sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

TIROTEIO E INCÊNDIO DE VEÍCULOS NA FAZENDA MOCOCA, DA FAMÍLIA DO PREFEITO PIONEIRO; ÁREA TEM TITULO FALSO

Ferido gravemente, este homem teve de ser trasnferido para Marabá
Outro baleado durante o conflito, segundo o hospital, está fora de perigo






Um confronto na manhã desta sexta-feira na Fazenda Mococa, de 968 hectares, pertencente a José Antunes da Silva, da família do prefeito de Ananindeua, Manoel Carlos Antunes, o "Pioneiro", deixou três feridos, sendo um sem terra e dois seguranças da fazenda. "Pioneiro" é dono da fazenda Boa Vista, vizinha à fazenda de seu parente onde ocorreu o embate violento.

A Mococa está localizada em terra pública federal e é objeto de uma ação civil pública na Justiça Federal de Marabá para cancelamento de título, declarado como falso pelo Instituto de Terras do Pará (Iterpa). 

A fazenda, que possui 20 mil cabeças de gado, fica localizada  a 10 quilômetros do centro de Bom Jesus, na vicinal Égua Morta. Chegou a circular informação de que haveria mortos, mas isso foi descartado pela polícia de Bom Jesus.

No final de 2016, camponeses sem terra, sabedores de que a terra não era propriedade particular, entraram na fazenda e armaram seus barracos. Ocorre que José Antunes da Silva, alegando ter comprado a área em 2008, ingressou com ação de reintegração de posse. A justiça de Marabá acolheu a pretensão do fazendeiro e expediu mandado de desocupação, em novembro de 2017. 

Segundo o advogado Marden Novaes, defensor dos sem terra, a Mococa e outra fazenda contígua, a Geralda de Assis Kulman, "são declaradamente terras públicas federais, pois fazem parte da antiga fazenda Gaúcha, que é objeto de ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na Justiça Federal de Marabá".

"O Incra deveria assumir sua responsabilidade como gestor da reforma agrária na região", acusa Marden Novaes, que comunicou as irregularidades e o conflito ao deputado Carlos Bordalo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Pará.

De acordo com uma fonte, durante o confronto houve troca de tiros quando cerca de 30 homens chegaram na fazenda, cercando a sede da propriedade. Nela estavam quatro empregados e alguns seguranças, que para os sem terra eram pistoleiros, pois na fazenda não há registro de nenhuma empresa de segurança registrada na Polícia Federal.

Durante a escaramuça, vários veículos e barracos foram incendiados, como mostram fotos enviadas ao Ver-o-Fato por outra fonte.  O homem conhecido na região por "Negão do Dativo", que seria lavrador sem terra, foi um dos feridos.  

Uma equipe da Polícia Militar, juntamente com policiais civis e uma ambulância do Samu se deslocaram até o local, recolhendo os feridos e levando-os para o Hospital Municipal de Bom Jesus, onde receberam atendimento.

Dois feridos, de acordo com informações do hospital, se encontram fora de perigo, mas um trabalhador rural foi encaminhado para Marabá em estado grave.

 
Veículos incendiados e movimentação em frente ao hospital da cidade
Helicóptero da polícia sobrevoa área do confronto
  

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