VER-O-FATO: EM REUNIÃO COM EDMILSON, COMUNITÁRIOS ENVENENADOS PELA HYDRO DESABAFAM E EXIGEM SOLUÇÃO

segunda-feira, 5 de março de 2018

EM REUNIÃO COM EDMILSON, COMUNITÁRIOS ENVENENADOS PELA HYDRO DESABAFAM E EXIGEM SOLUÇÃO

Na foto de Pedrosa Neto, as bacias da morte cravadas entre a floresta


O deputado Edmilson Rodrigues (PSOL/PA), coordenador da Comissão Externa da Câmara Federal que apura os crimes ambientais ocorridos em Barcarena, Nordeste Paraense, recebeu nesta segunda-feira, 05, diversas lideranças de comunidades daquele município, que relataram o drama sofrido desde os anos 80, quando instalou-se um polo industrial na cidade, e, especialmente, o aprofundamento da crise desde o perceptível vazamento de rejeitos tóxicos da Hydro Alunorte, empresa de capital norueguês integrante da cadeia produtora de alumínio, há duas semanas.


A reunião ocorreu em Belém e contou também com a participação de representantes da Defensoria Pública do Estado do Pará, da Ordem dos Advogados do Brasil Secção Pará (OAB-PA) e de cientistas do Instituto Evandro Chagas (IEC) e da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA). Edmilson comentou sobre os encaminhamentos da comissão, que enviou ofícios com pedidos de informação à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), Ministério Público do Estado, IEC e Universidade Federal do Pará (UFPA).

Além disso, explicou sobre os procedimentos para a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai apurar a série de contaminações a que vem sendo submetida a população de Barcarena e sobre a expectativa de reunir com a Embaixada da Noruega em Brasília. "Há muitas pessoas doentes de câncer, mas eles não estão nem aí. O povo é tratado como lixo, enquanto eles (grandes empresas) só querem saber do lucro", ressaltou o coordenador.

O parlamentar ressaltou a decisão do ministro do meio ambiente, José Sarney, que, por intermédio do Ibama, determinou a suspensão de 50% das atividades da Hydro. "Sabemos que uma empresa grande como essa tem condições de preservar os empregos até resolver essa questão. É importante a manutenção dos empregos e das vidas humanas."

Doenças e água seletiva

Durante a reunião, os representantes de comunidades denunciaram a cooptação de algumas lideranças e comunicadores de Barcarena pela Hydro com o objetivo de esvaziar o movimento popular, além de ameaças e intimidações por parte de policiais militares, o que já está sob a investigação da Promotoria de Justiça Militar.

Petronilo Alves agradeceu a atuação da comissão dos deputados federais. Paulo Feitosa reclamou que todos os dias são encontrados peixes mortos nos rios e pessoas doentes porque beberam água contaminada com metais pesados. Maria das Graças denunciou que as áreas ribeirinhas e rurais também foram afetadas pelo vazamento da Hydro, mas a água potável só está sendo fornecida para as três comunidades localizadas às proximidades da empresa.

"Perdi a minha mãe com câncer há cinco meses. Na minha comunidade, Bacabal, temos crianças com feridas, coceiras e diarreia, mas não temos atendimento de saúde adequado para as vítimas da contaminação", cobrou Jaqueline. "Só estão dando água engarrafada para quem não tem água encanada em casa, como se a água encanada também não estivesse contaminada", denunciou Socorro, da comunidade quilombola Burajuba.

14 elementos tóxicos


O pesquisador Marcelo Lima, que divulgou o recente laudo do IEC confirmando a presença de metais tóxicos na água avermelhada que alagou áreas de moradia de Barcarena, disse na reunião que, desde o acidente, o instituto não parou de trabalhar no município e que a prioridade é concluir a análise dos exames de toxicológicos realizados em 2.047 moradores do município.

Foram coletadas amostras de cabelo, pele e sangue e o resultado coletivo deve ser divulgado no mês que vem. "Infelizmente, não há a presença só de chumbo. Estamos pesquisando cerca de 14 elementos tóxicos simultaneamente", afirmou.

Já o professor da UFRA, Robson Carrrera, afirmou que, não apenas área da DSR 2, em que a Hydro Alunorte deposita rejeitos, mas também a DSR1 estão situadas em área de proteção ambiental originalmente instituída por lei estadual quando o polo industrial foi instalado em Barcarena. O objetivo era criar um cinturão verde para isolar as áreas habitáveis das indústrias.

Ferrovia e impactos

O advogado Ismael Moraes, que ajuizou uma ação em favor da Associação Cainquiama, junto à 9ª Vara Ambiental e Agrária da Seção Judiciária do Pará, em Belém, sobre a poluição da água pela Hydro, convidou outras associações a entrarem no mesmo processo como partes interessadas. Enquanto o defensor público Johny Giffoni, anunciou que a Defensoria Pública do Estado realizará atendimento em Barcarena para oferecer assistência jurídicas às pessoas e comunidades que não dispõem de advogado.

"Foi descumprida a exigência de realização da consulta pública quando houve a instalação do polo industrial de Barcarena, em desrespeito à Convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Temos que ficar atentos ao licenciamento da usina termelétrica de Barcarena,à linha de transmissão que vai passar por cinco comunidades quilombolas e à construção da Ferrovia Paraense S.A (Ferpasa), entre outros grandes projetos que vão impactar as comunidades", alertou. Fonte: assessoria de Edmilson Rodrigues.

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