barulho de veículo partindo em velocidade do local do crime. 

Em entrevista exclusiva ao Ver-o-Fato, a testemunha gravou um depoimento de 25 minutos - veja o vídeo completo, acima -, afirmando estar com medo de morrer. Pede proteção e garantias de vida. "Estou com medo, correndo muito perigo. Não sei se vão querer também me matar. Peço que as autoridades federais me ajudem", declarou a testemunha. 

"Era o Bosco", disse PM

Policiais militares que estiveram ainda durante a madrugada na residência com a testemunha, para fazer a lavratura do crime, ao saberem que ela tinha visto um homem de bermuda, insinuaram que o suspeito do crime poderia ser Bosco Oliveira Junior, também diretor da Cainquiama e homem marcado para morrer em Barcarena, inclusive por policiais militares do 14º Batalhão daquele município. A testemunha rebateu a insinuação, argumentando que não era Bosco Junior, pois o diretor é de compleição mais robusta do que o possível assassino. 

Um trecho da entrevista ao Ver-o-Fato: "Estava sozinho na casa, deitado na cama, Era por volta de 2h30 da madrugada do dia 12, quando o Paulo Sérgio, que eu pensei que estivesse pra Belém, bateu na porta. Eu me levantei, abri a porta e nessa hora não liguei a lâmpada de dentro da casa, porque fora da casa, na frente, fica acesa uma lâmpada, jogando um pouco de claridade para dentro". 

"O Paulo Sérgio entrou, ligou a lâmpada e eu cobri o rosto com o lençol, para evitar a claridade. Fechei os olhos e não ouvi mais movimento nenhum. O Paulo Sérgio tinha o hábito de chegar à noite e ir tomar banho. O banheiro fica fora da casa. Ele ainda atou a rede dele antes de ir tomar banho, foi lá fora e depois voltou. Eu tentava pegar no sono e ainda ouvi o barulho do balde que ele tinha levado para o banheiro, sendo colocado no chão". 

Tive medo que me executassem

"Eu acho que ele deve ter saído para ir urinar ou fazer algo. Só sei que ouvi vários tiros logo em seguida. Levantei assustado e achei muito estranho aquilo. Não sabia se os tiros eram lá perto de casa ou longe. Foi aí que quando olhei para a porta, que estava entreaberta e vi o corpo do Paulo Sérgio, já ensanguentado, caído no chão. Nesse momento vi uma pessoa, de costas, correndo. Ela estava de bermuda e correu na direção da rua". 

Imediatamente eu desliguei a lâmpada, para que alguém não me visse. Imaginei que tinha mais gente alí que poderia vir para também me executar".


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